Noite em claro – Martha Medeiros

Olá pra vocês, tudo bem?

Esta semana fiz uma releitura. Às vezes gosto disso. Fui procurar aqui nos arquivos do blog, e li pela primeira vez este livro em janeiro de 2013. Já se passaram mais de quatro anos… E eu só me lembrava que havia gostado. Mas não me lembrava quão forte era a história.

Noite em claro (L&PM Pocket, 2012, 64 p.) da autora Martha Medeiros é um dos 20 livrinhos da Coleção 64 Páginas, dessa editora tão amada. Essa coleção por sinal, é ótima! Tem vários clássicos no meio, como “O retrato”, de Nicolai Gogol, e “Missa do galo e outros contos”, de Machado de Assis.

Numa noite chuvosa, e de insônia, uma mulher escreve uma breve história. E promete parar somente quando a chuva terminar de cair. Sua noite é regada a champanhe e lembranças um tanto obscuras, de relacionamentos passados. Encontramos nesses relacionamentos um tanto de dor, frustração, prazer, e algo tão humano que chega a ser animalesco.

“Nem um pio” (p. 31)

Minha opinião: Mesmo sendo uma releitura, escrevo aqui como se eu não tivesse lido anteriormente. Na realidade, mal me lembrava da história. Martha tem um estilo totalmente diferente de seus outros livros (que já li rs). Ela não é nada leve, muito pelo contrário! Ela é extremamente direta, e um dos temas abordados é pesado: o estupro. Além de ser direta, usa palavras que posso considerar “chulas”, grosseiras. O começo do livro é um pouco repetitivo, mas propositalmente: sua narradora bebe e fica relembrando de momentos vividos há 21 anos, com seu primeiro namorado. E “coincidentemente”, é dia 12 de junho, dia dos namorados. O número 21 ao contrário. A narradora repete, repete esse fato até nos cansarmos. E depois a história começa a ser levada por um caminho mais sombrio. Ele me marcou novamente, e provavelmente não será a última vez a ser lido.

Título: Noite em claro

Autor: Martha Medeiros

Editora: L&PM Pocket

Páginas: 64 p.

[Resenha] Capitães da Areia | Jorge Amado

Oi pessoal, tudo bem?

Mais um livro lido para o #ProjetoMindlin (acesse para saber mais, clicando aqui). A Nina reuniu um grupo grande, para lermos juntos e discutirmos, via WathsApp; e mais uma vez foi uma experiência maravilhosa. Eu nunca havia conseguido dar continuidade nesse clássico brasileiro. Antes de Capitães da Areia, li somente A morte e a morte de Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado (que por sinal gostei muito, e tem resenha aqui).

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Capitães da Areia (Companhia das Letras, 2008, 283 p.) do grande autor baiano Jorge Amado, vai contar a história de um grupo de meninos de rua que mora no cais, e que levam o título do livro. Mas Jorge Amado não nos entrega esses meninos de mão beijada. Vai nos apresentando aos poucos, e deixando que cada identidade seja formada segundo nossos julgamentos.

O início do livro, por sinal, são as “Cartas à redação”, onde o padre José Pedro, o Secretário do chefe de polícia, o Juiz de menores, a Maria Ricardina (costureira),  o diretor do Reformatório, escrevem para o Jornal da Tarde. Seguindo daí, começamos com nossos pré-julgamentos. Aos poucos, de capítulo em capítulo, vamos sendo apresentados aos outros personagens: os meninos do cais, o padre, o bispo, algumas mocinhas, algumas madames. Cada qual com sua personalidade, qualidades e defeitos.

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Podemos ainda arriscar dizer que o que Jorge Amado faz em seu livro é algo como os alemães chamam de “Bildungsroman“; ou como conhecemos aqui no Brasil, “Romance de formação”, que é aquele tipo de livro que nos é exposto o processo de desenvolvimento dos personagens (seja ele físico, moral, social, político). Para citar um exemplo mais “prático”, temos a obra David Copperfield, onde Charles Dickens nos apresenta seu personagem principal que dá nome ao livro, desde seu nascimento, até sua velhice; passando por todos os estágios de sua vida. De uma maneira muito menor (afinal são muitos personagens), encontramos isso também na obra Capitães da Areia. Vemos o desenvolvimento dos personagens Pedro Bala, o líder do grupo, do Pirulito, que tinha uma afinidade muito bonita com a religião, do Sem-Pernas, um dos personagens mais crueis, e também do Gato, do Volta Seca, do Professor, de Dora, e tantos outros.

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Minhas impressões em relação ao livro foram as melhores. Em nenhum momento eu fiquei entediada, ou desanimada com a leitura. O modo lírico, tão poético que Jorge Amado descreveu as situações, as personagens, a Bahia, os pensamentos e ações de seus personagens, foram muito profundas. Em vários momentos me peguei avaliando meus julgamentos. Sabe aquela sensação de você engolir uma palavra ruim que estava prestes a falar para alguém? E percebe que este alguém é quem está com a razão? Senti isso frequentemente. E foi me dando um nó na garganta, uma vontade de chorar, ao perceber o quanto ainda devo melhorar como ser humana.

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Este trecho acima é um dos mais lindos do livro. Eu já havia assistido ao filme (que será assunto para outra postagem), e foi a cena que me fez chorar: a cena das crianças no Carrossel. Se você já leu, ou assistiu ao filme, deve lembrar-se quão bela é. Mostra que mesmo em meio ao caos do dia-a-dia dos Capitães (com crimes, com a fome, com a prostituição), eles ainda são crianças, eles ainda possuem sonhos e querem brincar.

Enquanto eu lia o trecho, eu me lembrava muito desse vídeo abaixo (e ainda bem que deixei salvo em meu Facebook). Esse trechinho de vídeo sempre me faz ter vontade de voltar a ser criança (inclusive, quem souber onde se passa esse vídeo, quem é o moço, ou um vídeo maior, deixe pra mim nos comentários, por favor!).

Leia o quanto antes esta obra. Eu tenho certeza que ela irá mudar seu modo de ver a vida.

Título: Capitães da Areia

Autor: Jorge Amado

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 283 p.

5 livros para as mamães

Oi gente, tudo bem?

Separei para vocês uma lista com cinco livros, com gêneros diferentes, para você presentear sua mãe, ou sua esposa, ou sua tia, ou sua avó… ou qualquer outra mãe que você conheça ❤

Todos os livros já foram resenhados aqui no blog, e possuem link clicável, no título do livro 😉

A hora da estrela, de Clarice Lispector

Um clássico da literatura brasileira, A hora da estrela conta a história de Macabéa, uma alagoana que foi se aventurar no Rio de Janeiro, buscando oportunidades para ter uma vida melhor. Ela é definitivamente uma das minha personagens favoritas da literatura brasileira.

Homens e sucatas, de Betzaida Mata

Contém dez contos, que Betzaida nos narra de forma tão gostosa, cativante, que parece que estamos conversando com ela ou com seus personagens.

O menino da lista de Schindler, de Leon Leyson com Marilyn J. Harran e Elisabeth B. Leyson

História real de Leon Leyson, sobrevivente da Segunda Guerra Mundial. Um relato muito emocionante, envolvente e esperançoso.

O mundo de Sofia, de Jostein Gaarder

Neste livro que posso chamar de “clássico” para nós, leigos em filosofia (rs), Jostein conta a história de Sofia, uma menina que recebia cartas de um desconhecido, com perguntas misteriosas (ou poderia ser o contrário: um homem misterioso, com perguntas “desconhecidas” haha. Filosofia já começa por aqui!).

O planeta dos macacos, de Pierre Boulle

Em uma das mais famosas histórias da ficção científica, conhecemos Ulysse Mérou, um ser humano que escreve do ano 2.500. Ele e mais dois amigos astronautas pousam num planeta parecido com a Terra, e acabam se deparando com uma mulher. Mas ali, diante das esquisitices da mulher, eles descobrem algo bem perturbador.

Espero que gostem das indicações. Aproveitem bem o domingo, com suas mamães, deem abraços apertados, beijocas o dia todo. E façam o almoço, hein! (ou a leve para almoçar. Só não deixe que ela fique cozinhando ou vá lavar a louça haha).

Tempo do tempo | Marianne Galvão

Oi pessoal, tudo bem?

Marianne Galvão é uma moça linda, de 26 anos, de uma cidadezinha chamada Acari, lá no Rio Grande do Norte. Colunista na página “O amor é brega“, possui também sua própria fanpageTempo do tempo“, no Facebook.

 

Mas hoje viemos falar de seu livro físico, que leva o mesmo nome, Tempo do tempo: As estações do coração (Penalux, 2016, 108 p.). Marianne, de uma maneira bem doce e romântica nos apresenta poesias recheadas de esperança para um coração partido, mas acima disso, esperança de sempre recomeçar. O tempo está intimamente ligado às dores do coração, e talvez por isso o título do livro. Cada estação de nossa vida, cada reerguer, precisa do nosso aliado Tempo (que por sinal, enquanto escrevo, é impossível não me lembrar dessa música).

 

Numa entrevista que Marianne concedeu ao blog “Resenhas Teen“, a autora fala um pouco sobre sua experiência nas redes sociais, sobre a aceitação do público e sobre algo que me chamou bastante a atenção: a valorização de seu trabalho. Em tempos digitais, onde tudo é compartilhado, mas nada realmente é vivenciado, vejo que ainda há um desrespeito por parte do público (não generalizando, obviamente), em não apreciar a obra do autor como um todo, mas apenas parte dela. Por isso, meus amigos, vamos valorizar nossos autores, vamos valorizar nossos poetas 😉

Título: Tempo do tempo

Autor: Marianne Galvão

Editora: Penalux

Páginas: 110 pág.

Adquira seu exemplar clicando aqui.

Para ler um trecho, clique aqui.

[Livro concedido através de parceria com a Editora Penalux]

Saramboke | Elizeu Moreira Paranaguá

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim comentar um pouco com vocês sobre o livro Saramboke (Penalux, 2016, 160 p.) do autor baiano Elizeu Moreira Paranaguá. Diferente de Manuel Bandeira, que quer ir para Pasárgada (e de Bruno Félix, que acha que nem tudo são flores no paraíso de Bandeira), Elizeu cria um lugar de onde veio, um lugar de origem do poeta (onde particularmente acabei desejando ir).

Por todos os caminhos que o autor nos leva, vai-nos puxando pelas mãos, às vezes por um caminho todo florido, outras vezes por caminhos arborizados, e todas as vezes sem pressa alguma. Há poemas mais curtinhos, diretos, que quando terminamos de ler não conseguimos ir diretamente para a próxima. Tem de haver uma reflexão demorada e saboreada.

Já diz José Inácio Vieira de Melo, na contracapa: “Dom Elizeu Paranaguá, o Conde dos Lajedos, dentro da sua orfandade, adota todos nós e nos convoca ao seu feudo mágico – as páginas metafísicas do Saramboke – para que dancemos à margem de todas as coisas, como deuses“. E é exatamente isso que Elizeu faz: transforma nosso mundo estático em poesia dançante; poesia essa que transforma o mundo à nossa volta, mas principalmente nosso interior.

Título: Saramboke

Autor: Elizeu Moreira Paranaguá

Editora: Penalux

Páginas: 160 p.

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Para ler um trecho, clique aqui.

[Livro concedido através de parceria com a Editora Penalux]