Você, que nunca mais apareceu | Leonardo Richner

Oi gente, tudo bem?

Vocês perceberam que ultimamente temos tido poucas resenhas de livros aqui no blog, não é? De 2016 eu trouxe muitas leituras em andamento (mais de dez!), e isso me bloqueou um pouco. Agora que estou conseguindo concluir as leituras, e vejam, já estamos quase em fevereiro! Espero conseguir adiantar algumas resenhas que estou querendo fazer faz tempo, para vocês, ainda neste mês de fevereiro 🙂

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Você, que nunca mais apareceu (Penalux, 2016,149 p.), do autor Leonardo Richner, é um livro de contos. Para mim os que mais se destacaram foram: “A mão faz o homem“, “A breve biografia sentimental de Khalik Alik Amal“, “Gato preto na luz cinzenta“, e o conto que dá nome ao livro. Muitas vezes os pensamentos dos personagens são jorrados a nós, leitores, de maneira que parece estarmos nós mesmos pensando. Sabe quando temos um “embrulho mental”, onde as ideias não conseguem se organizar muito bem dentro de nós? Ou melhor: quando pensamos em tudo de modo tão rápido, que misturamos frases, situações, diálogos? Pois assim são os contos de Leonardo. Alguns mais, alguns menos, mas sempre com esse jorro de palavras.

“Eu voltava para casa com o sol já no meio dia, tropeçando pelos paralelepípedos e dormia até o começo da noite. Acordava com a alma em silêncio”. (p. 99)

Confesso que demorei um pouco para entrar no ritmo das histórias, para acompanhar os pensamentos. Eu tenho o costume de ler contos aleatórios, geralmente os menores primeiro, e depois os maiores. Acabei chegando ao último conto (“Medo de baleias“); e quando cheguei nele, fiquei espantada e fascinada: tudo aquilo que eu estava lendo, fazia sentido, afinal. Muito sentido.

“Atrás de Júlio, duas mãos parecem abrir as nuvens deixando a luz da lua descobrir o cabelo negro, feito pelo, pincelando a pele delicada de porcelana até atingir a área pura do pescoço, reverberando os olhos verdes de íris rajada que penetram Téo num jorro violento de amor, estufando seu coração de pássaro. Os lábios num tenso formigamento. Com a mão estendida, a memória adormece.” (p. 125)

O conto que dá nome ao livro foi meu favorito. Um conto com reviravoltas, com um final que eu não imaginava, doído, seco, cruel, verdadeiro. E vocês sabem como eu adoro isso.

Uma dica: leia com calma, acostume-se com a história e os personagens. Entre no corpo deles, vista-se com a pele de cada um. Não tenha pressa para entender o livro, pois tudo se encaixará no final.

Título: Você, que nunca mais apareceu

Autor: Leonardo Richner

Editora: Penalux

Páginas: 149 p.

[Livro concedido através de parceria com a Editora Penalux]

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3 comentários sobre “Você, que nunca mais apareceu | Leonardo Richner

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