UnHaul – O que é isso?

Oi pessoal, tudo bem?

Vocês sabem o que é UnHaul? E Book Haul? Vocês já devem ter visto em alguns canais literários (e blogs também!), o chamado Book Haul. Este é um termo em inglês que quer dizer “Aquisição de livros”. Já o “UnHaul” é o contrário: é quando nos desfazemos desses livros rs. No ano passado assisti a alguns vídeos sobre isso, e comecei a refletir com meus botões: por que bulhufas eu tenho tantos livros?! E fui contar quantos eu tinha em minha casa, o total lido e o total “por ler”. Deu um número assustador. Mais de quatrocentos livros sem ler! E uns 300 lidos (totalizando cerca de setecentos).

Desde aquele dia, comecei a me desfazer de alguns livros. Mas me desfazia de uma forma errada: para ter mais espaço, e comprar mais. HAHA Não adiantava nada. Eu me desfazia de alguns que não iria (mais) ler, e comprava alguns de gosto duvidoso (isto é, que eu nem gosto do estilo ou gênero. Mas sim porque “estava barato”).

Assista aos vídeos das meninas:

Biblioteca Básica – Jotapluftz

A magia do desapego – Unhaul Pipoca Musical

Depois de assistir a esses vídeos (e da Nai, que infelizmente não tem mais canal, e nem os vídeos disponíveis rs), passei a me perguntar o porquê de eu acumular tantos livros, se não lerei todos durante minha vida. E porque adquirir mais e mais… Quando assisti ao vídeo da Raquel, do Pipoca Musical, na hora me levantei e me desfiz de quarenta títulos (entre eles, lidos e não lidos). E foi quase uma libertação rs. Na época, até tirei foto e mandei a ela.

A @dani_kanno_bl desapegou tbm! Mais de quarenta livros vão pras mãos de outros leitores. ❤️ #unhaul

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Depois disso (vocês podem ver que a postagem é de 2015! rsrs), doei mais um monte de livrinhos. Tentei fazer uma listagem – abaixo -, e gente! Deu muita coisa! Só de pensar que outras pessoas terão oportunidade de ler esses livros, já fico muito feliz. A maioria doei para a biblioteca onde trabalho, e a pública de minha cidade. Mas também dei de presente para amigos, fiz sorteios, dei para parentes…

E sim, ali em cima você leu certo: livros que eu não li também foram doados. Muitas vezes comprei por impulso, ou porque a capa ou título eram legais, ou porque era para “fechar o frete” (isto é, pegar um livro de 10,00, sendo que o frete era 4,00. Tinha aquela ideia de que: vamos gastar mais 6,00 então, e ter um livrinho extra). Alguns títulos ficaram anos em minha estante e sequer foram abertos! – por exemplo, três livros da série The Walking Dead, estavam ainda no plástico!

Pensando seriamente nisso, e somando o quanto de dinheiro estava gastando com livros (que não seriam lidos, e alguns que seriam muito bem lidos, claro rs), desde o dia primeiro de janeiro desse ano, eu não comprei nenhum livro pra mim! Claro que no começo não é nada fácil. É uma tentação estarmos em grupos de Whatsapp (de leitura), curtirmos páginas de promoções, e aqueles e-mails intermináveis da Submarino (que saudade…) e Americanas nos oferecendo livros… Ah, meu Deus! haha  Mas estou firme e forte nessa proposta. Quero primeiro ler tudo quanto é coisa que tenho em minha casa, e reduzir ainda mais a quantidade. Deixar livros que têm algum valor para mim (sentimental, intelectual, etc.); e o restante continuarei doando à biblioteca.

Veja a listagem! (E tem mais que isso! Como não marquei na época o que foi doado, fui analisando pelo Skoob, nos meus livros Lidos, nos meus livros que quero ler. Deu um trabalhão! rsrs).

  1. poem(a)s – e. e. cummings
  2. Fábrica de vespas – Iain Banks
  3. Noites brancas – Dostoievski
  4. Uma criança no inferno – Dave Pelzer
  5. Surtos urbanos – Vera Albers
  6. Quem poderia ser a uma hora dessas? – Lemony Snicket
  7. O outro lado da memória – Beatriz Cortes
  8. Histórias que os jornais não contam – Moacyr Scliar
  9. Sexo na cabeça – Luis Fernando Verissimo
  10. Orgias – Luis Fernando Verissimo
  11. O livreiro de Cabul – Asne Seierstad
  12. A cabana – William P. Young
  13. O diário de Bridget Jones – Helen Fielding
  14. O médico e o monstro – Robert Louis Stevenson
  15. A vida e outros detalhes insignificantes – Danilo Gentili
  16. A última casa da rua – Lily Blake e outros
  17. O menino do dedo verde – Maurice Druon
  18. Bala na agulha – Zeca Baleiro
  19. A princesa que enganou a morte: Contos indianos
  20. Sussurro – Becca Fitzpatrick
  21. Crescendo – Becca Fitzpatrick
  22. Elite da tropa 2 – Luiz Eduardo Soares e outros
  23. Noites de tormenta – Nicholas Sparks
  24. Retalhos de vida – Nelsinho Correa
  25. O azarão – Markus Zusak
  26. O solista – Steve Lopez
  27. Minha ideia de diversão – Will Self
  28. Guia politicamente incorreto da história do Brasil – Leandro Narloch
  29. Quem é você, Alasca? – John Green
  30. A massagista japonesa – Moacyr Scliar
  31. Poesia essencial – Roseana Murray
  32. Feliz ano novo – Rubem Fonseca
  33. Amor eterno – Barbara Cartland
  34. Patch Adams: O amor é contagioso – Patch Adams
  35. Ciclo da lua – César Magalhães Borges
  36. A volta ao mundo em 80 dias (adaptação) – Julio Verne
  37. Noite em claro – Martha Medeiros
  38. A mulher mais linda da cidade – Charles Bukowski
  39. Histórias para ler sem pressa – Mamede Mustafa Jarouche
  40. Adolescente poesia – Sylvia Orthof
  41. Pomba enamorada e outras histórias – Lygia Fagundes Telles
  42. O guardião do tempo – Mitch Albom
  43.  Clube do filme – David Gilmour
  44. Carta ao pai – Franz Kafka
  45. Para sempre – Kim e Krickitt Carpenter
  46. Vampyro: O terrível diário perdido do Dr. Cornélius Van Helsing
  47. Paixões – Rosa Montero
  48. Dias perfeitos – Raphael Montes
  49. Muncle Trogg: O menor gigante do mundo – Janet Foxley
  50. Muncle Trogg e o burro voador – Janet Foxley
  51. O grande livro das pessoas sem nome – Leandro Soriao Marcolino
  52. Se arrependimento matasse – Alma Cervantes
  53. Crime na universidade – Pedro Macedo
  54. Silêncio – Ilan Brenman
  55. Hideout – Masasumi Kakizaki
  56. Os sofrimentos do jovem Werther – Goethe
  57. Malala: A menina mais corajosa do mundo – Viviana Mazza
  58. O jardim do diabo – Luis Fernando Verissimo
  59. Robin Williams – Emily Herbert
  60. O paraíso são os outros – Valter Hugo Mãe
  61. Entre o silêncio das pedras – Luís Ferreira
  62. Tormento – John Boyne
  63. Social Killers – J. J. Slate e R. J. Parker
  64. Aventuras de menino – Mitsuru Adachi
  65. Hellraiser – Clive Barker
  66. Minha breve história – Stephen Hawking
  67. Lavoura arcaica – Raduan Nassar
  68. A ovelha negra e outras fábulas – Augusto Monterroso e Jaguar
  69. Queria tanto – Livia Brazil
  70. 2083 – Vicente Muñoz Puelles
  71. Caçada ao maníaco do parque – Luísa Alcade e outros
  72. Psicopata – José Luiz Tavares
  73. Serial Killers – Charlotte Greig
  74. Volto semana que vem – Maria Pilla
  75. Menina má – William March
  76. Veneno – Sarah Pinborough
  77. Feitiço – Sarah Pinborough
  78. Poder – Sarah Pinborough
  79. Elevador 16 – Rodrigo de Almeida
  80. Brás, Bexiga e Barra Funda – Antônio de Alcântara Machado
  81. Reunião de poesias – Adélia Prado
  82. Coisas da vida – Martha Medeiros
  83. O menino que desenhava monstros – Keith Donohue
  84. Delirium – Carlos Patricio
  85. Obsessão macabra – Raphael de Almeida
  86. O vendedor de sonhos – Augusto Cury
  87. Geek Love – Eric Smith

NÃO LIDOS

  1. 101 dias em Bagdá – Asne Seierstad
  2. P. S. eu te amo – Cecelia Ahern
  3. A história sem fim – Michael Ende
  4. A décima terceira história – Diane Setterfield
  5. O lado bom da vida – Matthew Quick
  6. Histórias íntimas – Mary Del Priore
  7. O homem que sussurrava aos Ummitas – J. J. Benítez
  8. Paula – Isabel Allende
  9. 1822 – Laurentino Gomes
  10. Guia politicamente incorreto da história do mundo – Leandro Narloch
  11. 1808 – Laurentino Gomes
  12. Evangelho de sangue – Clive Barker
  13. Vinte mil pedras no caminho – Fabian Penny Nacer e Jorge Tarquini
  14. Ele está de volta – Timur Vermes
  15. O rei de amarelo – Robert W. Chambers
  16. Guia de um incendiário de casas de escritores – Brock Clarke
  17. O desastronauta – Flávio Moreira da Costa
  18. A pequena ilha – Andrea Levy
  19. Cartas de amor aos mortos – Ava Dellaira
  20. A fala e a fúria – Ana Lúcia Modesto
  21. Meu vizinho é um psicopata – Martha Stout
  22. Factótum – Charles Bukowski
  23. O espadachim de carvão – Affonso Solano
  24. O espadachim de carvão e as pontes de Puzur – Affonso Solano
  25. Enciclopédia dos quadrinhos – Fernando Goida e André Kleinert
  26. The Walking Dead 1 – Robert Kirkman e Jay Bonansinga
  27. The Walking Dead 2 – Robert Kirkman e Jay Bonansinga
  28. The Walking Dead 3 – Robert Kirkman e Jay Bonansinga

… E mais uns 15 volumes da coleção Seleções Reader =)

E é isso! Espero que com esta postagem você se inspire e faça o mesmo. É ótimo sabermos que tem mais pessoas lendo por causa de nosso desapego. Faça uma experiência, e depois me conte 😉

TAG Tudo menos livros

Oi gente, tudo bem?

Faz muito tempo que não respondo à TAGs (na verdade, agora que o blog está voltando à ativa). E hoje, para mudar um pouquinho, não responderei a uma TAG literária… como já percebemos pelo título. Vi lá no canal da JotaPluftz. E ela pegou desse canal gringo.

1. Fale sobre quais desenhos animados você gosta.
R: Gosto de assistir a filmes de animação (qualquer um rs). Mas desenho animado da TV, gosto muito de Bob Esponja e Os Simpsons.

2. Qual sua música favorita no momento?
R: Vixi! No momento, eu acho que é esta: “La La Land – City Of Stars“, na voz de Chase Eagleson. Isso porque nem assisti ao filme.

3. O que você faz por horas, que não é ler?
R: Por horas, eu não digo, mas comer HAHA. Mentira. Por horas, eu acho que é assistir a alguma série… Como Doctor Who, ou Modern Family (que descobri só agora e já viciei).

4. Diga uma coisa que você ama e seus seguidores vão se surpreender em saber…
R: Amo chocolate. Mas isso não é novidade. Eu amo também aqueles chocolates parafinados (guarda-chuva, moedinha, bolinha de chocolate) hahaha Fazer o que. Dizem que os “amantes” de chocolate tem gosto refinado, não é?! Que gostam de chocolate de qualidade, e blá-blá-blá. Não… Eu amo qualquer chocolate… Não tenho preconceito rs. / Outra coisa que amo é passar roupa! Assim eu boto as séries em dia 😉  (táticas, amiguinhos).

5. Qual é a coisa desnecessariamente específica que você gosta de aprender?
R: Qualquer coisa. Adoro aprender coisinhas novas.

6. Qual coisa diferente / bizarra que você sabe fazer?
R: Até hoje, sei colocar os pés na cabeça, tipo isso:

Meus pais acham “bizarro”, porque eu nunca fiz ginástica rítmica. Sempre fui um pouquinho elástica. E hoje, mesmo um pouco mais velhinha (poxa, tenho quase 28!), ainda consigo fazer isso =)

7. Conta uma coisa que você fez / criou no ano passado (se puder, mostre!)
R: Gosto muito de fazer Origamis. Então ano passado acabei fazendo um mini-presépio para minha sogrinha (que na época ainda não era sogra rs).

8. Qual é o seu mais recente projeto pessoal?
R: Terminar os projetos que já comecei rs. Eu fico bastante ansiosa quando começo uma coisa e não termino. Então primeiro terei que terminar o que já está começado.

9. Diga alto que você pensa com frequência.
R: Que sono / Que fome. E algo que infelizmente está ficando comum: que dor de cabeça.

10. Conte uma coisa favorita sua, bem específica.
R: Adoro colocar achocolatado no leite condensado, deixar no freezer e comer. Aqueles floquinhos de chocolate explodem na boca, que é uma delícia! hahaha

11. Por último, diga a primeira coisa que vem a sua mente!
R: placa.

O chão que em mim se move | Carlos Barbosa

Olá pessoal, tudo bem?

Parece que esse mês dei uma alavancada nas leituras. Sabe a meta que eu fiz no começo do mês? Está rendendo! Acho que por terminar um livro que há tempos estava lendo (desde julho! rs), as coisas começaram a funcionar melhor. É tão boa a sensação quando terminamos algo, não é? Uma outra sensação muito boa que sinto quando estou lendo, é quando percebo que a leitura tem um ritmo, e aí começo a ler em voz alta. Já aconteceu com vocês também? Inclusive estou pensando em fazer uma postagem sobre essas sensações! rs

carlos

Mas vamos falar do livro que me deu esse segundo prazer: leitura em voz alta, com ritmo. O chão que em mim se move (Penalux, 2016, 123 p.) do autor baiano Carlos Barbosa é um livro de contos que de certa forma estão interligados. Vira e mexe voltamos ao Bendiá, às lembranças de infância de um narrador que está presente em várias histórias. E são histórias contadas com tanto bom humor, mas ao mesmo tempo com tanta melancolia e saudade, que me foram arrancadas lágrimas, sorrisos e gargalhadas. Deu aquele conforto, aquela lembrança de voltar para casa (ainda que eu nunca tenha saído).

É muito difícil escolher um conto favorito – mesmo que a gente não precise fazer isso, cêis sabem, né? haha Mas é aquele costume que temos de sempre escolher só um. Eu gostei de todos os contos, completamente todos! E confesso pra vocês que isso é raro acontecer, afinal como são historinhas curtas, que não tem um vínculo (lembrando: geralmente), às vezes nos apegamos mais a alguns personagens ou situações. Mas fiquei encantada por todos os contos desse livro. Os que envolvem o Bendiá (no vale do Rio São Francisco) são como refúgio para nossa infância. Nosso narrador vai nos contando de seus amigos (ou “inimigos”), de seu pai (cutucando sua masculinidade de menino tão pequeno), de seu cavalinho, da tia Vitorina, e da trilha pedregosa, aquela malvada.

“Acode, meu pai, acode! O cavalinho tá se acabando, tá se acabando, berrei. Que é isso, menino? Bestagem, besteira, coisa nenhuma, apruma aí, sacode a rédea e vá rompendo, meu pai impacientava-se comigo, um pouco envergonhado por conta dos companheiros de viagem.” (p. 34-5)

A escrita de Carlos é algo tão ágil, tão rápida, que não vemos nem o tempo passar. Li o livro praticamente em uma noite. Parece que juntamos nossas mãos às mãos dos personagens, e eles vão nos levando, hora correndo, com a ânsia de nos mostrar o final de tudo aquilo; hora caminhando devagar e observando a lua, contando-nos os causos vividos. Penso – e isso é opinião e suposição minha -, que o título vem um pouco daí. O autor Roniwalter Jatobá, nas orelhas do livro, nos informa mais: que temos “Em todos os textos, o destino da migração. Para fugir daquele mundo, a busca por São Paulo, ‘na agonia doida pelas maravilhas de lá, dos empregos muitos, das lordezas'”.

Destaco, além dos contos que falam diretamente do Bendiá, o conto “Corpo de mãe“. Um escrito totalmente necessário, não só para quem tem choro engasgado, mas para aquele que não chora uma lágrima sequer, que é um pedregulho. A perda de nossa progenitora, imagino ser uma das dores mais angustiantes e ameaçadoras.

“História assim não se acaba de forma abrupta e espetacular – escorre. Certos acontecidos guardam parelha com carro de boi em carreiro de canavial: avançam lentamente, rangem doridamente, parecem rejeitar o despejo final de carga e seus desdobramentos em melaço, álcool, rapadura e bagaceira, a propiciar doce e ácido, sustança e embriaguez em vidas desligadas na trama.” (p. 58)

Sabe esse trecho aí em cima? Pra mim, o autor traduziu seu próprio livro: ele “não se acaba de forma abrupta e espetacular – escorre”. E a nossa vida é assim, não é? Preciso dizer mais nada.

Título: O chão que em mim se move

Autor: Carlos Barbosa

Editora: Penalux

Páginas: 123 p.

Lendo David Copperfield – Parte 3 [Final]

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim trazer para vocês, finalmente, a terceira parte – e final – de minhas considerações sobre a leitura de David Copperfield, de Charles Dickens. Se você não sabe direito do que estou falando, veja aqui as partes 1 e 2 (clique nos números para ir às postagens). Repito: esta postagem contém spoilers. Afinal é sobre a terceira parte de um Diário de Leitura. Então, se você não deseja saber de nada do que acontece nas partes finais, volte amanhã, que vai ter um vídeo fresquinho para vocês, sem spoiler nenhum, ok? 😉

Bem, depois de David se ver casado com Dora, e não estar tãão feliz assim – e detalhe: ainda assim, continua casado, fazendo com que tudo dê certo -, Dora fica acamada. As tias e amigos de Davy tentam auxiliá-lo no que é possível. Mas nada mais pode ser feito 😦  (Sim, eu chorei HORRORES nesta parte. Eu não gostava da personagem, achava bem chatinha e mimada. Mas como sempre a cena é descrita com tanta leveza, que é impossível não ficar emocionado).

dc

Senhor Micawber finalmente entregou Heep para um advogado. E ele é nada mais, nada menos que Tradles, o amigo de infância de David. Tratando-se de Senhor Micawber, já sabemos que houve a leitura de uma carta gigantesca haha. Depois que Emily finalmente é encontrada, dois personagens muito importantes irão morrer. E é um em seguida do outro. Descrito de forma muito intensa e acelerada, você acaba nem acreditando na morte dos personagens. E aí acabei refletindo: mas a morte não é assim, mesmo?! Não nos pega de surpresa sempre?! Pois bem. Mais choro… Foram duas pessoas que tinham extrema importância no desenrolar da história. Não apareceram tanto desde um certo ponto do livro, mas eu tinha um carinho…

Depois do falecimento de Dora, obviamente, Davy começa a pensar em alguém que possa “substituí-la” como esposa. Uma palavra meio forte, já que para ele, Dora jamais será substituída. Mas alguém que possa ocupar o papel de esposa e mulher da casa. Pensa em várias mulheres, e até mesmo em Agnes, sua amiga de infância, mas logo descarta a ideia. Nesse trecho do livro já faltavam 60 páginas para acabar a leitura. E, pessoas, quem já leu, me entende: comecei a chorar porque eu não queria que o livro acabasse! Nunca havia acontecido isso comigo. David Copperfield irá contar ao seu leitor um pouquinho sobre cada personagem e seu destino. E sobre o final de sua própria história, só posso dizer uma coisa: foi algo que torci desde o comecinho do livro para que acontecesse. E o autor não poderia ter descrito tudo da melhor forma.

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Este foi um dos melhores livros que li na vida. Se não o melhor. O modo como Charles Dickens descreve cada cena (não com palavras difíceis, afinal não precisamos de significados gigantes com palavras difíceis), com tanta sutileza no olhar e no falar, com tanta sabedoria, com docilidade e pureza… Por diversas vezes durante a leitura eu me peguei chorando de emoção pelas suas palavras. Cada vírgula no lugar: algo que eu nunca havia encontrado em um livro. Fora isso tudo, Charles Dickens ainda nos faz refletir nas linhas e entrelinhas. Uma das coisas que o autor deixou mais claro para nós, leitores, é como o bem sempre vencerá o mal. Pode levar o tempo que for – no caso de Uriah Heep, praticamente uma vida inteira -, mas um dia as máscaras irão cair, e tudo se ajeita 😉

Não se assustem com o tamanho do livro. Ele é tão doce (na medida certa, bem longe do meloso), simples e puro, que você irá ler de uma tacada só. Hoje, que termino de escrever este Diário de Leitura, já faz quase um mês que terminei de ler. E os personagens continuam fresquinhos em minha cabeça. As passagens principais foram marcantes, e sempre eu me pego pensando em algum trecho do livro. Como se fosse parte de minha vida, parte de mim. Um livro inesquecível, que eu facilmente leria de novo.

Título: David Copperfield

Autor: Charles Dickens

Editora: Cosac Naify

Páginas: 1.303 p.