Resenha [Livro] A girafa, o pelicano e eu | Roald Dahl

Oi pessoal, tudo bem?

Faz tempo que não falo sobre Roald Dahl por aqui! Ok, na verdade, faz tempo que não volto para resenhas haha. Ontem, meio assustada com aquela história toda de “Momo” (aquele bicho horrendo, que dizem estar aparecendo nuns vídeos infantis), eu não conseguia dormir. Sim, fico meio assustada, meio impressionada com algumas imagens, até hoje! Quando era criança, não dormia por medo do Linha Direta (vocês lembram desse programa? Morria de medo, mas queria sempre assistir rs. Vai entender). E hoje, pelo jeito, não durmo por causa da “Momo”. A questão é que decidi pegar um livro infantil, bem levinho, para que tivesse bons sonhos. Não adiantou muito (pois é, sonhei com a boneca do capiroto, fazer o que), mas fez com que eu pegasse no sono.

A Girafa, o Pelicano e eu (editora WMF Martins Fontes, 2016, 79 páginas), escrito pelo grande autor Roald Dahl, nos apresenta, além desses dois personagens do título (a girafa, o pelicano… rs), o Billy, que é um garotinho curioso e desejoso em ter uma loja de doces, o macaco e um senhor muito rico, proprietário da maior mansão da Inglaterra. Billy queria muito comprar uma casa que ficava perto da dele. Uma casa bem grande, que tinha uma placa escrita “O Grude”. No passado havia sido uma casa de guloseimas, mas infelizmente estava fechada. Até que, pouco tempo depois, passando em frente, encontrava-se uma placa com a descrição “vedida” (sim, assim mesmo…). Ele começou a escutar uns barulhos estranhos dentro da casa, e foi descobrir que aquela grande casa fora vendida à girafa, ao pelicano e ao macaco! Aquele local, é agora a Companhia de Limpeza de Janelas sem Escada! Mas como é que eles conhecem o homem mais rico de toda a Inglaterra?

Minha opinião: Para mim, Dahl é um dos melhores autores do mundo infantil. Apesar de não ter lido tudo que ele escreveu, admiro demais o modo como ele chama a atenção do leitor (da minha criança interior haha). Esse livrinho em particular me descansou para as coisas chatas da vida. Fez minha imaginação voar novamente. Você não encontrará aqui uma grande lição de vida, uma “moral da história”. Mas encontrará um refúgio para dias nem tão bons, para noites em que não consegue dormir por conta de pesadelos rs.

Título: A girafa, o pelicano e eu

Autor: Roald Dahl

Editora: WMF Martins Fontes, 2016

Páginas: 79 p.

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Resenha [Livro] – Santa Teresinha

Oi pessoal, tudo bem?

Enfim, volto à minha rotina de leitura. Não estou lendo tanto quanto antes, mas estou voltando aos pouquinhos. A resenha de hoje é sobre o livro que faz parte do Desafio Literário 2019 – Bibliotecária Leitora e Submerso nas Palavras. Se você não sabe do que estou falando, clique aqui 😉

Santa Teresinha, nascida como Marie-Françoise-Thérèse Martin, teve como cidade natal Alençon, que fica na Normandia (norte da França). Nasceu no ano de 1873, sendo a caçula de nove irmãos. Sua família era muito humilde e piedosa, e seus pais, em sua juventude, sonhavam em seguir uma vida religiosa. Mas a vontade de Deus foi outra: fazer de seus filhos religiosos, e fazer de toda sua família, santa. Sua mãe falecera muito cedo, e seu pai foi um dos maiores incentivadores da filha mais nova.

“Minha união com Jesus não ocorreu em meio a relâmpagos e trovões, isto é, não se deu por meio de graças indescritíveis; pelo contrário, ela aconteceu em meio a uma brisa suave” (p. 44)

Teresinha entrou para o convento com quinze anos, depois de muita luta (e insistência! rs, mas claro, isso já estava no coração de Deus), e aos poucos foi também conquistando o coração das demais Irmãs do Carmelo. Seu pai ficou adoentado, mas ainda pôde ver as grandes alegrias e graças que Deus realizou na vida das filhas.

“Quem troca a família e a vida leiga pelo convento e pela vida religiosa se sacrifica, se imola, mas esse abandono não implica a negação da vida. Pelo contrário, manifesta-se aí a busca da vida eterna, da comunhão com o Senhor, da entrega a Deus para que Ele disponha do ser ‘imolado’ da forma que melhor atenda a Seus desígnios” (p. 46)

Este livro faz parte da Coleção Santos da Nossa Vida, da editora Petra. A coleção tem cinco livros: Santa Teresinha, Nossa Senhora Desatadora dos Nós, São José, Santa Rita de Cássia e Santo Antônio. Todos eles vêm com imagens muito bonitas, ilustrações e fotos coloridas e em preto e branco. É de conteúdo simples (leitura bem fácil), mais para apresentar algumas devoções de forma rápida. Para aprofundar em determinado santo ou devoção, posso indicar outros, em outras postagens.

Porém, como não conhecia quase nada da vida de Santa Teresinha, gostei de ter começado por este, que dá uma visão geral de como foi a vida da pequena flor.

No final do livro podemos encontrar algumas orações, como o Hino a Santa Teresinha, sua Novena e a famosa Oração das Rosas (que por sinal é linda!)

Se você não sabe, eu e o David temos um terceiro blog (ô povo pra gostar de blog! Mas meu Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade foi sobre isso… E meu amor já vem muito antes disso rs), chamado Evangelizando a 2. Então, se você se interessa por assuntos ligados à religião católica, em especial indicações de livros e filmes, visite-nos!

Título: Santa Teresinha

Autor: –

Editora: Petra / Coleção Santos da Nossa Vida

Páginas: 79 p.

Resenha [Livro] Filosofia em quadrinhos para principiantes

Oi pessoal, tudo bem?

No livro Filosofia em quadrinhos para principiantes, da autora Margreet de Heer (sendo o ilustrador, seu marido Yiri), somos apresentados a alguns pensamentos filosóficos, passando pelos pilares da Filosofia Ocidental e Medieval, e por alguns filósofos em particular, como Spinoza.

Logo de cara já somos perguntados “O que é o pensamento?”; “Que tamanho tem o espaço?”; “O que é o infinito?”… Margreet usa de uma linguagem própria, onde ela mesma é a personagem, e explica o que ela imaginava quando tinha seus nove anos, dezoito anos… E o que sabe hoje! Ela nos pega pelas mãos e vai conversando conosco – e com seu marido, que, como já disse, é o ilustrador… e também personagem rs.

Além de falar sobre o Pensamento, mostra um pouco sobre o que é a Autoconsciência, o Raciocínio Lógico, o Pensamento Abstrato, a Linguagem, o Humor, e os Símbolos.

Depois de falar da vida de cada filósofo, como os desenhados acima, também nos ensina sobre seu Discurso, sempre dando exemplos.

Mas uma das partes que mais me chamou a atenção foi quando Margreet citou Harry Potter! E a resposta a um personagem cético, quando pensa que Rowling não poderia ser levada em conta rs:

“Sim, por que não? A sabedoria não é exclusividade dos escritos de filósofos, sabia?” (p. 51)

Vibrei quando ela citou HP! E claro, concordei totalmente com seu pensamento. Vejo tantas e tantas pessoas  que não são formadas em filosofia, ou em qualquer outra área, muito mais sábias do que as que são formadas.

De forma muito clara e divertida, a autora vai nos direcionando à ideia de que nós (que não somos formados! rs) podemos ter nossa filosofia pessoal, isto é, concordar com a ideia de algum filósofo, ou vários deles, muitas vezes sem nem sabermos.

Gostei bastante do livro. Sempre quando leio coisas assim, fico com vontade de me aprofundar em alguns autores ou filósofos. Isso seria bom, afinal o David é formado em filosofia rs.

Título: Filosofia em quadrinhos para principiante

Autor: Margreet de Heer / Ilustrador: Yiri

Editora: Cultrix

Páginas: 119

Resenha (Livro) – Risco escuro na claridade | Maiky da Silva

Oi pessoal, tudo bem?

“Decidi ser louco num sábado qualquer, num dia ordinário, numa data comum”.

É assim que o autor começa seu livro (ele tem um dom pra começar de forma impactante, que vou te contar. Digo isso por causa de um outro livro, que, bem… Não iremos falar dele hoje. Foco!). O livro Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas, também disponível na Amazon (2018, 61 p.) é do mesmo autor que já falei na semana passada (veja a resenha aqui), o Maiky da Silva. Essa ficção irá ter seus capítulos nomeados “Carta”, e não diário, pois como o personagem mesmo diz, os diários são muito cheios de “eu”. E ele irá contar a história das pessoas ao seu redor, e um pouco do que ele via de um “eu” que não era mais “eu”. Parece sem sentido, mas ao ler o livro, você entenderá 😉

Quando se começa um livro daquela forma, já começamos a nos perguntar “gente, mas por que decidir ser louco?”. Logo no primeiro capítulo, o jovem narrador de sua própria história, conta-nos a sua dramatização da loucura, numa família aparentemente “normal” (entre MUITAS aspas). Temos então um balde de água fria, e começamos a nos perguntar o porquê de tudo aquilo… Para sermos acalentados – ou não – com as respostas na segunda carta, ou segundo capítulo: as explicações chegam de forma nada agradável. Somos jogados como bolinhas de ping-pong a todo o momento. Acompanhamos seus pensamentos de “culpa”, de um apego desnecessário, mas real, àqueles que não lhe fizeram tão bem assim, como o acompanhamos em seus pensamentos de razão e coragem ao encarar de frente sua realidade nada tranquila. E tudo isso numa escrita crua, sem um pedido de piedade, sem um sentimentalismo que poderia muito bem ter sido feito (mas que graças a Deus, não foi!).

“Sonhar, quando não há vida, é uma maneira de sobreviver”.

Sobre a história eu só posso dizer que ficamos sabendo de sua infância, do que houve com seus pais e sua avó, de como ele foi parar naquela casa onde inventou sua loucura. Quem nos conta a história é um “eu” mais adulto, longe fisicamente daqueles dias. Mas o quão longe esses episódios ficaram de sua alma? Houve uma construção de um ser humano naquela casa, naquela situação? Ou houve uma desconstrução de tudo o que poderia ter sido?

Vocês sabem que eu gosto muito de relacionar uma leitura à outra, ou a um filme, uma música… Então eu farei isso… Estou cheia de indicações, de pensamentos, cheia de querer falar! Não sei se isso é o ideal. Em algumas situações é melhor falarmos pouco. Mas é impossível, ao ver o tipo de escrita, tão crua e tão real, e que vai direto ao ponto, eu não me lembrar do seu oposto, o Lemony Snicket. Maiky não tem medo de ser mal entendido: seu personagem fala, e está lá, entenda quem e como quiser. Já Lemony, não por se tratar de uma série infanto-juvenil, mas pelo sarcasmo ser o seu estilo literário, nos provoca exatamente quando tenta ser engraçado ou autoexplicativo. Num mundo em que ao falar um “A” você já é julgado pela forma com que falou, colocar altas doses de ironia e deboche é além de provocação, uma crítica escancarada ao politicamente correto. É legal quando pegamos textos mais cruéis para lermos! Eles vão contra a maré, eles nos instigam a ler a verdade, doa a quem doer. Lembrei muito também da escrita de Eliane Brum, de Lygia Fagundes Telles, de Lya Luft. Todas essas incríveis mulheres escrevem de forma provocativa. Eu amo isso!

“Desejava a loucura, a morte. Mas era a vida que queria. Era a vida.”

E vocês também sabem que quando é para falar de um livro que gosto muito, eu acabo me perdendo hahaha Mas hoje me prometi que iria fazer algo mais decente, e como o livro não é tão longo, acho que irei conseguir. Porque se fosse contar mais do que já falei, ia entregar a história toda. Apesar que o grande Q da história é você saborear as palavras, se colocar no lugar do protagonista. Eu vou ser sincera… Tentei me colocar no lugar dele, numa casa “normal”, na situação em que ele se encontrava. Eu não teria coragem! Não teria coragem de fazer o que ele fez, fingir uma loucura. Talvez algum dia eu enlouquecesse de verdade, ao não fingir endoidar. Talvez o que ele tenha feito (gritado, esperneado, rido naquela altura) tenha sido o correto.

“O inferno não são os outros. Os outros são só indiferença”

Ainda vemos o sentimento de culpa que fica no personagem, mesmo depois de anos. Ao contar a história a nós, vez ou outra, o protagonista nos fala de tudo o que recebeu da família, de tudo o que fizeram por ele, mesmo não sendo obrigação. E logo em seguida já joga em nossa cara o que fizeram de ruim. Então, como leitora, fiquei numa corda bamba, ao não conseguir tocar em nenhum dos lados (bom ou mau) de sua família. Vinha um toque de “Síndrome de Estocolmo” rs, e ao mesmo tempo vinha em minha mente: “Como seres humanos eles eram obrigados SIM a cuidar de forma decente do menino! Não devo sentir pena ou ser compactuada com as ações deles. Devo ficar do lado dele!”.

“Ao princípio do trabalho, o modelo inglês acrescenta, como condição essencial para a correção, o isolamento. O esquema fora dado em 1775, por Hanway, que o justificava em primeiro lugar por razões negativas: a promiscuidade na prisão dá maus exemplos e possibilidades de evasão no imediato, de chantagem ou de cumplicidade para o futuro” (…) Em primeiro lugar, o rtorno temporal da punição. Os ‘reformatórios’ se dão por função, também eles, não apagar um crime, mas evitar que recomece. São dispositivos voltados para o futuro e organizados para bloquear a repetição do delito.”
(p. 141/5) no livro Vigiar o punir, de Michel Foucault.

Por último… há o que chamam de sensação de falta de pertencimento, seja no universo, na sociedade, na família. É quando você não se sente incluído em nenhum grupo, como que se deslocado, não se sente seguro em nenhum lugar. Mas você já se imaginou não pertencer a si mesmo? Já imaginou não se sentir pertencente ou dono de algo tão íntimo, tão seu, que são seus pensamentos, atos, palavras, sanidade, alma? Essa foi a sensação final ao ler o livro. Você fingir uma loucura, perceber que em alguns momentos de seu dia faz algo “sem querer”, e vê seu equilíbrio mental indo embora. Qual seria a sensação? E a quais atitudes esses pensamentos me levariam?

Título: Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas

Autor: Maiky da Silva

Editora: Amazon, 2018.

Páginas: 61 p.

Disponível aqui!

Resenha [Livro] – Coro infante ao pássaro – Maiky da Silva

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim apresentar um dos meus favoritos do ano até agora! E não poderia ser outro, se não um de poesias! Como eu sentia falta de ler boa poesia… Para quem não me acompanha sempre, talvez não saiba, mas uma das minhas leituras favoritas do ano de 2016 foi o box do querido poeta Passarinho, ou Manoel de Barros. Mas não é sobre ele que irei falar, mas sim de alguém que me lembrou muito (e comentei isso com o autor).

Coro infante ao pássaro (e-book disponível na Amazon, 2018, 82 p.) é do autor Maiky da Silva, que já tem outros dois livros publicados também na Amazon. Ele é um poeta das miudezas, aquele que nos apresenta o cotidiano com uma calmaria, uma simplicidade… Um livro que não consegui parar de ler, mas ao mesmo tempo não queria que terminasse nunca.

São escritos repletos de sutileza, suavidade, que nos remetem logo à infância, ou à melhor época de nossas vidas. Aquele tempo em que não queríamos que o tempo passasse. Que as coisas estavam boas demais, para que o amanhã viesse. Aqueles dias em que, se pudéssemos, o relógio congelaria, e tudo ficaria daquela maneira, por tempo indeterminado. Esse é o sentimento que fica ao ler suas poesias.

A forma como ele escreve também me lembrou muito Mario Quintana e Adélia Prado, por falarem do cotidiano, do “comum”. Vocês já perceberam que o mais comum é o mais extraordinário? Que é nas entrelinhas de nosso dia-a-dia que encontramos com a poesia?

Domingo

Diga-me qualquer névoa,
discurse sobre qualquer quimera.
Permito até que pise em meu pé,
o pé que a unha comeu.
Ah, diga alguma coisa,
sorria de algo e depois me conte.
Parece a semana só ter domingos,
desses domingos ausentes,
sempre tão martes e sem fim.
Ah, alguém me belisque,
ou então me ofereça o braço.
Estou cansado desses mormaços.
É domingo,
e eu procuro alguma reação.

(Uma música para vocês ouvirem, que me fez lembrar muito o livro do Maiky)

Na poesia Silêncio, que foi uma que me arrancou lágrimas, ele nos diz assim: “Mas não é um encontro a descoberta da perda?“. E isso me lembra tanto Clarice (Lispector) e suas descobertas interiores! Quando encontramos a nós mesmos é porque deixamos algo para trás! E isso é tão verdadeiro e profundo. Ainda na mesma poesia: “Porque memória nenhuma me soa plena: / vai desbotando, se adaptando“. E não é? E não adaptamos as coisas conforme nossa comodidade, ou metamorfose, ou conforme o perdão que damos ou deixamos de dar?

Enfim… Sabe aquele tipo de poesia que cada vez que você lê, você descobre algo novo? Cada verso é adaptado conforme nosso estado de espírito? Mais ou menos o que acontece comigo quando ouço essa outra música.

Maiky também tem um olhar muito sensível para a fotografia. Você pode segui-lo pelo Instagram.

Ah! Última indicação que faço, prometo: O estilo de poesias é mais ou menos igual ao de Manoel, como já falei. Então ouçam o Odilon Esteves recitando uma poesia do “Passarinho”. Gente, lembra muito!

Queridos leitores, leiam esse livro. É uma indicação que faço de todo o coração, e com força. Ele está disponível para o Kindle Unlimited, ou se não for assinante, pode adquiri-lo por 1,99 😉

Título: Coro infante ao pássaro

Autor: Maiky da Silva

Editora: Amazon, 2018.

Páginas: 82 p.

Disponível aqui!