Resenha (Livro) – Risco escuro na claridade | Maiky da Silva

Oi pessoal, tudo bem?

“Decidi ser louco num sábado qualquer, num dia ordinário, numa data comum”.

É assim que o autor começa seu livro (ele tem um dom pra começar de forma impactante, que vou te contar. Digo isso por causa de um outro livro, que, bem… Não iremos falar dele hoje. Foco!). O livro Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas, também disponível na Amazon (2018, 61 p.) é do mesmo autor que já falei na semana passada (veja a resenha aqui), o Maiky da Silva. Essa ficção irá ter seus capítulos nomeados “Carta”, e não diário, pois como o personagem mesmo diz, os diários são muito cheios de “eu”. E ele irá contar a história das pessoas ao seu redor, e um pouco do que ele via de um “eu” que não era mais “eu”. Parece sem sentido, mas ao ler o livro, você entenderá 😉

Quando se começa um livro daquela forma, já começamos a nos perguntar “gente, mas por que decidir ser louco?”. Logo no primeiro capítulo, o jovem narrador de sua própria história, conta-nos a sua dramatização da loucura, numa família aparentemente “normal” (entre MUITAS aspas). Temos então um balde de água fria, e começamos a nos perguntar o porquê de tudo aquilo… Para sermos acalentados – ou não – com as respostas na segunda carta, ou segundo capítulo: as explicações chegam de forma nada agradável. Somos jogados como bolinhas de ping-pong a todo o momento. Acompanhamos seus pensamentos de “culpa”, de um apego desnecessário, mas real, àqueles que não lhe fizeram tão bem assim, como o acompanhamos em seus pensamentos de razão e coragem ao encarar de frente sua realidade nada tranquila. E tudo isso numa escrita crua, sem um pedido de piedade, sem um sentimentalismo que poderia muito bem ter sido feito (mas que graças a Deus, não foi!).

“Sonhar, quando não há vida, é uma maneira de sobreviver”.

Sobre a história eu só posso dizer que ficamos sabendo de sua infância, do que houve com seus pais e sua avó, de como ele foi parar naquela casa onde inventou sua loucura. Quem nos conta a história é um “eu” mais adulto, longe fisicamente daqueles dias. Mas o quão longe esses episódios ficaram de sua alma? Houve uma construção de um ser humano naquela casa, naquela situação? Ou houve uma desconstrução de tudo o que poderia ter sido?

Vocês sabem que eu gosto muito de relacionar uma leitura à outra, ou a um filme, uma música… Então eu farei isso… Estou cheia de indicações, de pensamentos, cheia de querer falar! Não sei se isso é o ideal. Em algumas situações é melhor falarmos pouco. Mas é impossível, ao ver o tipo de escrita, tão crua e tão real, e que vai direto ao ponto, eu não me lembrar do seu oposto, o Lemony Snicket. Maiky não tem medo de ser mal entendido: seu personagem fala, e está lá, entenda quem e como quiser. Já Lemony, não por se tratar de uma série infanto-juvenil, mas pelo sarcasmo ser o seu estilo literário, nos provoca exatamente quando tenta ser engraçado ou autoexplicativo. Num mundo em que ao falar um “A” você já é julgado pela forma com que falou, colocar altas doses de ironia e deboche é além de provocação, uma crítica escancarada ao politicamente correto. É legal quando pegamos textos mais cruéis para lermos! Eles vão contra a maré, eles nos instigam a ler a verdade, doa a quem doer. Lembrei muito também da escrita de Eliane Brum, de Lygia Fagundes Telles, de Lya Luft. Todas essas incríveis mulheres escrevem de forma provocativa. Eu amo isso!

“Desejava a loucura, a morte. Mas era a vida que queria. Era a vida.”

E vocês também sabem que quando é para falar de um livro que gosto muito, eu acabo me perdendo hahaha Mas hoje me prometi que iria fazer algo mais decente, e como o livro não é tão longo, acho que irei conseguir. Porque se fosse contar mais do que já falei, ia entregar a história toda. Apesar que o grande Q da história é você saborear as palavras, se colocar no lugar do protagonista. Eu vou ser sincera… Tentei me colocar no lugar dele, numa casa “normal”, na situação em que ele se encontrava. Eu não teria coragem! Não teria coragem de fazer o que ele fez, fingir uma loucura. Talvez algum dia eu enlouquecesse de verdade, ao não fingir endoidar. Talvez o que ele tenha feito (gritado, esperneado, rido naquela altura) tenha sido o correto.

“O inferno não são os outros. Os outros são só indiferença”

Ainda vemos o sentimento de culpa que fica no personagem, mesmo depois de anos. Ao contar a história a nós, vez ou outra, o protagonista nos fala de tudo o que recebeu da família, de tudo o que fizeram por ele, mesmo não sendo obrigação. E logo em seguida já joga em nossa cara o que fizeram de ruim. Então, como leitora, fiquei numa corda bamba, ao não conseguir tocar em nenhum dos lados (bom ou mau) de sua família. Vinha um toque de “Síndrome de Estocolmo” rs, e ao mesmo tempo vinha em minha mente: “Como seres humanos eles eram obrigados SIM a cuidar de forma decente do menino! Não devo sentir pena ou ser compactuada com as ações deles. Devo ficar do lado dele!”.

“Ao princípio do trabalho, o modelo inglês acrescenta, como condição essencial para a correção, o isolamento. O esquema fora dado em 1775, por Hanway, que o justificava em primeiro lugar por razões negativas: a promiscuidade na prisão dá maus exemplos e possibilidades de evasão no imediato, de chantagem ou de cumplicidade para o futuro” (…) Em primeiro lugar, o rtorno temporal da punição. Os ‘reformatórios’ se dão por função, também eles, não apagar um crime, mas evitar que recomece. São dispositivos voltados para o futuro e organizados para bloquear a repetição do delito.”
(p. 141/5) no livro Vigiar o punir, de Michel Foucault.

Por último… há o que chamam de sensação de falta de pertencimento, seja no universo, na sociedade, na família. É quando você não se sente incluído em nenhum grupo, como que se deslocado, não se sente seguro em nenhum lugar. Mas você já se imaginou não pertencer a si mesmo? Já imaginou não se sentir pertencente ou dono de algo tão íntimo, tão seu, que são seus pensamentos, atos, palavras, sanidade, alma? Essa foi a sensação final ao ler o livro. Você fingir uma loucura, perceber que em alguns momentos de seu dia faz algo “sem querer”, e vê seu equilíbrio mental indo embora. Qual seria a sensação? E a quais atitudes esses pensamentos me levariam?

Título: Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas

Autor: Maiky da Silva

Editora: Amazon, 2018.

Páginas: 61 p.

Disponível aqui!

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Novo Ano, Leituras Novas… E blog novo!

Oi gente, tudo bem?

Espero que tenham passado muito bem de festas. Natal e Ano Novo são minhas duas festas favoritas do ano! Época de reflexão, de unir a família, de comemorar com os amigos algo tão belo: o nascimento de Jesus, e o nascimento de um novo ano.

Quando era menor, imaginava que algo extraordinário iria acontecer. Talvez por consequência das queimas dos fogos de artifício… eu via tudo mágico, tudo iluminado, tudo de um jeito novo. Mas se formos pensar somente com a razão, é “apenas” mais um dia. Virou o ano, e o que fizemos de diferente?

Acho que o sentimento geral das pessoas é de renascimento. A reunião com os amigos e família ajuda muito nesse processo. Estarmos com quem amamos, é uma fonte renovadora de energias. E nessa época, como nos reunimos muito, temos essa possibilidade de renovação.

E em meio a essas reuniões, novo gás para a vida e esperança, sempre fazemos nossos planejamentos, metas… Claro que já fiz muitos planos pessoais, e hoje venho compartilhar alguns com vocês.

Durante o ano de 2017, tive várias experiências fantásticas, e uma delas foi o de reencontro pessoal com Deus. Na verdade, esse reencontro deve ser feito dia-a-dia, e nunca estamos prontos, nunca estamos perfeitos. É algo que deve ser construído. E em meio a essa situação, eu e o David tivemos uma inspiração: criar um blog para compartilhar experiências de leituras cristãs com vocês! O blog se chama “Evangelizando a 2” e está disponível aqui.

Como alguns de vocês sabem, em 2017 eu não comprei nenhum livro para mim. Algo bem difícil, desafiador… Mas que me rendeu bons frutos. O primeiro fruto foi o de controlar meu vício. Compra de livro também é algo viciante, por mais engraçadinho que possa parecer para algumas pessoas, por mais “bonito” que possa parecer a outras (para mim era… afinal meu discurso sempre foi: não gasto com drogas e bebidas, mas com livros. Oh, que coisa “cult”). Mas não é bonito quando se torna um vício. Gastamos mais do que podemos, com algo que passa a ser desnecessário. Comprava por impulso, muitas vezes coisas que nem queria ler… somente porque todos estavam comprando, ou porque eu eu achava bonita a capa, ou ainda porque era para “não pagar frete”. Isso estava quase virando uma doença. Esses 365 dias sem comprar livros para mim foram de ganho (não só financeiro rs). Hoje eu sei que posso me controlar, se tiver força de vontade. Em consequência disso, li menos: a leitura passou a ser não uma competição, mas um divertimento mesmo, um hobby. Mas óbvio que tive vontade de comprar alguns livros (que julgo necessários por enquanto rs).

Para não despertar novamente o vício, resolvi fazer o projeto 10+1, que já tentei fazer uma vez (e funcionou durante dois ou três meses). Sei que consigo hoje em dia, já que a prova de fogo de 2017 foi maior rs. Para quem não sabe o que é, funciona assim: você só pode comprar um livro depois de ler 10 (e tenho a consciência que não são 10 livros infantis, que posso ler numa sentada haha). Hoje eu terminei de ler o primeiro livro do ano, que por sinal é incrível, e já virou favorito! O livro se chama “A vida de Maria” e foi escrito pelo Rainer Maria Rilke. É um livro de poesias, e conta resumidamente, e de forma maravilhosa a vida de Maria.

Porém, como vocês sabem que eu – ainda – sou uma ser humana hahaha… Comprei antes um livro, vamos dizer, para me dar de presente depois de ficar um ano inteiro sem nada. E o que comprei foi a biografia de Van Gogh, que eu estava desejando desde 2016. É um livro bem gordinho, vou demorar a ler… Mas tenho certeza que irei amar. Li uma outra biografia do pintor em 2017, escrito por David Haziot, muito boa também.

Aqui no blog Bibliotecária Leitora, as coisas continuarão como estiveram por esses dias: postagens periódicas (duas ou três por semana), com resenhas, projetos de leituras, compartilhamento de experiências, indicações de filmes… Lá no canal, a frequência de vídeos deu uma diminuída rs, mas continuamos firmes e fortes! 🙂 Ah, abaixo deixo novamente minhas redes sociais.

Ah! Outra novidade a vocês! Este ano inauguro minha lojinha online! A lojinha, chamada BiblioStore, por enquanto funcionará pelo Instagram. Serão vendidos itens de papelaria, origamis, itens literários para decoração. Quem desejar, pode me seguir no instagram, linkado abaixo também.

Espero que vocês tenham um ano lindo e abençoado. Estamos juntos =)

Redes sociais:

Blog Bibliotecária Leitora

Facebook Bibliotecária Leitora

Instagram Bibliotecária Leitora

Canal Youtube Bibliotecária Leitora

Blog Evangelizando a 2

Instagram Evangelizando a 2

Instagram Submerso nas Palavras

Blog Submerso nas Palavras

Skoob Dani Kanno

Instagram pessoal Daniela Kanno

Lojinha – BiblioStore

Vamos conversar… Sobre o canal BL

Oi gente, tudo bem?

Acho que nem todos que me acompanham no blog (e alguns chegaram agora… bem vindos!) sabem que eu tinha um canal no YouTube. Pois é, de mesmo nome que o blog, o canal Bibliotecária Leitora durou cerca de dois anos e pouquinho (começou em 22 de maio de 2014, e parou no dia 28 de outubro de 2016), tendo vídeos quase semanais – algumas vezes postava mais de um vídeo por semana, e outras vezes ficava sem postar durante duas semanas rs. Os focos principais e iniciais eram resenhas de livros, respostas às TAGs, e mostrar o que eu havia lido durante o mês, e coisas que eu havia comprado. E muita gente ainda me pergunta quando eu irei postar mais vídeos. Inclusive ultimamente recebo alguns recadinhos lá no canal e até no Instagram sobre a possível volta… E tenho respondido: talvez esse ano; ou vamos ver se eu volto.

Claro que de vez em quando eu sinto vontade de gravar, sinto vontade de conversar com vocês pelo Youtube. Eu sempre tive uma resposta boa, de quem me assistia, graças a Deus. Mas a questão que fica martelando na minha cabeça é: por que voltar? Para que voltar? E minha opinião (falada) realmente conta? – vou explicar melhor essa indagação. Na verdade, funciono melhor com tópicos, então vamos a eles.

Porque eu tinha um canal? Comecei por causa da Gabriela Francine (que agora tem outro canal, sobre maternidade, que é a coisa mais lindinha do mundo), inspirada pelo seu jeito simples de falar, e pelos seus vídeos sem edição: que pra mim são o máximo! Eu queria conversar sobre livros com alguém, e no blog eu não tinha um retorno tão rápido. O intuito sempre foi falar de livros ou qualquer coisa relacionada a eles.

Minha opinião realmente conta? Aqui começa a surgir um X um pouco maior para a questão de o porquê eu ter parado com o canal. Muitas vezes eu li coisas que não são minha preferência apenas para dar uma opinião sobre. Isso é bom? De certa forma sim, afinal saímos de nosso comodismo e descobrimos coisas além de nossa opinião própria (podendo com isso fortalecê-la ou mudá-la). Mas por outro lado, se eu não quero ler tal título, por não se encaixar nas minhas preferências, tudo bem também.

Por ser blogueira, eu não sou obrigada a ler qualquer tipo de coisa que eu não deseje. Esse foi um erro grave de minha parte: pensar que eu tinha que ler tudo que estava na moda, tudo o que me pediam, apenas para emitir uma opinião sobre. E não funciona assim. Ao perceber isso, parei de ler coisas que eu já sabia que não iriam ser muito úteis para mim. E minha quantidade de leitura diminuiu bastante (e a qualidade aumentou! Vejam que ótimo!).

Porque eu parei com os vídeos? Por alguns motivos. * Nunca gravei com uma frequência certinha, nunca tive um dia certo para gravar. * Nunca tive um roteiro certo para os vídeos. * Os assuntos começaram a se repetir, e fiquei incomodada com aquilo. * Tive algumas decepções com pessoas estúpidas. * Percebi que eu escrevo melhor do que falo (na minha opinião. Pode ser que tenha gente que pense o contrário haha). * Claro que esse está longe de ser um motivo, mas: parei de comprar livros, desde primeiro de janeiro desse ano. E estou seguindo firme e forte nesse propósito. Sei que muitas pessoas gostavam demais do “Falida” (que era o título que eu dava para as compras do mês). * Com essa situação, de não comprar livros, acabei dando uma pausa nos vídeos dos amiguinhos. Assisto a vídeos bem específicos, para não ficar tentada. Fazer o que rs. * Não tenho lido tanto quanto eu lia antigamente, por motivos pessoais, e também por estar dando mais atenção ainda às minhas leituras, demorando bastante para terminar algo.

E agora duas perguntas mais ‘polêmicas’, mas que me faço.

Na minha opinião, qual o “probleminha” com os canais literários? Lembrando que esta é uma opinião particular, e que não estou generalizando. Em vários canais literários, tenho visto a propagação de livros que estão “na moda”. Mas esse não é o problema (não é mesmo!). Acho importante também a divulgação de livros que estão sendo lançados agora, que são febre, e que de certa forma influenciam os leitores (para o bem, quero deixar claro). Afinal, meu gosto pela leitura formou-se depois da “modinha” Harry Potter (que é moda até hoje, glória a Deus haha). Mas vejo também, que nesse meio, muitas pessoas preferem assistir a vídeos que falam sobre esses livros que estão na moda. Muitos títulos não me agradam (não generalizando também), e nem exponho opinião no canal. E com isso, há cobrança (há sim!) do “público”, como: “Quero saber o que você achou sobre livro X” (que está na moda). Eu gosto demais de livros diferentões (a Isa do Lido Lendo que o diga. Vive marcando a minha pessoa em postagem de extraterrestre hahaha), e vejo que isso não agrada o geral – sim, há gente que me chama de maluca. E sou mesmo. Para evitar incômodos, preferi dar essa pausa (olhem! Mais um motivo aqui).

E parcerias? Sentem falta dos vídeos? O que fazer? Quanto às editoras parceiras: eu não estou dando conta. Na verdade, vi que não estava dando conta, já em 2015, e cancelei todas as parcerias, permanecendo somente com a Penalux. Este ano acabei conseguindo parceria com a editora Carochinha, que gosto muito, e que é de livros infantis. Com as outras editoras eu tive que fechar. Se antigamente eu já não tinha vida social, penso que agora além de não ter vida social, minha vida de leitora está diminuindo drasticamente. E isso é bom, em certo ponto. Passamos sempre por metamorfoses, certo? 😉

Quanto aos autores parceiros, eu finalizei totalmente. Pelo mesmo motivo acima… eu não estava dando conta. E há tantos blogs que procuram autores parceiros, certo?!

E por último, e talvez não menos importante: Dani, você vai voltar com o canal, ou não? Eu poderia utilizar várias respostas aqui. “Não sei.” seria uma delas HAHA fiz uma postagem desse tamanho para dizer “não sei”. Ou até mesmo “O futuro a Deus pertence”. Mas já que precisamos de uma resposta um pouco mais objetiva… Não. Eu não irei voltar com o canal tão cedo, talvez nem volte. Estou conseguindo postar de vez em quando no blog, mas vocês podem ver que as postagens não são tão frequentes (antigamente eram 7 dias por semana, e hoje em dia são dois :O haha).

Espero que me perdoem. Quem sabe algum dia eu volte para o YouTube. Mas enquanto não acontece, queria muito que me acompanhassem por aqui mesmo ❤

As cinco fases do namoro | Sandro Arquejada [Parte 2]

Oi pessoal, tudo bem?

Então hoje vamos à segunda parte da resenha do livro As cinco fases do Namoro, do autor Sandro Arquejada, publicado pela editora Canção Nova. Se você ainda não viu a primeira parte, deixo o link aqui. =)  Esta é uma resenha feita em conjunto com o David, do blog Submerso nas  Palavras. Acesse também o blog do David, que nas terças e sextas feiras ele posta resenhas, opiniões e poesias. (Ah, e um aviso: as postagens aqui no blog costumam sair às segundas, quartas e sextas feiras. Mas esta semana teremos na terça feira (hoje! rs), ao invés de quarta, ok?)

E como já estão cansados de saber: quando gosto de um livro, a resenha torna-se quase um testamento haha Então vai lá pegar algo para comer, beber… E volte aqui ❤

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Como pudemos ver na primeira parte da resenha, Sandro dá um “apanhado” geral sobre algumas questões muito pertinentes a serem discutidas sobre o tempo do namoro. Estas questões, diferente do que achamos, não são apenas para quem quer começar um relacionamento “de imediato”, mas também para os que já estão em um namoro, noivado, casamento, ou que buscam encontrar alguém no futuro.

Nesta segunda e última parte da resenha iremos apresentar a vocês As cinco fases, que dão título ao livro! São elas:

♥ Primeira fase: os sentimentos
♥ Segunda fase: conhecer
♥ Terceira fase: decisão
♥ Quarta fase: formar identidade
♥ Quinta fase: noivado

“O que dá início a essa primeira etapa do namoro é o compromisso firmado diante daquilo que duas pessoas sentem. Não basta viver o sentimento e trocar afetos de vez em quando, é preciso haver vínculos” (p. 61)

Nesta primeira fase (sentimentos), Sandro nos fala sobre os sentimentos, e eles devem sim ser recíprocos. Na primeira etapa é essencial o diálogo, muito mais do que os gestos de carinho. E assim deve permanecer durante todo o namoro: o diálogo sempre será importantíssimo. Para que o casal não tenha dúvidas de seus sentimentos, é sempre bom deixar as coisas bem claras, ser sincero com o próximo e acolher bem seus anseios, dúvidas, sentimentos. Esta é a fase que você pode colocar à disposição do outro o que você sente, por isso, seja sempre transparente. Claro que se não houver o amor “Eros” (que para quem não leu a primeira parte da resenha, quer dizer o amor apaixonado, o encanto, a atração), dificilmente o namoro irá adiante. Deve haver um compromisso com o sentimento de ambos, e ter consciência de que esta fase é muito movida pela emoção – afinal ninguém escolhe somente através da razão se vai gostar ou não de alguém rs.

O Papa Bento XVI nos instrui: “a partir da ‘atração inicial’ e do ‘sentir-se bem’ com o outro, educai-vos a ‘amar’ o outro, a ‘querer o bem’ do outro” (p. 61). Algo que sempre é bom lembrar, é que devemos cultivar o sentimento através de pequenos gestos, pequenos detalhes. Mas a coisa mais importante a se fazer antes de começar um relacionamento: peça as bençãos de Deus, e reze para que ele indique o caminho correto. Muitas vezes nossas orações são “egoístas”, e pedimos somente o que desejamos, esquecendo-nos de que nem sempre o que desejamos é o melhor para nossa vida.

“Amar é simples no ser, mas requintado no servir, porque é para alguém que fará parte da sua existência” (p. 72)

Já a segunda fase, o do conhecer, somos lembrados logo de cara de algo muito importante: “Somente se ama quando se conhece“. Depois da fase dos sentimentos, começamos a enxergar algumas vertentes através da razão:

“Essa percepção se dará quando, já dentro dessa segunda etapa, ainda há por onde caminhar. Depois de um tempo, se dá conta de que aquele sentimento do início, agora amadureceu. O amor ainda acontece pelo Eros, contudo, começaremos a perceber também a face Philos.” (p. 78)

Isto é, o amor amadurecerá. Não será somente aquela paixão do início, aquela vontade grande de somente agradar seu par. Quem deseja um relacionamento duradouro deve ter em mente de que possíveis discussões são reais: é algo que acontece em qualquer relacionamento interpessoal. Quando falamos de relacionamento amoroso, essa característica (do conhecer) deve tornar-se verdadeira; aliás a própria verdade deve ser completa e livre. Só podemos dividir nossa vida toda com alguém que é verdadeiro conosco; e assim também devemos ser a ele(a). Diante dessa realidade, acabamos percebendo alguns aspectos negativos no companheiro(a). Não porque buscamos encontrar defeitos, mas porque conseguimos enxergá-lo de modo mais profundo. E isso acaba nos dando a oportunidade de crescer com ele(a).

Você se lembra daquela música “Velha Infância“, que o Tribalistas cantava? Há um trecho que diz assim:

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Não há verdade maior rs. O seu amor, o seu namorado(a) deve ser seu melhor amigo. O namoro antes de tudo é uma amizade profunda, uma amizade que faz crescer, que tem um suporte duradouro, que gera vida. Caso perceba que seu relacionamento não gera mais vida, comece a reparar melhor qual o suporte que está sustentando esse amor.

“Uma amizade, e não qualquer amizade, uma amizade especial e profunda, precisa existir no namoro.” (p. 90)

Uma pausa para você pegar um café e uma bolachinha. Estamos acabando a resenha 😉

A terceira fase é de suma importância: a decisão. Se você chegou nesta fase, já passou por alguns momentos de desacerto. Esta etapa irá definir se você aceita conviver com seu (sua) namorado(a) mesmo que ele tenha alguns defeitos, algumas manias que te desagradam. Você começa a perceber que o ama apesar disso, além disso. Verá que ele(a) é um complemento para sua vida.

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Será também nessa fase que iremos aprender a exercitar muito bem o perdão. Com a fase dos sentimentos (que é pautada em sentimentos haha) e a fase do conhecimento, muitas coisas nós iremos “relevar”. Na segunda fase começamos a utilizar o perdão, afinal para nos tornarmos bons e melhores amigos do companheiro, iremos conhecer sua história, e muitas coisas podem não nos agradar. Mas nesta terceira fase, a da decisão, iremos colocar em prática o exercício do perdão. Exercício que não é fácil, mas que é a essência de qualquer relacionamento.

“Saiba que, quando surgem os questionamentos e dúvidas, estamos conhecendo mais a realidade e aprendendo a ter uma visão mais ampla do outro e do relacionamento. Nesta fase lidamos justamente com aquilo que pode nos afastar, tentando equalizar qual o melhor modo de tratar nossas fragilidades. Isso será importantíssimo para decidir entre conciliar diferenças ou não estar mais juntos” (p. 103)

A quarta fase é formar identidade. Uma fase bem interessante. Sabe quando você vê um casal e já não consegue distinguir as manias um do outro? Quando você fala, por exemplo: “sabe o Fulano? O Fulano, da Sicrana”, querendo dizer que o Fulano é o namorado da Sicrana. Você já passa a ver o casal como unidade. Eles começam a ter uma identidade própria, e isto vai sendo formado durante o período de namoro: os corações se unem e há a abertura para que um conheça a alma do outro. O que diferencia esta fase das demais é a renúncia de prazeres próprios, para fazer o que é melhor aos dois; e isso ocorre não de maneira obrigatória, mas em forma de doação (amor Ágape).

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A quinta e última fase, é a do noivado, que é afirmação solene para o casamento. E, bem, essa fase ainda não podemos falar nada rs. Não preciso nem dizer, depois de toda essa resenha (ai meus dedos), que eu amei a leitura. Sandro deixa as coisas muito claras, parece que está conversando com o leitor. Sei que li este livro no tempo certo (e com a pessoa certa), e sei que tudo o que vivi até hoje não foi em vão. Tudo é aprendizado. Mas quisera eu ter tido um amigo-escritor que me dissesse tudo o que Arquejada diz em seu livro, quando era mais nova. Ele nos acolhe com sua escrita, nos orienta, dá um norte.

Eu, David, gostaria apenas de compartilhar algumas impressões sobre o livro depois da beleza de toda a escrita realizada pela Dani. Ah! Só um detalhe ela escreve muito melhor do que eu (rsrs). Umas das coisas que me impressionou nesse livro é o empenho do autor de dar “nome aos bois”, nomear as fases, sentimentos, atitudes, gestos, decisões, equilibrar razão na decisão de amar. Nada passa desapercebido pelo autor. É como se ele mergulhasse na sua realidade pessoal e compartilhasse da experiência até então vivida e na sequência alicerçasse em pesquisas de outras fontes. Outro ponto que acho interessante, é que não se esgota a vida no livro e nem a experiência, ela é real, e o livro transborda um pouco da grandiosidade e da verdade do relacionamento. Concluo expressando o meu desejo de amar verdadeiramente (impresso em todos os corações humanos), um amor sólido, verdadeiro, doação! Que seja o propulsor de sentido e vida. Agradeço sua disponibilidade e generosidade de chegar até aqui. Ufaaaa! Grande abraço e até mais….

Título: As cinco fases do namoro

Autor: Sandro Arquejada

Editora: Canção Nova

Páginas: 183 p.

As cinco fases do namoro | Sandro Arquejada [Parte 1]

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim apresentar a vocês um dos últimos livros que li,em conjunto com o David, do blog Submerso nas Palavras. Passamos quase dois meses lendo e compartilhando semanalmente nossas impressões; e agora queremos também compartilhar com vocês. Por isso a resenha de hoje será um pouquinho diferente. Escreveremos juntos. Ah! E esta resenha será dividida em duas partes (sim, o livro é pequeno, mas vocês que me acompanham já sabem: livros que eu gosto muito, eu quero contar tudinho para vocês haha…). A segunda parte, nós postaremos na terça-feira (sim, postaremos: aqui no blog Bibliotecária Leitora, e lá no blog Submerso nas Palavras).

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As cinco fases do namoro (Canção Nova, 2013, 183 p.) do autor Sandro Arquejada, diferente do que imaginamos ao ler o título, não é um livro escrito somente para namorados; é sim um livro para todos aqueles que pretendem ter um namoro sólido e cristão. Sandro começa nos contando um pouquinho do “Histórico” sobre o namoro, isto é, como era o namoro antigamente, como era tratado no modelo social, não somente no Brasil, mas em outros países também. Além disso, é importante enaltecer que esse livro gera vida e traz memória recordações da nossa vida afetiva à luz do Espírito Santo.

“Namoro é o tempo que precede o matrimônio, a época de conhecer e amar uma pessoa e preparar-se para o casamento” (p. 24)

Você deve estar se perguntando: “Afinal, o que são essas cinco fases do namoro?”. Vamos chegar lá. O autor, antes de nos expor essas cinco fases, comenta um pouco sobre as virtudes para um bom relacionamento, o famoso “ficar” que é tão comum nos dias de hoje, a castidade no namoro (e os quatro adjetivos essenciais à relação sexual dentro do matrimônio: deve ser livre, total, fiel e fecundo. Falaremos mais disso adiante) e as diferentes formas de Amor. Queremos destacar aqui que o namoro e os relacionamentos em geral, dizem da nossa afetividade, ou seja, aquilo que afeta, sejam gestos, palavras e ações. E no namoro, caracteriza-se por entrarmos no território santo do outro, sua intimidade.

Particularmente (Daniela), gostaria de compartilhar o livro todo com vocês. Mas ressalto hoje, alguns pontos muito interessantes. Há o que Sandro chama de três virtudes para um bom relacionamento. E são elas:

♥ Paciência: Diante dos conflitos de ideias, é essencial termos paciência. Tudo na nossa vida é aprendizado, e estamos constantemente amadurecendo. Temos de ter uma relação fraterna, e ainda que tenhamos afinidades, sempre há diferenças (afinal cada pessoa tem uma bagagem, um histórico inteiro dentro de si. Ou como costumo dizer, um universo todo!).

♥ Altruísmo: Esta palavrinha quer dizer doar-se ao outro, ser espontâneo na hora de ajudar ao próximo. Esta virtude deve ser utilizada juntamente com a paciência.

♥ Capacidade de diálogo: Não basta o diálogo rs. Temos que ter a capacidade de interagir, compreender e fazermos entender. A comunicação é uma das principais formas de mantermos um relacionamento, seja ele amoroso, de amizade ou fraterno.

Guiados por esses aspectos elencados pela Dani, (paciência, altruísmo e capacidade de diálogo) é possível acrescentar que eles se tornam essenciais em qualquer relacionamento seja de namoro, de amizade, pais e filhos. Norteiam o convívio humano. É importante, ainda, observar o tempo de cada pessoa, procurando compreender o seu tempo de evolução. Nem todos nós conseguimos das os passos juntos.

“Castidade não é só exercício de autocontrole, porque seus efeitos também permitem que a pessoa que a vive aprimore sua capacidade de comunicação e de perceber o outro e trazem uma maior noção de complementaridade a um casal” (p. 40)

Sandro aborda também um tema que para os tempos atuais, passou a ser “tabu”: a castidade. Infelizmente, é comum vermos que os jovens iniciam sua vida sexual muito cedo. Isso pode trazer consequências negativas para seu o corpo, seu espírito e psicológico. Por mais que seja um tema delicado, o autor conseguiu desenvolver muito bem e deixar clara a posição da Igreja Católica. Manter-se casto até o matrimônio, além de ser um ato de respeito e doação ao próximo (e consigo), é também uma maneira de alcançar a paz e harmonia de maneira bela e pura.

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É nos explicado que a língua grega classifica o amor através de três palavras: Eros, Philos e Ágape. Eros é o amor romântico (paixão, libido, que expressa desejo e contemplação da beleza exterior); Philos é o amor desapaixonado (como o que sentimos por familiares e amigos); e Ágape é o tipo de amor mais puro e altruísta (que é identificado pela doação total da vida pelo outro).

Não obstante, gostaria de retomar de forma pessoal (David), a realidade dos filtros do amor, tratados pelo autor como adjetivos para que o namoro almeje o matrimônio. O primeiro, “livre“, ou seja, não se prende unicamente por sentimento e instinto, mas por vontade e decisão; o segundo, “total“, compartilha-se tudo, desde o sensível até o espiritual, configura-se como uma profunda amizade. O terceiro, “fiel“, estabelece-se uma aliança de amor conjugal. Por último, “fecundo“, não se esgota a comunhão somente no “mundinho” dos cônjuges. Não se fecha somente nos dois, mas estão abertos às amizades, aos familiares e aos filhos futuros.

Destaco o processo de aproximação apresentado pelo autor em três pontos: o primeiro é a atração que pode ser por uma parte do corpo, cor dos olhos, como faz alguma atividade (David: No meu caso foi pela escrita da Dani, no seu blog, depois pelo gosto pela leitura, séries e assim vai evoluindo. Dani: Quando percebi que o David gostava de poesias, leituras, tinha um bom papo… Hum… haha). O segundo ponto é a paixão, que é mais potente que a atração, temos rubor, calafrios (kkkkk), pensamos constantemente na pessoa amada (e aqui não precisa descrever). O último ponto é o encantamento gradual, as vezes àquele amigo, àquela amiga de tempos, que gera a possibilidade: “bem que eu poderia namorar com ele(a)”. Lembrando que pode acontecer ao mesmo tempo e estarem interligados. É salutar também caminharmos no autoconhecimento.

Acho que ficaram curiosos para saber quais são essas cinco fases, certo? Então iremos pedir: podem aguardar até terça feira? =)  Então nos vemos, dia 21/02, às 20 horas. Não se esqueçam: aqui no BL e lá no Submerso nas Palavras.

Título: As cinco fases do namoro

Autor: Sandro Arquejada

Editora: Canção Nova

Páginas: 183 p.