Resenha – Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma [Parte 2]

Olá para vocês!

Hoje teremos a continuação da resenha de ontem… (Clique aqui para acessar a primeira parte).

Os autores falam bastante sobre castidade e sexualidade. São tópicos que considero fortes, mas essenciais para a boa vivência do namoro, quando vividos da maneira correta. Você já parou para pensar no por que a Igreja Católica fala tanto sobre a castidade? Já parou para pensar que a vivência da pureza é muito significativa para a dignidade da mulher, e para seu encontro com Deus? E também que de certa forma, a mulher está amando seu esposo antes mesmo de encontrá-lo? Então vamos por partes (serei breve nas respostas, mas insisto para que leia o livro completo!).

  • O que é a castidade? Respondendo a grosso modo, é não ter relacionamentos sexuais antes do casamento (há também a castidade dentro do matrimônio, mas neste momento não vem ao caso. O livro trata do namoro, então vamos falar sobre isso rs).
  • Por que viver a castidade antes do namoro e durante? Em primeiro lugar, o nosso corpo é templo e morada do Espírito Santo. Quando fazemos algo que possa nos machucar (interior e exteriormente), estamos também negando todas as graças que Deus quer para nossa vida. E mais, quando vivemos, por exemplo, uma sexualidade dentro (e até mesmo fora) do namoro, nós, muitas vezes, sem percebermos, estamos nos maltratando. Sabemos de exemplos de pessoas que viveram o sexo antes do casamento e que hoje têm marcas muito profundas e negativas quanto ao assunto. Mas eu não conheço nenhuma pessoa que tenha vivido a castidade antes do casamento, e hoje diga que foi algo ruim.
  • E por que exatamente, há vantagens em ter uma vida casta? Irei elencar três motivos que Jason e Crys citam no livro (há vários outros motivos, acredite em mim). “A castidade traz clareza” (p. 74), isto é, quando nós não nos relacionamos com o parceiro antes do casamento, temos a clara ideia de qual o motivo está nos levando a casar-nos com ele. Sempre, e em todos os relacionamentos, há discussões normais de um casal, seja motivado por ciúmes, ou qualquer outro motivo. (Sim, irei ser bem sincera nessa postagem) Quando não se vive uma vida casta, todos nós sabemos que se usa muito o sexo para a “reconciliação”. Não é usado o diálogo, mas a relação sexual. E isso é algo bom? Isso resolveu alguma coisa? Vocês tiveram uma resolução para o problema? Ou só adiaram, e “empurraram os problemas para debaixo do tapete”? Segundo motivo: “A castidade exalta seus atrativos” (p. 76), ou seja, o olhar do homem para nós é mudado (e vice versa!). Sabemos que os homens são seres muito visuais. Quando não incentivamos o olhar do homem sobre nosso exterior, começamos a ser percebidas pelo nosso interior. E o “vice versa” que coloquei entre parênteses ali em cima: quando a mulher decide que quer se manter casta até o casamento, sua mente já começa a ser atraída não pela beleza exterior do homem, mas pela sua conversa, pela sua personalidade, suas qualidades que vão além de um rostinho bonito rs. E terceiro motivo, “A castidade intensifica a expectativa” (p. 79), e aqui temos a ideia de um amor único! Quer motivo maior para manter sua castidade?

“Hoje, a nossa cultura do divórcio e da sensualidade substituíram a do sacrifício. No lugar de um amor vibrante, apresentaram-nos uma luxúria vazia e, em seguida, prometeram-nos que ela iria nos satisfazer. Quando a Igreja nos diz para deixar o amor falsificado e oco, o mundo quer nos fazer crer que a nossa liberdade está sendo arrancada” (p. 79).

  • “Mas durante toda a minha vida, nunca vivi a castidade. Não será agora que começarei”. Amiga, deixa disso. Sempre, sempre é tempo de mudar. Se até hoje você não viveu a castidade, não é motivo para não começar a viver agora. E eu posso te garantir: a coisa mais preciosa que você tem é o seu próprio corpo. Cuide dele com carinho. Essa “desculpa” aí em cima pode ser usada (como eu já usei várias vezes, eu confesso), apenas por fraqueza, mas eu tenho certeza que você é mais forte que a “desculpa”.

Os autores também nos falam sobre o respeito consigo mesma – e isso sem nem contar com a questão da castidade. Com certeza você conhece alguém que viveu ou vive um namoro abusivo, ou pode até mesmo ter vivido em um. Infelizmente este tipo de relacionamento é mais “normal” do que imaginamos ser. Um relacionamento abusivo é aquele onde um dos dois proíbe o parceiro de fazer qualquer tipo de coisa, que persegue, que não acredita em nenhuma palavra, que pede “provas de amor” o tempo todo, que é obsessivo, que realmente faz uma lavagem cerebral no outro. E sair de um relacionamento desse tipo é dificílimo. Muitas pessoas não se sentem amadas (verdadeiramente) pelas outras, e basta um homem (vou falar aqui no caso da mulher, mas isso pode variar, claro) dar um pouco de atenção, que a moça já imagina que ele é o amor de sua vida. Muitos desses homens podem ter más intenções, e não tratar a mulher com a dignidade e respeito que ela merece. Começa então a lavagem cerebral do tipo “se você não ficar comigo, não ficará com mais ninguém”, ou “somente eu te amo” (fazendo com que a mulher acredite piamente que sua família ou amigos não a amam). Infelizmente isso é decorrente, e não cabe a nós julgarmos a mulher de não conseguir sair de um relacionamento desse tipo. Mas fiquemos atentas para que nós mesmas não caiamos em ciladas como essa. Isso não é amor. Isso é possessão, escravidão.

“Psicólogos afirmam, com frequência, que a maioria das pessoas jovens está no estágio operacional concreto de pensamento. Isto significa que a maioria delas não tem ideia de como as decisões que tomam agora irão afetá-las no futuro” (p. 166).

Bem interessante também que por mais que o livro tome testemunhos muito fortes de mulheres que já vivenciaram diversos tipos de situações, Crys e Jason dão dicas para quem está começando a descobrir sua sexualidade, afetividade. Dicas como “não ficar”, valorizar seu corpo através de sua vestimenta, lembrar do valor que tem um beijo, lembrar também que não existem amigos com vantagens (sério, isso não existe!), a discrição na hora de se vestir (modéstia)…

As dicas vão além, e continuam incentivando as pessoas que já tiveram relacionamentos longos, traumáticos, difíceis, abusivos, e também para quem já “brincou de casinha” – isto é, morou ou mora com seu parceiro antes do matrimônio – a rever sua própria história, para que a partir desse momento possa tomar um rumo diferente na vida. Se for para terminar um namoro, termine! Se for para continuar, se seu relacionamento não tiver abusos (físicos, sexuais ou psicológicos), continue, e escreva uma nova história a partir de agora. Sempre vale a pena recomeçar. Lembre-se disso.

Minha opinião: A leitura foi extremamente forte para mim. Eu levei meses para conseguir terminar, pois eu não conseguia ler mais de um capítulo sem chorar rs. Como eu disse, ganhei do David antes de começarmos a namorar. Antes de começarmos o namoro, fizemos um caminho de namoro. Se você não sabe o que é isso, explico: é um período (às vezes de 3 meses, às vezes 6 ou mais), onde as duas pessoas se conhecem de modo mais profundo, conversam sobre tudo, contam coisas de seu passado, perdoam seu próprio passado (e o passado do outro, caso seja). E nesse período, elas decidirão se irão estabelecer um relacionamento de namoro, ou se irão continuar apenas amigos. Não é um tempo de “ficar”, mas sim de conhecer o outro com profundidade. É um tempo muito bonito, e se eu pudesse indicaria a todos a experimentar. Enfim… Durante este caminho de namoro, eu li o livro que ele me deu, e olha… Foi um tapa na cara atrás do outro haha.

Eu vivenciei um relacionamento abusivo (psicológico, moral, espiritual e físico), e em minha cabeça, a culpa havia sido minha, e somente minha. Mas vou contar um segredo: quando se está em um namoro abusivo, a culpa nunca é somente de uma pessoa. E eu nunca havia me perdoado por N coisas (que não vem ao caso). Este livro acabou me transformando, acabou me abrindo os olhos, e me fez enxergar que não estou sozinha no mundo. Que infelizmente esse tipo de coisa acontece, que todos nós somos seres que erramos, mas que podemos começar do zero. Podemos sempre pedir o perdão a Deus, pedir perdão a nossa família e amigos, e nos perdoarmos. O processo é lento, é difícil e doloroso. Mas não é impossível. Basta ter a força de vontade, e se precisar, pedir a ajuda de amigos, familiares, de um padre, um psicólogo, um conselheiro, um formador espiritual.

Claro que conheço outras pessoas que viveram / vivem namoro e casamento abusivo. Antigamente eu falava coisas como “a pessoa não sai do relacionamento porque não quer”, ou “será que a pessoa é burra de ficar nesse tipo de relacionamento?”. Hoje parei com essas frases. Não há sensação pior do que ser desrespeitada dentro de sua própria casa e não conseguir fazer nada, não por “não querer”, ou por “ser burra”. Mas por não ter coragem (por causa de ameaças), por realmente acreditar que o outro irá mudar (como sempre promete), ou por não entender que se está nesse tipo de relacionamento. Isso acontece! Em uma das partes do livro, os autores até dizem para “seguir sua intuição”. Se a nossa intuição está dizendo que tal ato está errado, por mais que as pessoas (ou o seu namorado / cônjuge) diga que é um período, que vai passar, ou que foi somente um “surto” que teve… Comece a analisar a fundo. Converse com a pessoa, entenda o que aconteceu em sua raiz. Fique atenta aos sinais. Garanto que eles são visíveis (para o bem ou para o mal).

E o principal: não tenha medo! Particularmente eu tive muito medo. Mas não é o fim do mundo; na verdade é uma libertação. Se você percebe que está vivenciando tudo isso, não caia na conversa de que a pessoa irá mudar, principalmente se você não vê os sinais, se você não vê a mínima mudança em seu comportamento. Não volte atrás. Se você foi ameaçada, entre com processos judiciais, mas não se cale. Nunca. Cada mulher (ou homem) que fica calada diante de um abuso, é uma família a mais que sofre. Porque sim, a família inteira sofre com a situação.

Por fim… Acho que já deu para perceber que eu amei o livro, não?! Se eu pudesse dar esse livro para todas as mulheres que eu conheço, eu faria isso! Sei que ficou gigante a postagem (tanto que tive que dividir em dois dias), mas eu não falei 10% de tudo o que o livro me ensinou. Então, permita-se dar esse livro de presente, ou presenteie alguma mulher. Você pode até salvar uma vida (sério)! 😉

Oração final do livro

“Ouça minhas palavras lentamente, de tal modo que elas possam penetrar em seu coração. Não perca a esperança em Mim. Confie somente em Mim e não se desespere. Meu amor jamais faltará a você. Eu sei como você deseja um amor perfeito. Saiba que este desejo – e a sua realização – vem somente de Mim. Dê-Me seu coração inteiramente todos os dias. Faça de Mim o objeto de sua esperança. Se lhe falta paz, isso mostra que você não confia plenamente. Na medida em que você conhece Meu amor, irá confiar em Mim. A paz que você deseja somente pode ser encontrada em Meu sentimento por você. Se você sente dor, ansiedade ou preocupação, entregue-Me imediatamente seu coração. Entregue-Me aquelas pessoas, aqueles planos e aqueles interesses que pesam sobre você. Entregue-Me o passado, o presente e o futuro. Eu purificarei seu coração de tal modo que você possa viver com a graça e cumprir minha santa e perfeita vontade de um espírito de regozijo. Tenho visto sua fragilidade. Venha a Mim sem hesitação durante seu tempo de necessidade e Eu irei saciá-la com Minha força divina e amor. Medo, não. Seja paciente e saiba que as águas agitadas de sua alma irão se acalmar novamente. Não seja melancólica. Regozije-se em seu sofrimento. Se ao menos você pudesse ver o quanto nossos corações se tornaram envolvidos! Se ao menos pudesse saber a alegria com que esperei por você. Não irei mostrar-lhe exatamente agora. Eu quero ver sua fé. Eu lhe dei a graça. Aceite-a e glorifique ao Meu Pai.” (p. 368/9)

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