Resenha [Livro] O papai é pop – Marcos Piangers

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje venho indicar uma leitura bem gostosa, divertida e sensível: O papai é pop (Belas Letras, 2015, 112 p.), de Marcos Piangers.

Neste livro de crônicas, o autor, com muita sensibilidade, mostra ao leitor o lado maravilhoso – às vezes nem tanto – da paternidade. Marcos tem duas filhas, Anita e Aurora, é esposo de Ana, é palestrante, escritor e pai – principalmente. Logo na primeira crônica, o autor nos conta como veio ao mundo: querendo de início ser abortado. O homem que engravidou sua mãe não quis assumir o compromisso de ser pai; sua mãe estava insegura, e segundo Marcos, não é algo extraordinário: Muitas pessoas não querem ser pais nesse mundo catastrófico. Porém…

“Naquele fusca barulhento, naquela terça-feira chuvosa, naquele sinal vermelho na subida de um morro minha mãe achou melhor voltar pra casa. Depois ela ligava para remarcar. E depois foi ficando pra depois, e ela foi dando um jeito, e eu acho que conseguiu um emprego, e a barriga foi crescendo, e a barriga era eu. E eu nasci. E minha mãe foi meu pai. E tenho certeza que não foi fácil pra ela, mas aqui estou eu.”

Todas as crônicas são inundadas com a singeleza que o Marcos já nos oferece em seus vídeos (abaixo, alguns rs), são divertidas pelo modo como são contadas, e são simples porque fazem parte de nosso dia-a-dia. Ele não romantiza a paternidade, não deixa de apresentar a parte “não tão boa” em ser pai – e quando digo pai, é PAI mesmo, ok?

“Ser pai jovem está na moda porque as fotos ficam lindas nas redes sociais. Mas quando você está num evento rodeado de mochilas, fraldas, panos pra limpar o nariz e chupetas, as pessoas te olham com pena. (…) Toda vez que eu levo minhas filhas pra qualquer evento fica aquele clima: ‘Puxa vida, cara. Hoje tu tá de babá?’. E eu adoro responder: ‘Não. Tô de pai’.”

Emociona-nos (a mim, em particular, já que nosso bebê está há menos de um mês para nascer!) o modo como a paternidade é tratada: com diversão, com emoção, com prazer. Ouço muito (e nesse período, tenho ouvido ainda mais), muitas mães falarem sobre as mazelas da maternidade, as noites mal dormidas, a dor do parto, o choro constante do bebê, a teimosia da criança quando tem seus 3 aninhos. Mas isso são coisas que bem antes de engravidarmos, nós já sabíamos! Ninguém engravida com o intuito de dormir mais, de não ouvir choros; mas sim pensando no prazer e na emoção em que é colocar um ser vivo no mundo. Não por mérito seu, mas por graça divina. Engravida-se pela vontade de fazer o melhor para o mundo, de dar esperança ao nosso próprio futuro.

E como é bom lermos livros que reativam nossa vontade de mudar as coisas, de melhorar o mínimo que seja, de fazer nossa parte para que o mundo deixe de ser um lugar tão escabroso que tem se mostrado.

“Limpar xixi no chão da sala é deplorável. Mas mais deplorável ainda é uma casa sem risadas de criança.”

Vídeo Amadores

Vídeo O valor das coisas

Vídeo Fale de sentimentos

Tem também um vídeo que eu amo, que é da Flávia Calina (que também amo!), onde ela fala sobre sentimentos…

Ainda em tempo: o prefácio é ótimo, e foi escrito por um autor que também admiro: David Coimbra. Leia, divirta-se, chore com o Piangers – “Mas aí, cuidado, não o faça na frente do Piangers, ele pode achar piegas. Ninguém pode ser piegas perto do Piangers”, nas palavras de Coimbra.

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Título: O papai é pop, 2015

Autor: Marcos Piangers

Editora: Belas Letras

Páginas: 112 p.

Resenha [Livro] Vamos dar a volta ao mundo? – Marina Klink

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje venho indicar um livro direcionado ao público infantil, que estará disponível em sua versão digital, até dia 06 de abril (próxima segunda feira) na Amazon! Clique aqui para ter acesso!

Vamos dar a volta ao mundo?: Conhecendo nosso planeta com a família Klink (Companhia das Letrinhas, 2018, 40 p.), da autora Marina Klink e ilustrado por Cárcamo, conta de forma bem fácil e deliciosa sobre alguns costumes que a família Klink tem ao viajar, e sobre os lugares que já viajaram mar adentro – literalmente!

Para quem ainda não ligou o nome à família rs, Marina é casada com Amyr Klink, o grande navegador brasileiro que em 1984 cruzou o Atlântico Sul a remo, sendo o primeiro brasileiro a realizar o feito. Aliás, já falei de alguns livros dele por aqui, e indico que leiam as resenhas, mas principalmente os livros! Abaixo deixo o link para que você acesse as resenhas completas!

No livro, a autora nos conta que cada um é responsável por algo em suas viagens: Marina, por exemplo, é responsável por contar sobre os bichos que eles veem (se eles são perigosos, mansinhos, o que gostam de comer…), além de ser responsável por fotografar tudo. Já a Tamara (filha) é aventureira; a Laura (filha) adora ir ao deserto; e a Marininha (Filha) gosta dos lugares frios.

Trecho do livro, disponibilizado pela Amazon

O livro todo é repleto de ilustrações lindíssimas (como já citei, do ilustrador Cárcamo), e ao final, temos acesso a algumas fotos das viagens da Família Klink pelo mundo.

Aliás, a família é bem ativa no Instagram (digo essa rede em específico, pois já os sigo há um tempo rs). Abaixo, deixo o link de cada um deles para que você possa segui-los também e ter acesso às belíssimas fotos (ilustrações da Tamara e poemas da Laura, que eu amo!).

Marina Klink

Marina Helena Klink (Marininha)

Amyr Klink

Tamara Klink

Laura Klink

Resenhas dos livros de Amyr:

Não há tempo a perder, Amyr Klink (depoimento a Isa Pessoa), editora Tordesilhas

Cem dias entre céu e mar, Amyr Klink, editora Companhia de Bolso – VÍDEO

Cem dias entre céu e mar, Amyr Klink, editora Companhia de Bolso – ESCRITA

Site da autora Marina Klink

Título: Vamos dar a volta ao mundo?: Conhecendo nosso planeta com a família Klink

Autora: Marina Klink

Editora: Companhia das Letrinhas

Páginas: 40 p.

Resenha [Livro] O conto da ilha desconhecida – José Saramago

Oi pessoal, tudo bem?

Essa última semana eu reli um livro pela terceira vez, e ainda não entendi muito bem os efeitos que ele tem sobre mim! rs. Isso acontece com vocês também? Mais abaixo tentarei deixar essa impressão mais clara.

O conto da ilha desconhecida (1997, 64 p.), do autor José Saramago, lançado pela editora Companhia das Letras, é uma história curta, que nos conta de um homem que vai ao rei lhe pedir um barco, para que possa viajar até uma ilha desconhecida. Chegando ao castelo, não é atendido de imediato, e para que seu pedido seja realizado, tem de esperar três dias… Até o rei perceber que com toda essa espera, seu modo de governar poderia ficar mal falado. De tanto insistir, o homem acaba ganhando o barco que tanto queria.

Minha opinião: Como disse no início da postagem, essa é a terceira vez em que leio. E talvez o que eu sinta com esse livro, é o mesmo que sinto com o livro Bonsai, de Alejandro Zambra. Um sentimento diferente, que sendo feita uma leitura rápida (coisa que não é difícil, já que o modo como Saramago escreve, facilita o processo rs. Não tem muitos pontos finais, mas várias vírgulas. É um modo de escrita rápido pela falta de pontuação), deixamos passar muitas coisas nas entrelinhas. Mas ao nos distanciarmos do livro e de sua leitura, começamos a entender alguma coisa; começamos a ver uma ilha desconhecida ao longe… É como se estivéssemos num barquinho e ao nos aproximarmos da ilha, começarmos a ver a coisa com mais clareza – virando uma ilha conhecida.

“Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não saímos de nós.”

Leia… Reflita sozinho sobre a história. Tenho certeza que irá valer a pena!

Título: O conto da ilha desconhecida

Autor: José Saramago

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 64 p.

Resenha [Livro] Os lobos dentro das paredes – Neil Gaiman

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim indicar um livro considerado infantil, mas que como quase todos os livros infantis, traz uma mensagem incrível.

Os lobos dentro das paredes (2006, 60 p.), do autor Neil Gaiman, conta a história de Lucy, uma garotinha que escuta barulhos estranhos vindos de dentro das paredes de sua casa. Mas ao avisar a seus pais, ninguém lhe dá bola, ou lhe dizem que na verdade são morcegos, camundongos… Para dar crédito à garotinha, no máximo, dizem que:

– De qualquer forma você sabe o que dizem sobre os lobos – falou o pai. – Se os lobos saírem de dentro da parede, está tudo acabado.
– Quem disse isto? – questionou Lucy.
– Pessoas. Todo mundo. Você sabe – enrolou o pai, e voltou a ensaiar com sua tuba.

Até que chega o dia em que o aviso de Lucy se cumpre. A casa é invadida por lobos… E a família passa a morar do lado de fora da casa. O final nos surpreende e nos faz pensar…

Minha opinião: ATENÇÃO, PODE CONTER SPOILER!

Um livro interessante sobre o acreditar ou não na “fantasia” da criança. Quantas vezes as crianças tentam nos avisar de algo que pode acontecer em sua vida, e não darmos bola? E quantas vezes o que ela diz pode ser algo grave? Estamos tão habituados a não darmos importância ao que é importante à criança, que corremos o risco de fazer com que ela também não dê valor até mesmo à sua própria segurança.

SPOILER:  Ao não darmos bola ao que a criança fala pela primeira vez, pode fazer com que ela vá desistindo em nos contar o que a aflige. Tanto que ao final do livro, ao ouvir os elefantes nas paredes, Lucy não se importa em avisar os adultos da casa. Ah, algo bem interessante também: Somente quando a família já está morando dentro das paredes da própria casa – enquanto os lobos ainda estão habitando a residência -, e começam a visualizar o quanto os “lobos” estão fazendo mal às suas coisas pessoais, é que tomam uma providência, é que reagem.

Um livro muito interessante, se forem analisados os sentimentos de medo, insegurança, credibilidade da criança, diálogo entre crianças e adultos

Título: Os lobos dentro das paredes

Autor: Neil Gaiman

Editora: Rocco

Páginas: 60 p.

Resenha [Livro] Como nasceram as estrelas: Doze lendas brasileiras – Clarice Lispector

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje venho indicar um livro infantil, bem do jeitinho que eu amava ler quando era criança. Acredito que lendas e contos populares sempre farão parte de qualquer cultura. E muitas delas, conhecidas mundialmente, mudam conforme o país ou região que são contados; e nem por isso perdem sua moral ou ensinamento. E assim acontece em “Como nasceram as estrelas: Doze lendas brasileiras“, da autora Clarice Lispector (Rocco, 2014).

A obra em questão foi publicada pela primeira vez em 1987, e reúne doze lendas popularmente conhecidas, como “A festa no céu”, “O negrinho do pastoreio”, “Saci Pererê”, entre outros.

O livro é dividido em meses, e cada lenda pode ser lida para a criança no mês correspondente. Em alguns contos, a autora também relaciona o mês com a história. E uma característica em comum é que todos os contos são bem curtinhos, não correndo o risco de a criança que escuta (ou lê) ficar entediada. A história é contada de forma bem direta, e parece conversar conosco.

Edições:

Sempre gostei muito dos livros da Clarice Lispector, sejam eles para o público infantil, adolescente ou adulto. Ah! A edição que li ainda vem com imagens lindas a cada troca de capítulo. A ilustradora é Suryara Bernardi, graduada em Artes Visuais, pela UFG. Veja aqui seu portfólio!

“Era depois do parto, e tudo úmido repousava, tudo úmido e morno respirava. Maria descansava o corpo cansado – sua tarefa no mundo e diante dos povos e de Deus seria a de cumprir o seu destino, e ela agora repousava e olhava a criança doce. José, de longas barbas, ali sentado, meditava, apoiado no seu cajado: seu destino, que era o de entender, se realizara.”

(do conto “Uma lenda verdadeira”)

O trecho acima é de meu conto favorito, o conto de Dezembro, que relata o nascimento de Jesus. Clarice foi tão poética, tão singela, tão humanamente simples, que até me emocionou.

Enfim, indico que leiam para suas crianças, que apresentem essas lendas tão antigas, mas tão bonitas. Não deixem morrer nossa história 😉

Título: Como nasceram as estrelas: Doze lendas brasileiras

Autora: Clarice Lispector

Editora: Rocco

Páginas: 60 p.