Homens e sucatas | Betzaida Mata

Oi gente, tudo bem?

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Homens e sucatas (Penalux, 2016, 158 p.) da autora Betzaida Mata, é uma reunião de dez contos.

Comento com mais cuidado sobre três contos: “Festa do Erê“, onde nosso personagem principal é Javali (ou Aristides). Conversando com o dono do bar que frequenta, seu Oziel, filosofa sobre sua vida, relembra de seu velho avô falecido, e conta sobre a mulher que conheceu no terreiro, “bonita ela, viu?”. A autora escreve esse conto de uma maneira em que parece que estamos assistindo a um filme. São diálogos reais, rápidos, lembrando a escrita de Suassuna, em seu famoso Auto da Compadecida. É teatral, e ao mesmo tempo natural… Como é a vida.

“Acorda, vem olhar a lua
Que brilha na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sente meu amor e sonha” (p. 48)

O segundo conto que comento é “A trupe“, que para mim é o mais lindo do livro. Encantador, parece que ao ler, estamos vivendo um sonho. Cristina conversa com Samanta, e conta como é trabalhar como atendente numa copiadora e viver em frente a uma praça que às sextas-feiras tem um bandinho de playboys falando alto e tomando cerveja. Mas (e sempre há um mas) há dois meses, conta Cristina, aconteceu algo inesperado nessa praça: uma trupe circense começou a apresentar um belíssimo teatro, tão bem coreografado – e tão bem contado pela autora -, que consegui enxergar em minha frente. Ao terminar de ler este conto, fiquei num estado de paz interior, e imaginando como seria se isso acontecesse na vida real. Fiquei bastante emocionada com a escrita e a delicadeza.

Tem uma música que ouço, que me faz lembrar muito este conto:

O terceiro conto é de uma simplicidade incrível, ainda que às vezes regada de uma filosofia paternal. Em “As palavras e as coisas pequenas“, o avô conta à Maria Laura um pouco sobre sua vida, como a criou – aquela neta prematura -, sobre sua esposa e sua relação com as palavras. Por sinal, o personagem principal, algumas vezes, fez com que eu me lembrasse do Moacyr Scliar, um mestre no jogo das palavras, que escrevia com propriedade sobre diversos assuntos, e dominava o cotidiano como ninguém.

“Porque existem várias formas de se conhecer uma coisa sabe, minha filha? E para cada forma a gente atribui palavras diferentes. Porque elas no fim são para isso, não para o conhecimento da coisa em si, mas para construir a maneira que escolhemos de conhecê-la. A coisa em si só é conhecida no silêncio.” (p. 101)

Homens e sucatas é um livro encantador, que fez com que eu enxergasse a vida com mais poesia diante dos pequenos detalhes.

Título: Homens e sucatas

Autora: Betzaida Mata

Editora: Penalux

Páginas: 158 p.

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