Resenha (Livro) – Risco escuro na claridade | Maiky da Silva

Oi pessoal, tudo bem?

“Decidi ser louco num sábado qualquer, num dia ordinário, numa data comum”.

É assim que o autor começa seu livro (ele tem um dom pra começar de forma impactante, que vou te contar. Digo isso por causa de um outro livro, que, bem… Não iremos falar dele hoje. Foco!). O livro Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas, também disponível na Amazon (2018, 61 p.) é do mesmo autor que já falei na semana passada (veja a resenha aqui), o Maiky da Silva. Essa ficção irá ter seus capítulos nomeados “Carta”, e não diário, pois como o personagem mesmo diz, os diários são muito cheios de “eu”. E ele irá contar a história das pessoas ao seu redor, e um pouco do que ele via de um “eu” que não era mais “eu”. Parece sem sentido, mas ao ler o livro, você entenderá 😉

Quando se começa um livro daquela forma, já começamos a nos perguntar “gente, mas por que decidir ser louco?”. Logo no primeiro capítulo, o jovem narrador de sua própria história, conta-nos a sua dramatização da loucura, numa família aparentemente “normal” (entre MUITAS aspas). Temos então um balde de água fria, e começamos a nos perguntar o porquê de tudo aquilo… Para sermos acalentados – ou não – com as respostas na segunda carta, ou segundo capítulo: as explicações chegam de forma nada agradável. Somos jogados como bolinhas de ping-pong a todo o momento. Acompanhamos seus pensamentos de “culpa”, de um apego desnecessário, mas real, àqueles que não lhe fizeram tão bem assim, como o acompanhamos em seus pensamentos de razão e coragem ao encarar de frente sua realidade nada tranquila. E tudo isso numa escrita crua, sem um pedido de piedade, sem um sentimentalismo que poderia muito bem ter sido feito (mas que graças a Deus, não foi!).

“Sonhar, quando não há vida, é uma maneira de sobreviver”.

Sobre a história eu só posso dizer que ficamos sabendo de sua infância, do que houve com seus pais e sua avó, de como ele foi parar naquela casa onde inventou sua loucura. Quem nos conta a história é um “eu” mais adulto, longe fisicamente daqueles dias. Mas o quão longe esses episódios ficaram de sua alma? Houve uma construção de um ser humano naquela casa, naquela situação? Ou houve uma desconstrução de tudo o que poderia ter sido?

Vocês sabem que eu gosto muito de relacionar uma leitura à outra, ou a um filme, uma música… Então eu farei isso… Estou cheia de indicações, de pensamentos, cheia de querer falar! Não sei se isso é o ideal. Em algumas situações é melhor falarmos pouco. Mas é impossível, ao ver o tipo de escrita, tão crua e tão real, e que vai direto ao ponto, eu não me lembrar do seu oposto, o Lemony Snicket. Maiky não tem medo de ser mal entendido: seu personagem fala, e está lá, entenda quem e como quiser. Já Lemony, não por se tratar de uma série infanto-juvenil, mas pelo sarcasmo ser o seu estilo literário, nos provoca exatamente quando tenta ser engraçado ou autoexplicativo. Num mundo em que ao falar um “A” você já é julgado pela forma com que falou, colocar altas doses de ironia e deboche é além de provocação, uma crítica escancarada ao politicamente correto. É legal quando pegamos textos mais cruéis para lermos! Eles vão contra a maré, eles nos instigam a ler a verdade, doa a quem doer. Lembrei muito também da escrita de Eliane Brum, de Lygia Fagundes Telles, de Lya Luft. Todas essas incríveis mulheres escrevem de forma provocativa. Eu amo isso!

“Desejava a loucura, a morte. Mas era a vida que queria. Era a vida.”

E vocês também sabem que quando é para falar de um livro que gosto muito, eu acabo me perdendo hahaha Mas hoje me prometi que iria fazer algo mais decente, e como o livro não é tão longo, acho que irei conseguir. Porque se fosse contar mais do que já falei, ia entregar a história toda. Apesar que o grande Q da história é você saborear as palavras, se colocar no lugar do protagonista. Eu vou ser sincera… Tentei me colocar no lugar dele, numa casa “normal”, na situação em que ele se encontrava. Eu não teria coragem! Não teria coragem de fazer o que ele fez, fingir uma loucura. Talvez algum dia eu enlouquecesse de verdade, ao não fingir endoidar. Talvez o que ele tenha feito (gritado, esperneado, rido naquela altura) tenha sido o correto.

“O inferno não são os outros. Os outros são só indiferença”

Ainda vemos o sentimento de culpa que fica no personagem, mesmo depois de anos. Ao contar a história a nós, vez ou outra, o protagonista nos fala de tudo o que recebeu da família, de tudo o que fizeram por ele, mesmo não sendo obrigação. E logo em seguida já joga em nossa cara o que fizeram de ruim. Então, como leitora, fiquei numa corda bamba, ao não conseguir tocar em nenhum dos lados (bom ou mau) de sua família. Vinha um toque de “Síndrome de Estocolmo” rs, e ao mesmo tempo vinha em minha mente: “Como seres humanos eles eram obrigados SIM a cuidar de forma decente do menino! Não devo sentir pena ou ser compactuada com as ações deles. Devo ficar do lado dele!”.

“Ao princípio do trabalho, o modelo inglês acrescenta, como condição essencial para a correção, o isolamento. O esquema fora dado em 1775, por Hanway, que o justificava em primeiro lugar por razões negativas: a promiscuidade na prisão dá maus exemplos e possibilidades de evasão no imediato, de chantagem ou de cumplicidade para o futuro” (…) Em primeiro lugar, o rtorno temporal da punição. Os ‘reformatórios’ se dão por função, também eles, não apagar um crime, mas evitar que recomece. São dispositivos voltados para o futuro e organizados para bloquear a repetição do delito.”
(p. 141/5) no livro Vigiar o punir, de Michel Foucault.

Por último… há o que chamam de sensação de falta de pertencimento, seja no universo, na sociedade, na família. É quando você não se sente incluído em nenhum grupo, como que se deslocado, não se sente seguro em nenhum lugar. Mas você já se imaginou não pertencer a si mesmo? Já imaginou não se sentir pertencente ou dono de algo tão íntimo, tão seu, que são seus pensamentos, atos, palavras, sanidade, alma? Essa foi a sensação final ao ler o livro. Você fingir uma loucura, perceber que em alguns momentos de seu dia faz algo “sem querer”, e vê seu equilíbrio mental indo embora. Qual seria a sensação? E a quais atitudes esses pensamentos me levariam?

Título: Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas

Autor: Maiky da Silva

Editora: Amazon, 2018.

Páginas: 61 p.

Disponível aqui!

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Resenha [Livro] – Coro infante ao pássaro – Maiky da Silva

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim apresentar um dos meus favoritos do ano até agora! E não poderia ser outro, se não um de poesias! Como eu sentia falta de ler boa poesia… Para quem não me acompanha sempre, talvez não saiba, mas uma das minhas leituras favoritas do ano de 2016 foi o box do querido poeta Passarinho, ou Manoel de Barros. Mas não é sobre ele que irei falar, mas sim de alguém que me lembrou muito (e comentei isso com o autor).

Coro infante ao pássaro (e-book disponível na Amazon, 2018, 82 p.) é do autor Maiky da Silva, que já tem outros dois livros publicados também na Amazon. Ele é um poeta das miudezas, aquele que nos apresenta o cotidiano com uma calmaria, uma simplicidade… Um livro que não consegui parar de ler, mas ao mesmo tempo não queria que terminasse nunca.

São escritos repletos de sutileza, suavidade, que nos remetem logo à infância, ou à melhor época de nossas vidas. Aquele tempo em que não queríamos que o tempo passasse. Que as coisas estavam boas demais, para que o amanhã viesse. Aqueles dias em que, se pudéssemos, o relógio congelaria, e tudo ficaria daquela maneira, por tempo indeterminado. Esse é o sentimento que fica ao ler suas poesias.

A forma como ele escreve também me lembrou muito Mario Quintana e Adélia Prado, por falarem do cotidiano, do “comum”. Vocês já perceberam que o mais comum é o mais extraordinário? Que é nas entrelinhas de nosso dia-a-dia que encontramos com a poesia?

Domingo

Diga-me qualquer névoa,
discurse sobre qualquer quimera.
Permito até que pise em meu pé,
o pé que a unha comeu.
Ah, diga alguma coisa,
sorria de algo e depois me conte.
Parece a semana só ter domingos,
desses domingos ausentes,
sempre tão martes e sem fim.
Ah, alguém me belisque,
ou então me ofereça o braço.
Estou cansado desses mormaços.
É domingo,
e eu procuro alguma reação.

(Uma música para vocês ouvirem, que me fez lembrar muito o livro do Maiky)

Na poesia Silêncio, que foi uma que me arrancou lágrimas, ele nos diz assim: “Mas não é um encontro a descoberta da perda?“. E isso me lembra tanto Clarice (Lispector) e suas descobertas interiores! Quando encontramos a nós mesmos é porque deixamos algo para trás! E isso é tão verdadeiro e profundo. Ainda na mesma poesia: “Porque memória nenhuma me soa plena: / vai desbotando, se adaptando“. E não é? E não adaptamos as coisas conforme nossa comodidade, ou metamorfose, ou conforme o perdão que damos ou deixamos de dar?

Enfim… Sabe aquele tipo de poesia que cada vez que você lê, você descobre algo novo? Cada verso é adaptado conforme nosso estado de espírito? Mais ou menos o que acontece comigo quando ouço essa outra música.

Maiky também tem um olhar muito sensível para a fotografia. Você pode segui-lo pelo Instagram.

Ah! Última indicação que faço, prometo: O estilo de poesias é mais ou menos igual ao de Manoel, como já falei. Então ouçam o Odilon Esteves recitando uma poesia do “Passarinho”. Gente, lembra muito!

Queridos leitores, leiam esse livro. É uma indicação que faço de todo o coração, e com força. Ele está disponível para o Kindle Unlimited, ou se não for assinante, pode adquiri-lo por 1,99 😉

Título: Coro infante ao pássaro

Autor: Maiky da Silva

Editora: Amazon, 2018.

Páginas: 82 p.

Disponível aqui!

Resenha [Livro] – A menina e o equilibrista

Oi gente, tudo bem?

Recebi de presente o livro A menina e o equilibrista, do querido Bruno Félix! Li na mesma semana em que chegou, mas só agora consigo fazer uma resenha (desculpe a demora, Bruno! rs).

A menina e o equilibrista: A história de um milagre (Penalux, 2017, 181 p.) irá nos contar a história de Antônio, um homem ainda jovem que pensa em tirar sua própria vida, pulando de uma ponte. Em meio às suas “últimas” reflexões, sem medo da queda livre ou da altura, é interrompido por Angelina, uma garotinha negra, com cerca de sete anos de idade, que, ingênua, pensa que Antônio é um equilibrista. Mas ao conversar com nosso protagonista, e pedir a sua ajuda para encontrar um caderninho que havia perdido, começamos a perceber o tanto de sabedoria que a criança carrega.

“- Me chame de Vó Laura, querido. E acredito em milagres, sim. Você não acha o mundo todo muito misterioso?” (p. 33)

Em meio às lembranças de um passado sofrido, e tendo contato com outros personagens da história, começamos a tentar entender o porquê de Antônio querer tirar sua vida. Mas aos poucos, o homem vai entendendo todo o valor e maravilhas que ele deixaria para trás. Angelina tem um papel importante em sua caminhada, e todas as pessoas que têm contato com os dois personagens me tocaram de formas diferentes.

As lindas ilustrações do livro são feitas por Arthur F. Pádua

Meu personagem favorito foi o Poeta Ruivo. Em determinada parte do livro eu quase chorei com seu relato, seus amores e desamores… Em especial com uma linda poesia, que é a continuação desse trechinho abaixo:

“- Eu costumo colocar versos datilografados junto com os lanches. É a única maneira que achei para fazer algumas pessoas consumirem poesia. – Brincou, enxugando uma lágrima” (p. 70)

Isso me fez lembrar do próprio Bruno Félix! Para quem não sabe, ou não está lembrado, ele é o mesmo autor de O Busto de Adão e outras poesias, que foi resenhado e já indicado por aqui diversas vezes. Ele é um poeta de mão cheia, e está para publicar mais um livro de poesias, chamado Poemas Classificados, que será lançado pelo Editorial Letramento! Você pode ver a notícia aqui, e acompanhar o Bruno em suas redes sociais e blog, que vou listar abaixo. A capa ficou sensacional!

Ah, e o porquê de ter lembrado: Bruno escreve alguns “poemas classificados”, isto é, no meio dos classificados comuns de um jornal, ele apresenta suas poesias ao público! É um modo de divulgar poemas, literatura de qualidade, assim como faz, no livro, o Poeta Ruivo!

Mas voltando ao livro em questão! rs  A menina e o Equilibrista é um belo livro sobre a esperança, a restauração da fé, a crença em milagres, a pureza e sabedoria das crianças, e sobretudo, o acreditar em Deus, em algo maior que nós, que guia nossos caminhos, e nos mostra que, mesmo em meio a tantos sofrimentos, Ele nunca nos desampara. Indico muito!

Título: A menina e o equilibrista

Autor: Bruno Félix

Editora: Penalux

Número de páginas: 181 p.

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Leituras Janeiro / Fevereiro 2018

Oi gente, tudo bem?

Estou meio atrasada com essa postagem… Deveria ter sido feita no final de Janeiro… Mas vocês me entendem? Me perdoam? haha. A pessoa jura que vai melhorar, mas não melhora. E ninguém desiste de mim. Que bonito… Obrigada 🙂

Mas vamos lá! Estou lendo algumas coisas muito interessantes… Não tanto quanto gostaria, mas os meus outros projetos, dos quais já comentei em outra postagem, estão indo bem. No mês de março irei me dedicar um pouco mais à leitura (eu acho. Não prometo mais nada hahaha).

Janeiro
1. A vida de Maria – Rainer Maria Rilke – 42 p.
2. O quinze – Rachel de Queiroz [Releitura] – 161 p.
3. Eu sou Malala – Malala Yousafzai – 342 p.
4. Quincas Borba – Machado de Assis [Releitura] – 174 p.
5. Selou e Maya / Maya e Selou – Lara Meana e María Pascual de la Torre – 32 p.
6. Areia: (À fragmentação da pedra) – Milton Carlos Rezende
7. Padre Pio: Tragédia de fé – Padre Luna – 118 p.

Fevereiro
8. A menina e o equilibrista – Bruno Félix – 184 p.
9. Maria, a agraciada de Deus – Frei Luis Sartori – 96 p.
10. O pássaro raro – Jostein Gaaarder [Releitura] – 208 p.
11. Mística de Fátima – Nilza e Gilberto Maia – 269 p.

Total de incríveis 1.626 páginas.

Os meus projetinhos de leitura andam de vento em popa.

O desafio pessoal de Janeiro, eu consegui cumprir. Foi o infantil Selou e Maya / Maya e Selou (infantil), e Eu sou Malala, de Malala Yousafzai. Para o Desafio Todo Leitor, do Glen (categoria autor importante que nunca li) foi o mesmo livro (gente, Malala ganhou o Nobel da Paz! Super importante! rs).

Meu desafio pessoal de fevereiro eu não cumpri… Mas ok. Pelo menos o Desafio Todo Leitor eu consegui! rs. Eu reli O pássaro raro (categoria autor favorito), e foi muito melhor do que eu me lembrava. Havia lido há cerca de 10 anos… e não havia gostado nada. Não estava habituada ao Jostein como contista, e sim como romancista… E talvez o livro fosse um pouco pesado para minha idade. O fato é que dessa vez eu me emocionei, me arrepiei, chorei, e pensei muito na vida, no universo e tudo o mais rs. Foi uma experiência incrível, e pretendo fazer uma resenha a vocês.

O livro do #ProjetoMindlin de Janeiro foi O quinze, de Rachel de Queiroz. E foi uma releitura incrível! Eu não me lembrava muito bem da história, por ter lido há muito tempo – e para a escola rs.

O livro do #ProjetoMindlin de Fevereiro foi O gaúcho, de José de Alencar. Como eu não tinha esse livro em casa, e não me organizei para pegar emprestado na biblioteca, também não li.

Mas em Março, se você ainda não viu o vídeo da Nina, iremos ler Grandes esperanças, de Charles Dickens. Na verdade, a leitura se estenderá para Abril também, por ser um livro mais gordinho. Assista ao vídeo, logo abaixo, e se você sentir vontade, participe conosco! É só entrar em contato através do Vídeo da Nina (lá no Youtube), ou me deixar um comentário aqui mesmo, no blog.

Ah, e para você se organizar, confira os próximos livros que serão lidos para o #ProjetoMindlin ao longo do ano de 2018:

► Próximos livros do Projeto Mindlin:

Maio: O Primo Basílio, de Eça de Queiroz
Junho: Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
Julho: Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
Agosto: Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
Setembro: Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
Outubro: O Sertanejo, de José de Alencar
Novembro: Til, de José de Alencar
Dezembro: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry

Agora, para Março, meu Desafio Pessoal será ler 1 best-seller + 1 livro clássico. Sendo que o best-seller será A última carta de amor, de Jojo Moyes (nunca li nada da autora), e o livro cássico será Contos de fantasmas, de Daniel Defoe (faz muito tempo que tenho em casa).

Para o Desafio Todo Leitor, Março será a vez de ler uma biografia. Pretendo ler Para seguir minha jornada: Chico Buarque, da autora Regina Zappa.

Fora os livrinhos extras, que sempre entram na fila… E que às vezes consigo ler somente esses extras hahaha O importante é ler 🙂

E vocês, o que fizeram de bom nos meses de Janeiro e Fevereiro!?

Melhores Leituras de 2017

Oi pessoal, tudo bem?

No ano de 2017 li vários livros, digamos… medianos. É meio triste dizer isso haha. Mas é a realidade… Talvez meus gostos tenham mudado um pouco, e minha frequência em ler diminuiu bastante. Ou talvez eu esteja me readaptando às leituras. Hoje, nem tudo me agrada, e fiquei um pouquinho mais exigente com a qualidade do que leio. Percebi isso quando doei alguns livros no final de 2017 à minha prima. Na pilha tinha até um livro que havia considerado “favorito” em 2016. Em “sã consciência” eu não teria feito isso – doado – há um tempo atrás. Mas será que na época eu “favoritei” da forma correta? Será que não foi um descuido meu, ou uma ansiedade em completar uma lista de dez livros favoritos?

Pois bem. Fui fazer minha lista de favoritos de 2017… e consegui selecionar seis livros (sendo que um deles ainda não foi publicado) + uma série. E foi bem pensado, viu? Não foi uma coisa feita às pressas, ou para alcançar um número de favoritos. Estou sendo realista e apresentando a vocês somente os livros que realmente me tocaram de alguma forma, que fizeram a diferença em meu ano. Então vamos à lista!

Capitães da areia – Jorge Amado – #ProjetoMindlin (Resenha escrita)

Sempre tive um medo em ler essa obra, por causa da escola! Em minha cabeça, Jorge Amado era um daqueles nacionais inalcançável, que só lemos por obrigação… E quão grata foi minha surpresa ao terminar essa obra! Leitura muito sensível, que me fez pensar sobre as crianças (e adultos também, oras!) que moram nas ruas, de forma totalmente diferente. Esse livro é uma aula de empatia. Tem resenha aqui!

Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma – Jason e Crystalina Evert (Resenha escrita: Parte 1 – Parte 2)

Ganhei esse livro do meu namorado no final do ano passado, quando ainda não namorávamos rs. Demorei um tempo grande para ler, por ser forte demais, real demais. Mas ainda bem que li aos poucos. Assim pude absorver melhor da obra! Depois que li, comecei a me aceitar de uma forma melhor, mais humana comigo mesma. É engraçado como de vez em quando nos fazemos de imbatíveis, só para poder mostrar às pessoas que nós “podemos” algo, e nos esquecemos que também temos nossa história de vida, que temos nossas dores, lutas… E que tudo isso faz parte de nossa construção como ser humano. A auto-aceitação deve ser mais debatida e acolhida por nós. E nós não devemos ter vergonha de nossa história, mas lutar para que melhoremos a cada dia. E esse livro me ensinou isso.

Cem anos de solidão – Gabriel García Márquez

Mais um livro pra conta dos que eram temidos! Clássico mundial que eu morria de medo, por besteira de minha parte. Todas as pessoas que viam esse livro em minha estante me diziam que eu deveria ler, e que eu iria amar a leitura no final. E o medo de ler, e não gostar?! Que bobeira, não é? haha se eu não gostasse, nada ia acontecer… Ia ser somente uma experiência que não deu certo, e bola pra frente. Mas aconteceu sim o que todos me diziam: eu amei. No começo nos assustamos com a quantidade de personagens com nomes iguais, com a história fantástica que Gabo vai nos contando… Mas é impossível largar, é impossível não se apaixonar pelos Buendía, por Macondo, pelos diálogos, pelas situações engraçadas e dramáticas. É (quase) impossível você não terminar essa obra e dar um suspiro de saudade. Vai por mim, leia… Você vai gostar – e se não gostar, não tem problema 😉

Van Gogh: Biografia – David Haziot

Quando eu era criança, fazia o que todas as meninas faziam (na época faziam… como será hoje?!): tinha um caderninho de recordações, que pedia para as pessoas escreverem alguma mensagem pra mim, qualquer coisa que fosse. Foi uma ideia super legal, que hoje reconheço rs (na adolescência achei uma besteira, e quase joguei fora. Mas na adolescência tudo é besteira pra nós haha). E uma das mensagens que mais me tocaram foi da minha prima Juliana. Ela dizia que Van Gogh foi um pintor que nunca havia sido reconhecido em vida… mas que não desistiu nunca de seus sonhos. E desde essa época eu fiquei curiosa sobre o artista. Afinal, quem foi Van Gogh? E que coisa mais fantástica é essa de sempre correr atrás dos sonhos? Em 2016 eu vi uma biografia gigante do autor, mas que não tive condições para comprar. Então acabei comprando essa menorzinha, da L&PM. Li vorazmente no ano passado, e foi talvez, minha leitura favoritíssima de 2017! Que vida espetacular – e triste – teve esse homem! E que paixão ele viveu todos seus amores e desamores. Fiquei encantada, tão encantada, que não consegui escrever uma resenha à altura.

Sobre a escrita – Stephen King

O rei do terror escrevendo não-ficção era algo que nunca tinha lido. E me surpreendi demais! No começo do livro é apresentado ao leitor alguns fatos de sua infância e adolescência, e como começou seu processo de escrita e sua fama. Depois, King dá várias dicas de como seria escrever bem (claro, segundo seu método rs).

Viagem a Fátima – Rebeca Maria Teles

O livro da Rebeca surgiu com um Trabalho de Conclusão de Curso. Ela se formou em Jornalismo na faculdade em que trabalho. Seu livro fez com que eu tivesse ainda mais vontade em visitar Fátima, e conhecer os mistérios que rondam sua história. Um livro poético, informativo, e que eu gostaria muito de uma continuação!

Desventuras em série – Lemony Snicket

É uma série considerada infantil / infanto juvenil… Mas tão deliciosa de ler! Fiquei quase um ano lendo os 13 livrinhos, e me apeguei muito aos personagens. Quando estava no 11 já sentia saudades do trio Baudelaire, do conde Olaf e seus disfarces, das aulas de ironia do Lemony Snicket.

E vocês, quais foram os livros favoritos de 2017? ❤