Indicação 3 Documentários [Netflix]

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim indicar três documentários bem interessantes, disponíveis na Netflix.

Como o cérebro cria (The Creative Brain), 2018

Nesse documentário, o neurocientista David Eagleman nos mostra diversas formas de aguçar nossa criatividade. Temos acesso a diversos depoimentos de como o processo criativo ajudou o desempenho profissional ou a vida das pessoas (como o exemplo dos presidiários, que utilizam a técnica da escrita criativa, para que possam compartilhar de suas ideias de histórias). Um documentário muito bonito, muito especial!

Absorvendo o tabu (Period end of sentence), 2018

Numa aldeia aos arredores de Delhi, na Índia, as mulheres lutam contra o tabu da menstruação. Por muitos anos, elas não utilizaram, não tiveram acesso ao absorvente, coisa que provocou problemas de saúde e a mulheres abandonadas por completo. Até que foi instalada uma máquina de produzir absorvente, e as próprias jovens locais começaram a trabalhar em sua produção! Um documentário interessantíssimo, que podemos ver algo que para nós é tão comum, tão corriqueiro, ser um objeto revolucionário para aquela cultura.

Famous in Ahmedabad, 2015

Um festival muito comum na em Ahmedabad, na Índia, é o das pipas! E esse documentário de apenas trinta minutos, mostra um pouquinho do entusiasmo das crianças, adolescentes, e  -porque não – adultos, nessa competição tão diferente! É um doc bem levinho, até com certo humor, e as imagens são lindas! (Ah, fiquei um pouco angustiada quando as crianças saem na frente dos carros para pegarem as pipas haha)

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Resenha [Filme] – A voz do coração

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim indicar o filme A voz do coração (2004)- que está disponível na Netflix 😉

O filme se inicia com Pierre Morhange (interpretado por Jacques Perrin), que é um maestro muito famoso, voltando para sua cidade natal, ao saber do falecimento de sua mãe. Lá encontra um diário que seu professor de música, Clémente Mathieu (Gérard Jugnot) mantinha, e acaba relembrando de seus tempos no colégio interno que frequentou na década de 40.

Minha opinião: Sendo bem sincera, quando iniciou o filme, imaginei que não fosse gostar tanto. “Mais um filme de música”, pensei rs. Mas o filme é de uma sensibilidade e um humor leve que há muito tempo eu não encontrava. Quando o professor Mathieu entra nesse colégio interno, o que vemos é um verdadeiro inferno: crianças gritando, se agredindo, palavrões; fora seu diretor que é um verdadeiro carrasco. Mas com seu jeitinho “tímido”, sendo bem cínico às vezes, vai conquistando o coração e atenção das crianças. O auge do filme é quando as crianças soltam suas vozes. Assista no original francês, que você não irá se arrepender!

Assista ao Trailer:

Título: A voz do coração

Diretor: Christophe Barratier

Gênero: Drama / música

Duração: 97 min.

Resenha [Livro] – Santa Teresinha

Oi pessoal, tudo bem?

Enfim, volto à minha rotina de leitura. Não estou lendo tanto quanto antes, mas estou voltando aos pouquinhos. A resenha de hoje é sobre o livro que faz parte do Desafio Literário 2019 – Bibliotecária Leitora e Submerso nas Palavras. Se você não sabe do que estou falando, clique aqui 😉

Santa Teresinha, nascida como Marie-Françoise-Thérèse Martin, teve como cidade natal Alençon, que fica na Normandia (norte da França). Nasceu no ano de 1873, sendo a caçula de nove irmãos. Sua família era muito humilde e piedosa, e seus pais, em sua juventude, sonhavam em seguir uma vida religiosa. Mas a vontade de Deus foi outra: fazer de seus filhos religiosos, e fazer de toda sua família, santa. Sua mãe falecera muito cedo, e seu pai foi um dos maiores incentivadores da filha mais nova.

“Minha união com Jesus não ocorreu em meio a relâmpagos e trovões, isto é, não se deu por meio de graças indescritíveis; pelo contrário, ela aconteceu em meio a uma brisa suave” (p. 44)

Teresinha entrou para o convento com quinze anos, depois de muita luta (e insistência! rs, mas claro, isso já estava no coração de Deus), e aos poucos foi também conquistando o coração das demais Irmãs do Carmelo. Seu pai ficou adoentado, mas ainda pôde ver as grandes alegrias e graças que Deus realizou na vida das filhas.

“Quem troca a família e a vida leiga pelo convento e pela vida religiosa se sacrifica, se imola, mas esse abandono não implica a negação da vida. Pelo contrário, manifesta-se aí a busca da vida eterna, da comunhão com o Senhor, da entrega a Deus para que Ele disponha do ser ‘imolado’ da forma que melhor atenda a Seus desígnios” (p. 46)

Este livro faz parte da Coleção Santos da Nossa Vida, da editora Petra. A coleção tem cinco livros: Santa Teresinha, Nossa Senhora Desatadora dos Nós, São José, Santa Rita de Cássia e Santo Antônio. Todos eles vêm com imagens muito bonitas, ilustrações e fotos coloridas e em preto e branco. É de conteúdo simples (leitura bem fácil), mais para apresentar algumas devoções de forma rápida. Para aprofundar em determinado santo ou devoção, posso indicar outros, em outras postagens.

Porém, como não conhecia quase nada da vida de Santa Teresinha, gostei de ter começado por este, que dá uma visão geral de como foi a vida da pequena flor.

No final do livro podemos encontrar algumas orações, como o Hino a Santa Teresinha, sua Novena e a famosa Oração das Rosas (que por sinal é linda!)

Se você não sabe, eu e o David temos um terceiro blog (ô povo pra gostar de blog! Mas meu Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade foi sobre isso… E meu amor já vem muito antes disso rs), chamado Evangelizando a 2. Então, se você se interessa por assuntos ligados à religião católica, em especial indicações de livros e filmes, visite-nos!

Título: Santa Teresinha

Autor: –

Editora: Petra / Coleção Santos da Nossa Vida

Páginas: 79 p.

Resenha (Livro) – Risco escuro na claridade | Maiky da Silva

Oi pessoal, tudo bem?

“Decidi ser louco num sábado qualquer, num dia ordinário, numa data comum”.

É assim que o autor começa seu livro (ele tem um dom pra começar de forma impactante, que vou te contar. Digo isso por causa de um outro livro, que, bem… Não iremos falar dele hoje. Foco!). O livro Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas, também disponível na Amazon (2018, 61 p.) é do mesmo autor que já falei na semana passada (veja a resenha aqui), o Maiky da Silva. Essa ficção irá ter seus capítulos nomeados “Carta”, e não diário, pois como o personagem mesmo diz, os diários são muito cheios de “eu”. E ele irá contar a história das pessoas ao seu redor, e um pouco do que ele via de um “eu” que não era mais “eu”. Parece sem sentido, mas ao ler o livro, você entenderá 😉

Quando se começa um livro daquela forma, já começamos a nos perguntar “gente, mas por que decidir ser louco?”. Logo no primeiro capítulo, o jovem narrador de sua própria história, conta-nos a sua dramatização da loucura, numa família aparentemente “normal” (entre MUITAS aspas). Temos então um balde de água fria, e começamos a nos perguntar o porquê de tudo aquilo… Para sermos acalentados – ou não – com as respostas na segunda carta, ou segundo capítulo: as explicações chegam de forma nada agradável. Somos jogados como bolinhas de ping-pong a todo o momento. Acompanhamos seus pensamentos de “culpa”, de um apego desnecessário, mas real, àqueles que não lhe fizeram tão bem assim, como o acompanhamos em seus pensamentos de razão e coragem ao encarar de frente sua realidade nada tranquila. E tudo isso numa escrita crua, sem um pedido de piedade, sem um sentimentalismo que poderia muito bem ter sido feito (mas que graças a Deus, não foi!).

“Sonhar, quando não há vida, é uma maneira de sobreviver”.

Sobre a história eu só posso dizer que ficamos sabendo de sua infância, do que houve com seus pais e sua avó, de como ele foi parar naquela casa onde inventou sua loucura. Quem nos conta a história é um “eu” mais adulto, longe fisicamente daqueles dias. Mas o quão longe esses episódios ficaram de sua alma? Houve uma construção de um ser humano naquela casa, naquela situação? Ou houve uma desconstrução de tudo o que poderia ter sido?

Vocês sabem que eu gosto muito de relacionar uma leitura à outra, ou a um filme, uma música… Então eu farei isso… Estou cheia de indicações, de pensamentos, cheia de querer falar! Não sei se isso é o ideal. Em algumas situações é melhor falarmos pouco. Mas é impossível, ao ver o tipo de escrita, tão crua e tão real, e que vai direto ao ponto, eu não me lembrar do seu oposto, o Lemony Snicket. Maiky não tem medo de ser mal entendido: seu personagem fala, e está lá, entenda quem e como quiser. Já Lemony, não por se tratar de uma série infanto-juvenil, mas pelo sarcasmo ser o seu estilo literário, nos provoca exatamente quando tenta ser engraçado ou autoexplicativo. Num mundo em que ao falar um “A” você já é julgado pela forma com que falou, colocar altas doses de ironia e deboche é além de provocação, uma crítica escancarada ao politicamente correto. É legal quando pegamos textos mais cruéis para lermos! Eles vão contra a maré, eles nos instigam a ler a verdade, doa a quem doer. Lembrei muito também da escrita de Eliane Brum, de Lygia Fagundes Telles, de Lya Luft. Todas essas incríveis mulheres escrevem de forma provocativa. Eu amo isso!

“Desejava a loucura, a morte. Mas era a vida que queria. Era a vida.”

E vocês também sabem que quando é para falar de um livro que gosto muito, eu acabo me perdendo hahaha Mas hoje me prometi que iria fazer algo mais decente, e como o livro não é tão longo, acho que irei conseguir. Porque se fosse contar mais do que já falei, ia entregar a história toda. Apesar que o grande Q da história é você saborear as palavras, se colocar no lugar do protagonista. Eu vou ser sincera… Tentei me colocar no lugar dele, numa casa “normal”, na situação em que ele se encontrava. Eu não teria coragem! Não teria coragem de fazer o que ele fez, fingir uma loucura. Talvez algum dia eu enlouquecesse de verdade, ao não fingir endoidar. Talvez o que ele tenha feito (gritado, esperneado, rido naquela altura) tenha sido o correto.

“O inferno não são os outros. Os outros são só indiferença”

Ainda vemos o sentimento de culpa que fica no personagem, mesmo depois de anos. Ao contar a história a nós, vez ou outra, o protagonista nos fala de tudo o que recebeu da família, de tudo o que fizeram por ele, mesmo não sendo obrigação. E logo em seguida já joga em nossa cara o que fizeram de ruim. Então, como leitora, fiquei numa corda bamba, ao não conseguir tocar em nenhum dos lados (bom ou mau) de sua família. Vinha um toque de “Síndrome de Estocolmo” rs, e ao mesmo tempo vinha em minha mente: “Como seres humanos eles eram obrigados SIM a cuidar de forma decente do menino! Não devo sentir pena ou ser compactuada com as ações deles. Devo ficar do lado dele!”.

“Ao princípio do trabalho, o modelo inglês acrescenta, como condição essencial para a correção, o isolamento. O esquema fora dado em 1775, por Hanway, que o justificava em primeiro lugar por razões negativas: a promiscuidade na prisão dá maus exemplos e possibilidades de evasão no imediato, de chantagem ou de cumplicidade para o futuro” (…) Em primeiro lugar, o rtorno temporal da punição. Os ‘reformatórios’ se dão por função, também eles, não apagar um crime, mas evitar que recomece. São dispositivos voltados para o futuro e organizados para bloquear a repetição do delito.”
(p. 141/5) no livro Vigiar o punir, de Michel Foucault.

Por último… há o que chamam de sensação de falta de pertencimento, seja no universo, na sociedade, na família. É quando você não se sente incluído em nenhum grupo, como que se deslocado, não se sente seguro em nenhum lugar. Mas você já se imaginou não pertencer a si mesmo? Já imaginou não se sentir pertencente ou dono de algo tão íntimo, tão seu, que são seus pensamentos, atos, palavras, sanidade, alma? Essa foi a sensação final ao ler o livro. Você fingir uma loucura, perceber que em alguns momentos de seu dia faz algo “sem querer”, e vê seu equilíbrio mental indo embora. Qual seria a sensação? E a quais atitudes esses pensamentos me levariam?

Título: Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas

Autor: Maiky da Silva

Editora: Amazon, 2018.

Páginas: 61 p.

Disponível aqui!

Resenha [Livro] – Coro infante ao pássaro – Maiky da Silva

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim apresentar um dos meus favoritos do ano até agora! E não poderia ser outro, se não um de poesias! Como eu sentia falta de ler boa poesia… Para quem não me acompanha sempre, talvez não saiba, mas uma das minhas leituras favoritas do ano de 2016 foi o box do querido poeta Passarinho, ou Manoel de Barros. Mas não é sobre ele que irei falar, mas sim de alguém que me lembrou muito (e comentei isso com o autor).

Coro infante ao pássaro (e-book disponível na Amazon, 2018, 82 p.) é do autor Maiky da Silva, que já tem outros dois livros publicados também na Amazon. Ele é um poeta das miudezas, aquele que nos apresenta o cotidiano com uma calmaria, uma simplicidade… Um livro que não consegui parar de ler, mas ao mesmo tempo não queria que terminasse nunca.

São escritos repletos de sutileza, suavidade, que nos remetem logo à infância, ou à melhor época de nossas vidas. Aquele tempo em que não queríamos que o tempo passasse. Que as coisas estavam boas demais, para que o amanhã viesse. Aqueles dias em que, se pudéssemos, o relógio congelaria, e tudo ficaria daquela maneira, por tempo indeterminado. Esse é o sentimento que fica ao ler suas poesias.

A forma como ele escreve também me lembrou muito Mario Quintana e Adélia Prado, por falarem do cotidiano, do “comum”. Vocês já perceberam que o mais comum é o mais extraordinário? Que é nas entrelinhas de nosso dia-a-dia que encontramos com a poesia?

Domingo

Diga-me qualquer névoa,
discurse sobre qualquer quimera.
Permito até que pise em meu pé,
o pé que a unha comeu.
Ah, diga alguma coisa,
sorria de algo e depois me conte.
Parece a semana só ter domingos,
desses domingos ausentes,
sempre tão martes e sem fim.
Ah, alguém me belisque,
ou então me ofereça o braço.
Estou cansado desses mormaços.
É domingo,
e eu procuro alguma reação.

(Uma música para vocês ouvirem, que me fez lembrar muito o livro do Maiky)

Na poesia Silêncio, que foi uma que me arrancou lágrimas, ele nos diz assim: “Mas não é um encontro a descoberta da perda?“. E isso me lembra tanto Clarice (Lispector) e suas descobertas interiores! Quando encontramos a nós mesmos é porque deixamos algo para trás! E isso é tão verdadeiro e profundo. Ainda na mesma poesia: “Porque memória nenhuma me soa plena: / vai desbotando, se adaptando“. E não é? E não adaptamos as coisas conforme nossa comodidade, ou metamorfose, ou conforme o perdão que damos ou deixamos de dar?

Enfim… Sabe aquele tipo de poesia que cada vez que você lê, você descobre algo novo? Cada verso é adaptado conforme nosso estado de espírito? Mais ou menos o que acontece comigo quando ouço essa outra música.

Maiky também tem um olhar muito sensível para a fotografia. Você pode segui-lo pelo Instagram.

Ah! Última indicação que faço, prometo: O estilo de poesias é mais ou menos igual ao de Manoel, como já falei. Então ouçam o Odilon Esteves recitando uma poesia do “Passarinho”. Gente, lembra muito!

Queridos leitores, leiam esse livro. É uma indicação que faço de todo o coração, e com força. Ele está disponível para o Kindle Unlimited, ou se não for assinante, pode adquiri-lo por 1,99 😉

Título: Coro infante ao pássaro

Autor: Maiky da Silva

Editora: Amazon, 2018.

Páginas: 82 p.

Disponível aqui!