O mundo de Sofia | Jostein Gaarder

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vou tentar conversar sobre minhas impressões de leitura do livro O mundo de Sofia, do autor norueguês Jostein Gaarder. Atenção: será uma postagem grande, então já prepara a pipoca!

14440943_632573560234866_7020002284456859747_n

O mundo de Sofia (Companhia das Letras, 1995, 560 p.), de Jostein Gaarder, irá nos contar a história de Sofia, uma garota que está prestes a completar 15 anos. Ela tem uma vida bem comum: estuda, volta para casa, brinca com seus animais de estimação e ajuda sua mãe em pequenos trabalhos domésticos. Ah! Fato importante: Sofia mora somente com sua mãe, já que seu pai trabalha viajando. Um dia, Sofia recebe um envelope em sua caixa de correspondência… um envelope direcionado à ela. Claro que acha estranho, afinal nunca recebeu nenhuma carta. Logo já pensa que é de algum admirador secreto. Mas dentro do envelope, há apenas uma frase:

“Quem é você?”

E aí, é como se Sofia tivesse levado um tapa em sua cara. Afinal, talvez uma das perguntas mais importantes do universo tenha sido feita a ela. Mas o mistério não acaba por aí. Também começa a receber não só esses bilhetes, mas cartões postais de um major do Líbano, que não dizem respeito a ela, mas a uma tal de Hilde Knag, e um curso de filosofia completo – e sem custo algum, o que é melhor rs. Tudo isso em sua caixinha de correspondências.

o-mundo-de-sofia

Com essas cartas, Sofia terá acesso aos filósofos gregos, Aristóteles, Platão; aos filósofos que seguiram suas ideias; aos que rebateram com suas opiniões… Acesso também a Demócrito, a Sócrates, a Kant, a Hegel, a Spinoza, e até mesmo a Darwin! Seu “professor de filosofia” é um tanto dinâmico, e não envia somente cartas, mas passa a utilizar também fita de vídeo (estamos falando da década de 90! rs), o telefone… E Sofia até pode ter o prazer em conhecê-lo pessoalmente.

“E agora você precisa se decidir, querida Sofia: você é uma criança que ainda não se acostumou com o mundo? Ou você é uma filósofa capaz de jurar que isto [permanecer sua vida receptiva e sensível às coisas] nunca vai lhe acontecer?”

Temos então a história da filosofia, contada de cabo a rabo, de modo bem simplificado, mas que deixa com um gostinho de quero mais. Particularmente, eu terminava um capítulo sobre tal filósofo, e ficava em êxtase, querendo ler toda sua obra. Mas paralelo à história (ao curso de filosofia que a nossa protagonista recebe) temos também um mistério que ronda sua vida: afinal de contas, quem é Hilde Knag? E porque é que o major do Líbano não entrega as cartas diretamente à ela… tendo que passar primeiro à Sofia?

“Estou dizendo que tudo o que vemos tem um pouco do mistério divino. Podemos ver o brilho desta alguma coisa num girassol ou numa papoula. Percebemos um pouco mais deste insondável mistério numa borboleta que pousou num galho, ou num peixinho dourado que nada no aquário. Mas o ponto mais próximo em que nos encontramos de Deus é dentro de nossa própria alma. Só lá é que podemos nos re-unir com o grande mistério da vida. De fato, em alguns raros momentos podemos sentir que somos, nós mesmos, este mistério divino”.

Minha opinião: Falei um tanto bom sobre o livro (mais do que imaginei que conseguiria rs). Mas antes de falar ainda mais, quero apontar apenas o único ponto ruim: não gostei muito do final. Queria muito que ele fosse mais filosófico rs. Mas isso, claro, é uma opinião bem pessoal, e jamais quer dizer que o livro é ruim. Muito pelo contrário: o livro é totalmente fantástico! Tão fantástico que mesmo com o final que eu não gostei, dei nota máxima no Skoob rs.

Bem, este livro é mais um que faz parte do Projeto (re)Lendo Jostein Gaarder. Quando eu era criança, por volta dos oito anos de idade, meu primo Mauricio (que na época tinha 16) chegou todo animado, dizendo que havia lido este livro em quatro dias. Fiquei super espantada: “Um livro sem nenhuma imagem, e com mais de quinhentas páginas, em quatro dias! Como ele conseguiu?!”. Hoje eu sei… e o compreendo totalmente. A leitura é super tranquila, e a história que acontece com a Sofia é bem envolvente. Quando estava lendo, ficava querendo saber mais e mais seu desfecho.

o-mundo-de-sofia-2

Mas vou ser bem sincera: por mais incrível que a história de Sofia seja, nada é comparado à história da filosofia propriamente dita. Jostein vai nos levando por um caminho tão incrível, tão mágico, e com palavras tão fáceis, que é como se nos segurasse pelas mãos. Um verdadeiro professor de filosofia!

Como ele não se aprofunda tanto nos filósofos, acaba nos deixando com uma vontade imensa de procurar mais sobre os filósofos, suas ideias, a história do mundo que estava acontecendo no momento em que tais ideias foram surgindo… Ah, outra coisa muito  interessante! Jostein, assim como em outras obras suas, nos apresenta alguns artistas noruegueses. Tão legal isso, né?! Ele aponta vários romancistas e poetas de seu país, também despertando a curiosidade em conhecer suas obras. Ele ainda citou duas obras que tenho muita vontade de ler: Crime e Castigo, do autor russo Fiódor Dostoiévski, e Fausto, do autor alemão Johann Wolfgang Von Goethe.

O mundo de Sofia é uma obra incrível, que desperta o que há de melhor em nós: a curiosidade!

Título: O mundo de Sofia

Autor: Jostein Gaarder

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 560 p.

Anúncios

3 comentários sobre “O mundo de Sofia | Jostein Gaarder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s