O chão que em mim se move | Carlos Barbosa

Olá pessoal, tudo bem?

Parece que esse mês dei uma alavancada nas leituras. Sabe a meta que eu fiz no começo do mês? Está rendendo! Acho que por terminar um livro que há tempos estava lendo (desde julho! rs), as coisas começaram a funcionar melhor. É tão boa a sensação quando terminamos algo, não é? Uma outra sensação muito boa que sinto quando estou lendo, é quando percebo que a leitura tem um ritmo, e aí começo a ler em voz alta. Já aconteceu com vocês também? Inclusive estou pensando em fazer uma postagem sobre essas sensações! rs

carlos

Mas vamos falar do livro que me deu esse segundo prazer: leitura em voz alta, com ritmo. O chão que em mim se move (Penalux, 2016, 123 p.) do autor baiano Carlos Barbosa é um livro de contos que de certa forma estão interligados. Vira e mexe voltamos ao Bendiá, às lembranças de infância de um narrador que está presente em várias histórias. E são histórias contadas com tanto bom humor, mas ao mesmo tempo com tanta melancolia e saudade, que me foram arrancadas lágrimas, sorrisos e gargalhadas. Deu aquele conforto, aquela lembrança de voltar para casa (ainda que eu nunca tenha saído).

É muito difícil escolher um conto favorito – mesmo que a gente não precise fazer isso, cêis sabem, né? haha Mas é aquele costume que temos de sempre escolher só um. Eu gostei de todos os contos, completamente todos! E confesso pra vocês que isso é raro acontecer, afinal como são historinhas curtas, que não tem um vínculo (lembrando: geralmente), às vezes nos apegamos mais a alguns personagens ou situações. Mas fiquei encantada por todos os contos desse livro. Os que envolvem o Bendiá (no vale do Rio São Francisco) são como refúgio para nossa infância. Nosso narrador vai nos contando de seus amigos (ou “inimigos”), de seu pai (cutucando sua masculinidade de menino tão pequeno), de seu cavalinho, da tia Vitorina, e da trilha pedregosa, aquela malvada.

“Acode, meu pai, acode! O cavalinho tá se acabando, tá se acabando, berrei. Que é isso, menino? Bestagem, besteira, coisa nenhuma, apruma aí, sacode a rédea e vá rompendo, meu pai impacientava-se comigo, um pouco envergonhado por conta dos companheiros de viagem.” (p. 34-5)

A escrita de Carlos é algo tão ágil, tão rápida, que não vemos nem o tempo passar. Li o livro praticamente em uma noite. Parece que juntamos nossas mãos às mãos dos personagens, e eles vão nos levando, hora correndo, com a ânsia de nos mostrar o final de tudo aquilo; hora caminhando devagar e observando a lua, contando-nos os causos vividos. Penso – e isso é opinião e suposição minha -, que o título vem um pouco daí. O autor Roniwalter Jatobá, nas orelhas do livro, nos informa mais: que temos “Em todos os textos, o destino da migração. Para fugir daquele mundo, a busca por São Paulo, ‘na agonia doida pelas maravilhas de lá, dos empregos muitos, das lordezas'”.

Destaco, além dos contos que falam diretamente do Bendiá, o conto “Corpo de mãe“. Um escrito totalmente necessário, não só para quem tem choro engasgado, mas para aquele que não chora uma lágrima sequer, que é um pedregulho. A perda de nossa progenitora, imagino ser uma das dores mais angustiantes e ameaçadoras.

“História assim não se acaba de forma abrupta e espetacular – escorre. Certos acontecidos guardam parelha com carro de boi em carreiro de canavial: avançam lentamente, rangem doridamente, parecem rejeitar o despejo final de carga e seus desdobramentos em melaço, álcool, rapadura e bagaceira, a propiciar doce e ácido, sustança e embriaguez em vidas desligadas na trama.” (p. 58)

Sabe esse trecho aí em cima? Pra mim, o autor traduziu seu próprio livro: ele “não se acaba de forma abrupta e espetacular – escorre”. E a nossa vida é assim, não é? Preciso dizer mais nada.

Título: O chão que em mim se move

Autor: Carlos Barbosa

Editora: Penalux

Páginas: 123 p.

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3 comentários sobre “O chão que em mim se move | Carlos Barbosa

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