Resenha – A morte de Ivan Ilitch

Oi gente, tudo bem?

Hoje vou tentar passar um pouquinho para vocês sobre minha experiência de leitura com um clássico da literatura mundial. Leon (ou Liev) Tolstoi. Um autor que nunca imaginei que leria. E que iria amar tanto!

A morte de Ivan Ilitch (L&PM Pocket, 2015, 104 p.) do russo Tolstoi já começa a nos revelar a morte (pelo título? Nãão… rs) na primeira página. Somos apresentados ao morto lá pelo quarto ou quinto parágrafo. Ivan Ilitch trabalhava em um Fórum e seus colegas gostavam bastante dele. Mas nem isso os impediu de pensar quem era o próximo a ocupar seu cargo. Nos dois primeiros capítulos iremos acompanhar sua esposa (Praskovya) e seus filhos nos âmbitos burocráticos da questão: coroa de flores, papelada, o que fazer? E somente no terceiro capítulo temos o contato com o personagem principal já falecido. Ivan ocupava um cargo público, tinha uma vida tranquila, esposa e dois filhos. Tentava sempre manter contato com pessoas da alta sociedade, era um homem bem educado e transmitia tranquilidade às pessoas. Nas vésperas de ter seu primeiro filho é que começa a ambicionar um pouco mais, afinal, deve pagar as contas da casa. Ivan, porém, foi acometido por alguma doença desconhecida, e é aí que sua vida começa a mudar realmente.

ivan

Minha opinião: Como é que um livro tão pequeno consegue nos fazer pensar em tantas coisas? Vou ser bem sincera quanto ao que eu senti durante a leitura. Por favor, não sejam malvados comigo, não me julguem.

Bem, logo nos dois primeiros capítulos, como eu disse acima, toda aquela burocracia que fica para as pessoas que aqui ficam já são jogadas na cara do leitor. Vamo combiná né migos: todo mundo que já teve um ente (até mesmo queridíssimo!) falecido, teve que passar por isso, pela parte “chata”. Papeis para assinar, decidir qual coroa irá querer no velório. Não sejamos hipócritas. Acho que assim como a Ligya Fagundes Telles joga algumas coisas em nossa cara, Tolstoi me jogou várias. Temos uns pensamentos crueis mesmo. Assim é a vida! Assim são os seres humanos.

“Ela [Praskovya] parou de chorar e, olhando Piotr Ivanovich [um dos melhores amigos de Ivan] com ar de vítima, queixou-se em francês sobre como tudo isso era terrível para ela. Piotr Ivanovich fez um gesto em silêncio, que queria dizer que, sem dúvida alguma, ele acreditava que certamente deveria ser. (…) Com uma voz ao mesmo tempo magnânima e desconsolada, Praskovya começou a discutir com o mordomo a questão do preço da cova”

A partir do terceiro capítulo mais coisas são escritas para que reflitamos. Qual o sentido de tudo o que fazemos? Qual o sentido da vida, e porque estamos aqui? Para onde vamos? Podem parecer clichês essas perguntas… Maas, parafraseando alguém que não me lembro quem é: o clichê só funciona até hoje por que é clichê. Não conseguimos responder as estas perguntas acima, mesmo sendo tão velhas. Ivan passa por um tipo de “orgulho”, mesmo beirando a morte. Ele acha que ninguém de sua família está mais se importando com sua presença, que todos querem mais que ele morra. Até que encontra-se sendo cuidado por Gerassim, o empregado da casa. De alguma forma, Gerassim fazia com que Ivan se sentisse bem e à vontade. Durante a leitura pensei: pode até mesmo ser que Ivan se sentisse à vontade, por se tratar de um empregado da família, e não alguém mais próximo. Quantas e quantas vezes, pessoas que se encontram à beira da morte sentem-se melhor com por exemplo, enfermeiros e médicos, do que com a própria família?! Envergonham-se. Talvez de algo que fizeram ou que deixaram de fazer. Uma parte muito tocante é a fala de Gerassim, dirigida a Ivan.

“Nós todos vamos morrer, portanto, o que custa um pouco de esforço? – querendo dizer que não se importava com o trabalho extra porque o estava fazendo para alguém que estava morrendo e esperava que alguém fizesse o mesmo por ele quando chegasse sua hora.”

Se eu indico?! Poxa, e como! Deveria ser lido por todo o mundo, muitas e muitas vezes. Queria ficar páginas falando aqui, mas não posso, ou conto mais do que devia. Na verdade, acho que já falei muito haha – Mentira, gente. Leiam sim! A experiência é que vale, a escrita, as reflexões… ❤

Ops, esqueci de falar! Este livro está inserido no meu Projeto Lendo mais Clássicos, na categoria “Um clássico de um autor que nunca leu”. Eu tinha colocado Contos completos, do Tolstoi mesmo… Mas não sei se consigo terminar até final do ano rsrs É um calhamação né, gente.

Título: A morte de Ivan Ilitch

Autor: Leon Tolstoi

Editora: L&PM Pocket

Páginas: 104 p.

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6 comentários sobre “Resenha – A morte de Ivan Ilitch

  1. Oiii Danii 😀
    Nossa, preciso ler esse livro! Aliás, preciso dar uma atenção especial para os clássicos rs…
    À propósito: indiquei o blog de vocês para a TAG Química Literária, espero que goste de responder 😉
    (Keity)

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