Resenha – A experiência de ouvir e transmitir a voz de Deus

Oi gente, tudo bem?

Falo hoje sobre um livro pequeno, mas cheio de ensinamentos.

A experiência de ouvir e transmitir a voz de Deus (Palavra e prece, 2008, 86 p.) do autor Denis Duarte é dividido em duas partes. Na segunda parte, o autor nos conta três historinhas curtas, que aconteceram com ele, e que o fizeram enxergar verdadeiras graças em sua vida. As três histórias me emocionaram.

Já na primeira, Denis dialoga com o leitor através de exemplos de profetas da Bíblia. Com os nomes dos capítulos sendo bem diretos (como por exemplo “Sou pobre e sem experiência“, ou ainda “Não sou nada, não sou ninguém“), mas com uma escrita dócil, ele nos ajuda a entender qual o modo que podemos transmitir a Palavra de Deus em nosso dia-a-dia. E não somente transmitir, mas principalmente ouvir – aquele questionamento tão comum: será que o que estou “ouvindo” realmente é a voz de Deus, ou é minha vontade? Estar intimamente ligado à Deus é saber diferenciar isso. Nem sempre o que fazemos é de Sua vontade, e nós pensamos que é, seja porque “vimos em sonhos”, ou porque imaginamos em nosso interior uma voz repetindo algo. Sendo que por mais que nós não admitamos, é exatamente esse “algo” que queremos. Por isso devemos estar atentos e em constante oração.

Além disso, Denis nos explica o que quer dizer a palavra hebraica “Dabar”: “No conceito hebraico Dabar, palavra (aquilo que o profeta diz) e realidade (aquilo que ele vive) têm o mesmo significado, existe coerência na vida do profeta, pois ele não diz palavras vazias de significado”. Isto é, o que eu vivo hoje, tem coerência com o que falo? Ou eu me visto de uma personagem que não sou? Muito além de apenas transmitir em palavras o que Deus quer de nossas vidas, devo através dos gestos, dar o bom exemplo e acolher com docilidade as pessoas com quem convivo.

Enquanto lia o livro, recordava essa música, e acho que tem tudo a ver. Pedro foi o “pescador de homens”, e aquele que é a pedra da Igreja. E a proposta desse pequeno grande livro é que todos nós sejamos pescadores de homens para o Reino de Deus.

Minha opinião: É um livro bem curtinho, que pode ser lido de uma vez. Mas aconselho a não fazer isso: deguste bem cada capítulo, e reflita sobre ele. Na faculdade em que trabalho, um de nossos diferenciais é trabalhar o que os italianos chamam de “Amorevolezza”, que é um termo que dá a entender uma atitude de amor e acolhimento. Levando para a vida, o termo também pode ser bem – e muito bem! – usado com as pessoas que estão à nossa volta. Temos que saber acolher as pessoas que vem até nós, e ter uma atitude de amor com o próximo. Isso também é evangelizar.

Título: A experiência de ouvir e transmitir a voz de Deus

Autor: Denis Duarte

Editora: Palavra e Prece

Páginas: 86 p.

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Resenha – Viagem a Fátima

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim falar de um livro que ainda não foi publicado pelas grandes editoras rsrs E que vale suuuper a pena ser lido! (Explicarei depois) 😉

Viagem a Fátima: Os lugares que contam 100 anos de história (2016, 155 p.) da jornalista Rebeca Maria Teles irá nos apresentar a história de Nossa Senhora de Fátima, com um quê a mais: Rebeca visitou a cidade portuguesa onde ocorreu a aparição da Virgem aos três pastorinhos (também nos apresentando, no final do livro, uma ótima bibliografia)!

Com descrições poéticas de como é a pequena cidade de Fátima, vamos sendo levados pelas mãos por Rebeca. Uma brisa aqui, um sol a mais ali, suas ruas movimentadas, e de uma paz indescritível… Assim é o local onde há cem anos foi visitado pela Santa. No início, o nome “Fátima” era dado a uma aldeia da região, e a explicação do nome, nos conta a autora é, segundo o historiador português José de Carvalho, de origem árabe, querendo dizer “jovem, donzela” (p. 16), e há também uma lenda que rodeia este nome. Mas hoje, oito séculos após a lenda, há outra lembrança, quando citamos o nome da pequena cidade: a devoção mariana.

Um detalhe muito interessante do livro é a pesquisa do momento político da época (março de 1916, com Portugal entrando no conflito da Primeira Guerra Mundial. Imaginem a grande carnificina que cercava a Europa!).

Em meio ao caos da Primeira Guerra, hoje sabemos que restava uma esperança, um socorro que foi dado a, no início, três pastores: Lúcia, Francisco e Jacinta. Hoje em dia, há um trenzinho que leva os visitantes (os turistas) para conhecer o mesmo caminho percorrido pelos três pastorinhos. Uma das paradas é Aljustrel (que fica perto da casa dos pais de Lúcia). Para chegar até a Loca do Cabeço, por exemplo, é preciso descer nesta parada e ir andando. Loca do Cabeço é um dos locais onde a Virgem apareceu.

Essas três crianças, além de pastorear o rebanho da família, rezavam – engraçado a autora nos contar como as crianças rezavam: “Ave Maria; Ave Maria; Ave Maria” e finalizavam com um “Pai Nosso”. Isto é, sem o restante da oração. E isso era feito porque elas queriam… brincar! Poxa, afinal eram crianças 🙂  Os três tinham personalidades bem diferentes: Lúcia era mais madura, Francisco bem calado, e Jacinta um pouco “mimada”. Mesmo sendo tão diferentes, os três primos se amavam, e sempre procuravam estar juntos.

Foi num dia “comum” em que o Anjo da Paz apareceu. Esta aparição os teria convidado a rezar, e em seguida repetiu três vezes: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam” (p. 37). Francisco era o único que não escutava o anjo (somente o enxergava). Era o ano de 1916. Este Anjo teria aparecido três vezes, antes de Nossa Senhora.

Santa de Fátima apareceu a eles pela primeira vez no dia 13 de maio de 1917. As três crianças brincavam na Cova da Iria (lembra-se do versinho? “A treze de maio, na Cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria“?) ❤ Com uma luz muito forte, e com as mãos juntas, como que rezando, aparece uma senhora vestida de branco. A Senhora prometeu aparecer mais seis vezes, sempre no dia 13 de cada mês. As crianças prometeram a si mesmas guardar segredo…

Mas é claro que não conseguiram. Jacinta, muito entusiasmada com a visão, acabou contando à sua mãe sobre a aparição. De início ninguém acreditou. Mas depois de um tempo, e com a insistência (que só as crianças sabem como nos convencer…), os adultos acabaram desconfiando que havia um fundo de verdade. Afinal, por que três crianças haveriam de mentir? Mas, irritado com tamanha perturbação, o administrador local, Artur de Oliveira Santos, chamou-os para um interrogatório. As crianças acabaram ficando presas por um período.

“Os homens que pagavam por seu crimes aprisionados naquele lugar se admiraram com a coragem das três crianças, que, à espera da morte, se colocavam de joelhos, erguiam os pequenos bracinhos em direção ao céu e ofereciam seus sofrimentos pelo Papa pelos pecadores, e em consolação ao coração de Maria” (p. 66)

Depois que foram libertados, a 13 de setembro de 1917, a Cova da Iria já contava com cerca de 15 a 20 mil pessoas (incluindo padres e seminaristas). Foi lá que ocorreu o milagre do sol, e sexta aparição de Nossa Senhora de Fátima. E o fato foi contado até mesmo pelo mais jornal Correio da Beira, documentando que “era uma da tarde quando o céu clareou e surgiu um globo prateado que se movia em pequenos giros, atravessando as nuvens” (p. 81).

Em maio de 2017, nosso amado Papa Francisco visitou Fátima, em Portugal. E no dia 13, data em que comemoramos o dia de Nossa Senhora de Fátima, o Papa canonizou os pastores Jacinta e Francisco Marto, os dois irmãos que estiveram presentes nas aparições (a festa litúrgica será celebrada sempre no dia 20 de fevereiro, data do falecimento de Jacinta). Irmã Lúcia ainda não foi canonizada, e isso não aconteceu por causa da data de sua morte (ela faleceu em 2005, com 97 anos), e tendo em vista a grande quantidade de páginas a ser examinada (mais de 15 mil), para assim dar andamento ao processo de sua canonização. Jacinta e Francisco faleceram aos nove e dez anos (em 1919 e 1920), devido à febre espanhola. A fama de santidade dos dois já havia sido difundida por todo o mundo. Leia mais, clicando aqui.

Minha opinião: Já sabem: quando a resenha fica grandona, é porque eu adorei! haha. Vou dizer a vocês o que eu disse à Rebeca: este livro só me deu ainda mais vontade de conhecer Fátima. Eu tenho um carinho enorme por Ela, pois quando era criança, um dos únicos presente que a minha avózinha materna me deu, foi uma imagem de Nossa Senhora de Fátima com os três pastorinhos. A paróquia em que cresci e que foi feita minha catequese e minha primeira comunhão, também pertence à Ela ❤  Fora isso, eu sempre soube da história de sua aparição, e achava maravilhosa.

Este livro foi o Trabalho de Conclusão de Curso da Rebeca. Ela estudou jornalismo na Faculdade em que trabalho (Faculdade Canção Nova, em Cachoeira Paulista), e se formou em 2016 (com uma turma que amo muito, e que sinto muita saudade!). Foi por isso que eu disse bem no comecinho da postagem que o livro ainda não foi publicado por uma grande editora. Este exemplar da foto é um dos raros (junto com o exemplar da Rebeca e mais dois ou três rs) que temos impressos. Ela ainda está buscando uma editora bacana para que possa publicar, com as ilustrações originais (que é do Mateus, namorado dela, e um super artista!) a sua história. E claro, eu desejo toda a sorte do mundo para que ela consiga! O livro é muito bem escrito e suas descrições me fizeram ter vontade de estar em Fátima e de conhecer todos os locais citados por ela. E como bibliotecária eu posso te afirmar: ela estudou muito para este trabalho 😉

Título: Viagem a Fátima: Os lugares que contam 100 anos de história

Autor: Rebeca Maria Teles

Editora: Independente

Páginas: 155 p.

Site do Santuário de Fátima

Resenha – Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma [Parte 2]

Olá para vocês!

Hoje teremos a continuação da resenha de ontem… (Clique aqui para acessar a primeira parte).

Os autores falam bastante sobre castidade e sexualidade. São tópicos que considero fortes, mas essenciais para a boa vivência do namoro, quando vividos da maneira correta. Você já parou para pensar no por que a Igreja Católica fala tanto sobre a castidade? Já parou para pensar que a vivência da pureza é muito significativa para a dignidade da mulher, e para seu encontro com Deus? E também que de certa forma, a mulher está amando seu esposo antes mesmo de encontrá-lo? Então vamos por partes (serei breve nas respostas, mas insisto para que leia o livro completo!).

  • O que é a castidade? Respondendo a grosso modo, é não ter relacionamentos sexuais antes do casamento (há também a castidade dentro do matrimônio, mas neste momento não vem ao caso. O livro trata do namoro, então vamos falar sobre isso rs).
  • Por que viver a castidade antes do namoro e durante? Em primeiro lugar, o nosso corpo é templo e morada do Espírito Santo. Quando fazemos algo que possa nos machucar (interior e exteriormente), estamos também negando todas as graças que Deus quer para nossa vida. E mais, quando vivemos, por exemplo, uma sexualidade dentro (e até mesmo fora) do namoro, nós, muitas vezes, sem percebermos, estamos nos maltratando. Sabemos de exemplos de pessoas que viveram o sexo antes do casamento e que hoje têm marcas muito profundas e negativas quanto ao assunto. Mas eu não conheço nenhuma pessoa que tenha vivido a castidade antes do casamento, e hoje diga que foi algo ruim.
  • E por que exatamente, há vantagens em ter uma vida casta? Irei elencar três motivos que Jason e Crys citam no livro (há vários outros motivos, acredite em mim). “A castidade traz clareza” (p. 74), isto é, quando nós não nos relacionamos com o parceiro antes do casamento, temos a clara ideia de qual o motivo está nos levando a casar-nos com ele. Sempre, e em todos os relacionamentos, há discussões normais de um casal, seja motivado por ciúmes, ou qualquer outro motivo. (Sim, irei ser bem sincera nessa postagem) Quando não se vive uma vida casta, todos nós sabemos que se usa muito o sexo para a “reconciliação”. Não é usado o diálogo, mas a relação sexual. E isso é algo bom? Isso resolveu alguma coisa? Vocês tiveram uma resolução para o problema? Ou só adiaram, e “empurraram os problemas para debaixo do tapete”? Segundo motivo: “A castidade exalta seus atrativos” (p. 76), ou seja, o olhar do homem para nós é mudado (e vice versa!). Sabemos que os homens são seres muito visuais. Quando não incentivamos o olhar do homem sobre nosso exterior, começamos a ser percebidas pelo nosso interior. E o “vice versa” que coloquei entre parênteses ali em cima: quando a mulher decide que quer se manter casta até o casamento, sua mente já começa a ser atraída não pela beleza exterior do homem, mas pela sua conversa, pela sua personalidade, suas qualidades que vão além de um rostinho bonito rs. E terceiro motivo, “A castidade intensifica a expectativa” (p. 79), e aqui temos a ideia de um amor único! Quer motivo maior para manter sua castidade?

“Hoje, a nossa cultura do divórcio e da sensualidade substituíram a do sacrifício. No lugar de um amor vibrante, apresentaram-nos uma luxúria vazia e, em seguida, prometeram-nos que ela iria nos satisfazer. Quando a Igreja nos diz para deixar o amor falsificado e oco, o mundo quer nos fazer crer que a nossa liberdade está sendo arrancada” (p. 79).

  • “Mas durante toda a minha vida, nunca vivi a castidade. Não será agora que começarei”. Amiga, deixa disso. Sempre, sempre é tempo de mudar. Se até hoje você não viveu a castidade, não é motivo para não começar a viver agora. E eu posso te garantir: a coisa mais preciosa que você tem é o seu próprio corpo. Cuide dele com carinho. Essa “desculpa” aí em cima pode ser usada (como eu já usei várias vezes, eu confesso), apenas por fraqueza, mas eu tenho certeza que você é mais forte que a “desculpa”.

Os autores também nos falam sobre o respeito consigo mesma – e isso sem nem contar com a questão da castidade. Com certeza você conhece alguém que viveu ou vive um namoro abusivo, ou pode até mesmo ter vivido em um. Infelizmente este tipo de relacionamento é mais “normal” do que imaginamos ser. Um relacionamento abusivo é aquele onde um dos dois proíbe o parceiro de fazer qualquer tipo de coisa, que persegue, que não acredita em nenhuma palavra, que pede “provas de amor” o tempo todo, que é obsessivo, que realmente faz uma lavagem cerebral no outro. E sair de um relacionamento desse tipo é dificílimo. Muitas pessoas não se sentem amadas (verdadeiramente) pelas outras, e basta um homem (vou falar aqui no caso da mulher, mas isso pode variar, claro) dar um pouco de atenção, que a moça já imagina que ele é o amor de sua vida. Muitos desses homens podem ter más intenções, e não tratar a mulher com a dignidade e respeito que ela merece. Começa então a lavagem cerebral do tipo “se você não ficar comigo, não ficará com mais ninguém”, ou “somente eu te amo” (fazendo com que a mulher acredite piamente que sua família ou amigos não a amam). Infelizmente isso é decorrente, e não cabe a nós julgarmos a mulher de não conseguir sair de um relacionamento desse tipo. Mas fiquemos atentas para que nós mesmas não caiamos em ciladas como essa. Isso não é amor. Isso é possessão, escravidão.

“Psicólogos afirmam, com frequência, que a maioria das pessoas jovens está no estágio operacional concreto de pensamento. Isto significa que a maioria delas não tem ideia de como as decisões que tomam agora irão afetá-las no futuro” (p. 166).

Bem interessante também que por mais que o livro tome testemunhos muito fortes de mulheres que já vivenciaram diversos tipos de situações, Crys e Jason dão dicas para quem está começando a descobrir sua sexualidade, afetividade. Dicas como “não ficar”, valorizar seu corpo através de sua vestimenta, lembrar do valor que tem um beijo, lembrar também que não existem amigos com vantagens (sério, isso não existe!), a discrição na hora de se vestir (modéstia)…

As dicas vão além, e continuam incentivando as pessoas que já tiveram relacionamentos longos, traumáticos, difíceis, abusivos, e também para quem já “brincou de casinha” – isto é, morou ou mora com seu parceiro antes do matrimônio – a rever sua própria história, para que a partir desse momento possa tomar um rumo diferente na vida. Se for para terminar um namoro, termine! Se for para continuar, se seu relacionamento não tiver abusos (físicos, sexuais ou psicológicos), continue, e escreva uma nova história a partir de agora. Sempre vale a pena recomeçar. Lembre-se disso.

Minha opinião: A leitura foi extremamente forte para mim. Eu levei meses para conseguir terminar, pois eu não conseguia ler mais de um capítulo sem chorar rs. Como eu disse, ganhei do David antes de começarmos a namorar. Antes de começarmos o namoro, fizemos um caminho de namoro. Se você não sabe o que é isso, explico: é um período (às vezes de 3 meses, às vezes 6 ou mais), onde as duas pessoas se conhecem de modo mais profundo, conversam sobre tudo, contam coisas de seu passado, perdoam seu próprio passado (e o passado do outro, caso seja). E nesse período, elas decidirão se irão estabelecer um relacionamento de namoro, ou se irão continuar apenas amigos. Não é um tempo de “ficar”, mas sim de conhecer o outro com profundidade. É um tempo muito bonito, e se eu pudesse indicaria a todos a experimentar. Enfim… Durante este caminho de namoro, eu li o livro que ele me deu, e olha… Foi um tapa na cara atrás do outro haha.

Eu vivenciei um relacionamento abusivo (psicológico, moral, espiritual e físico), e em minha cabeça, a culpa havia sido minha, e somente minha. Mas vou contar um segredo: quando se está em um namoro abusivo, a culpa nunca é somente de uma pessoa. E eu nunca havia me perdoado por N coisas (que não vem ao caso). Este livro acabou me transformando, acabou me abrindo os olhos, e me fez enxergar que não estou sozinha no mundo. Que infelizmente esse tipo de coisa acontece, que todos nós somos seres que erramos, mas que podemos começar do zero. Podemos sempre pedir o perdão a Deus, pedir perdão a nossa família e amigos, e nos perdoarmos. O processo é lento, é difícil e doloroso. Mas não é impossível. Basta ter a força de vontade, e se precisar, pedir a ajuda de amigos, familiares, de um padre, um psicólogo, um conselheiro, um formador espiritual.

Claro que conheço outras pessoas que viveram / vivem namoro e casamento abusivo. Antigamente eu falava coisas como “a pessoa não sai do relacionamento porque não quer”, ou “será que a pessoa é burra de ficar nesse tipo de relacionamento?”. Hoje parei com essas frases. Não há sensação pior do que ser desrespeitada dentro de sua própria casa e não conseguir fazer nada, não por “não querer”, ou por “ser burra”. Mas por não ter coragem (por causa de ameaças), por realmente acreditar que o outro irá mudar (como sempre promete), ou por não entender que se está nesse tipo de relacionamento. Isso acontece! Em uma das partes do livro, os autores até dizem para “seguir sua intuição”. Se a nossa intuição está dizendo que tal ato está errado, por mais que as pessoas (ou o seu namorado / cônjuge) diga que é um período, que vai passar, ou que foi somente um “surto” que teve… Comece a analisar a fundo. Converse com a pessoa, entenda o que aconteceu em sua raiz. Fique atenta aos sinais. Garanto que eles são visíveis (para o bem ou para o mal).

E o principal: não tenha medo! Particularmente eu tive muito medo. Mas não é o fim do mundo; na verdade é uma libertação. Se você percebe que está vivenciando tudo isso, não caia na conversa de que a pessoa irá mudar, principalmente se você não vê os sinais, se você não vê a mínima mudança em seu comportamento. Não volte atrás. Se você foi ameaçada, entre com processos judiciais, mas não se cale. Nunca. Cada mulher (ou homem) que fica calada diante de um abuso, é uma família a mais que sofre. Porque sim, a família inteira sofre com a situação.

Por fim… Acho que já deu para perceber que eu amei o livro, não?! Se eu pudesse dar esse livro para todas as mulheres que eu conheço, eu faria isso! Sei que ficou gigante a postagem (tanto que tive que dividir em dois dias), mas eu não falei 10% de tudo o que o livro me ensinou. Então, permita-se dar esse livro de presente, ou presenteie alguma mulher. Você pode até salvar uma vida (sério)! 😉

Oração final do livro

“Ouça minhas palavras lentamente, de tal modo que elas possam penetrar em seu coração. Não perca a esperança em Mim. Confie somente em Mim e não se desespere. Meu amor jamais faltará a você. Eu sei como você deseja um amor perfeito. Saiba que este desejo – e a sua realização – vem somente de Mim. Dê-Me seu coração inteiramente todos os dias. Faça de Mim o objeto de sua esperança. Se lhe falta paz, isso mostra que você não confia plenamente. Na medida em que você conhece Meu amor, irá confiar em Mim. A paz que você deseja somente pode ser encontrada em Meu sentimento por você. Se você sente dor, ansiedade ou preocupação, entregue-Me imediatamente seu coração. Entregue-Me aquelas pessoas, aqueles planos e aqueles interesses que pesam sobre você. Entregue-Me o passado, o presente e o futuro. Eu purificarei seu coração de tal modo que você possa viver com a graça e cumprir minha santa e perfeita vontade de um espírito de regozijo. Tenho visto sua fragilidade. Venha a Mim sem hesitação durante seu tempo de necessidade e Eu irei saciá-la com Minha força divina e amor. Medo, não. Seja paciente e saiba que as águas agitadas de sua alma irão se acalmar novamente. Não seja melancólica. Regozije-se em seu sofrimento. Se ao menos você pudesse ver o quanto nossos corações se tornaram envolvidos! Se ao menos pudesse saber a alegria com que esperei por você. Não irei mostrar-lhe exatamente agora. Eu quero ver sua fé. Eu lhe dei a graça. Aceite-a e glorifique ao Meu Pai.” (p. 368/9)

Resenha – Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma [Parte 1]

Olá, tudo certo com vocês? Comigo sim!

Hoje irei falar um pouco (bem pouco, acredito, pois o livro é muito mais do que irei escrever aqui) sobre o livro “Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma”, do casal Jason e Crystalina Evert, publicado pela editora Canção Nova (2014, 394 p.). Eu ganhei este livro de meu namorado, David, quando ainda não namorávamos rs. Falarei um pouquinho sobre isso mais abaixo, em “Minha opinião”.

PS: Esta resenha terá que ser dividida em duas partes, uma hoje, dia 25. E a outra parte amanhã, dia 26, no mesmo horário (às 20h).

PS 2: Esta resenha também poderia ser chamada de “Carta aberta”. Hoje, dia 25, faz 5 meses que estamos namorando, e este é um “presente” a ele ❤

O livro nos apresenta 21 “segredos para mulheres”, como está descrito na capa do livro. Na verdade são vinte e um conselhos de um casal que ministra palestras sobre namoro, relacionamentos em geral, castidade e sexualidade. Estes conselhos vêm acompanhados de vários testemunhos que o casal recebeu de diversas pessoas, ao longo de suas palestras. Esses testemunhos vão desde namoros abusivos, até a vontade incondicional de mudar de vida, para assim reencontrar sua verdadeira paz interior e ter um encontro pessoal com Deus.

Jason e Crys (vou chamá-la assim) já começam o livro nos apresentando uma lista de dez principais homens a serem evitados. São eles:

  1. O vira-casaca
  2. O sujeito problemático
  3. O hormônio ambulante
  4. O adulador criminoso
  5. O controlado obsessivo
  6. O sujeito mais velho
  7. O “boca-suja”
  8. O traidor chorão
  9. O anão espiritual
  10. O Senhor-eu-não-tenho-habilidades-sociais-o-bastante-para-encontrar-meninas-sem-a-internet

Pois é! Tópicos fortes, não? Mas é só o começo. Inclusive, devo destacar que os autores são muito, muito duros… Mas sinceros. Não irei falar sobre cada um desses tipos de homens, mas destaco dois, o “hormônio ambulante”, e o “controlador obsessivo”. Acredito que a grande maioria das mulheres já conheceu homens assim, seja como amigos ou namorados. Bem, o Hormônio Ambulante, nada mais é do que aquele garoto adolescente (e isso não quer dizer de 14 a 19 anos, mas uma “adolescência mental”) que só se importa com o corpo de sua parceira, que não se importa com seu interior, com seu espiritual, com nada. É aquele que tem como meta sua própria satisfação, à custa das mulheres. Normalmente ele usará frases com a sua parceira, do tipo “Eu vou achar que você não se sente atraída por mim se não fizer isso comigo” (p. 27). Além de ter seus hormônios à flor da pele, ainda tenta de todas as formas deixar sua parceira desconfortável. Já o Controlador Obsessivo, é aquele que te persegue em todos os lugares, e não confia em você para nada. Algumas pessoas podem confundir esse tipo de homem com “ciumento”, mas o Controlador Obsessivo irá além do ciúme: ele te interroga sobre tudo e todos, ele dá golpes em coisas para descontar sua raiva, seu humor oscila entre doçura e egoísmo, ele quer que responda às suas mensagens imediatamente… E por aí vai. E quando você tenta se livrar dele, ah! Ele fará de tudo para que você acredite que não pode mais viver sem sua presença, ou que ele irá cometer suicídio, ou pode até mesmo tentar te dar uma aliança de noivado, para que assim você não tenha “muita escapatória”. Mas amiga, senta aqui. Você tem escapatória sim. E te aviso: se está em um relacionamento assim, saia enquanto há tempo.

Se você, leitora de meu blog (digo leitora, mas se você for homem, serve também para você, ok? 😉 É que este livro é beem voltado para o público feminino), está à procura de um namorado, vou te dar uma dica, que Jason e Crys também dão no livro: tenha um objetivo! Namore com algo em mente. Eu tenho certeza que você já vivenciou algum relacionamento que não foi tão legal, e que não era chamado de “namoro” por você, pela pessoa, ou por seus amigos e familiares. Teve, digamos um “rolinho”. E aí… O “rolinho” acabou. Ficaram marcas, mágoas, ou um pequeno traço de rancor? Ficou ao menos uma lembrança meio incômoda? Eu te entendo. Mas vai por mim, a partir de hoje, insista e persista em ter relacionamentos duradouros, que realmente valham a pena. Será melhor para você, para seu parceiro, para sua família. Para que isso aconteça, comece com uma base sólida de amizade. Não comece um namoro do nada, com uma pessoa que você mal conhece. Conviva com essa pessoa, e principalmente seja você mesma. Ele irá se apaixonar e te amar de verdade se você for transparente, e mostrar a ele quem você realmente é.

“O amor autêntico exige tempo. A pessoa precisa ter paciência, porque o amor, por si mesmo, é paciente”. (p. 63)

Outra dica, que pode parecer estranha, mas é muito verdadeira: “Somente se comprometa com um rapaz, se puder ver-se casando com ele” (p. 64). Uau, hein?! Você deve estar pensando que é exagero, mas te digo que não. Se você já passou pela fase da amizade, e percebeu que há algo a mais entre vocês, porque não começar a pensar num relacionamento? E isso inclui sim o casamento. Quando se namora, namora-se para casar, não é?! Quando você namora alguém sem pensar no futuro, qual é o objetivo? O namoro deve ter uma finalidade, e não há finalidade melhor que o matrimônio. Se uma garota namora um rapaz “só por namorar” é porque não há respeito entre eles. Um relacionamento que não vai em direção alguma, em boa parte tende a fracassar, ou a deixar marcas muito profundas (talvez até traumas). A mulher sai machucada e o homem também! E depois disso, pode ser muito difícil investir em um novo relacionamento sem ficar constantemente relembrando os maus momentos do namoro anterior. E cá entre nós, acho que ninguém quer isso, não?

Amanhã, a segunda parte… 😉  E está bem interessante!