Projeto Leitura de Bolso

Oi gente, tudo bem?

Hoje venho comentar com vocês sobre um projetinho muito legal, de leitura. Vocês já ouviram falar no Leitura de Bolso? Pode ser que não. Mas me conta agora: quantas pessoas você vê por dia (ou por hora, que fica mais fácil de contar), mexendo em seu celular, mais especificamente em seu Whatsapp? Muita gente, não é?! E pensando nisso, os idealizadores do Projeto Leitura de Bolso, resolveram criar um site, para que cadastremos nosso número de Whatsapp, nome e e-mail. De segunda a sexta feira eles nos enviam textos curtinhos, que dá pra ler de dois a cinco minutos, diretamente em nosso celular. Aí ninguém mais tem desculpa para dizer que não lê nada. Genial, não é mesmo? =D

Ah! e é tudo feito de forma totalmente gratuita! 😉

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Para convencê-los a também se inscrever no site, trouxe para vocês hoje, um dos melhores textos que recebi em meu celular. Abaixo você pode ver onde encontrar o livro completo do autor =)

======Crônica======
As voltas do Volks

Tempo de leitura
🕒 5 minutos 🕒

Autor:
Daniel Cariello
==================

Meu pai ligou o rádio e começou a cantarolar junto.
– Sabe de quem é essa música, Daniel?
– Não.
– Dos Beatles.
– Quem?
– É uma banda de rock que já acabou.
Aquilo caiu sobre mim como um petardo. O “come on, come on”, de Please, Please Me, era tão marcante e a história tão impressionante – como assim, o grupo não existe mais? – que, nesse dia, o quarteto de Liverpool entrou na minha vida pra nunca mais sair. No meu aniversário de seis anos, poucos meses depois, pedi a todos o mesmo presente: LPs dos bítous.
O rádio do Volks quatro portas, vinho, 1969, não possuía FM, mas me trouxe os Beatles por AM e ainda sintonizava as ondas curtas que possibilitavam a meu pai e amigos captarem uma emissora que trazia notícias de revoluções distantes e abria as transmissões entoando a Internacional Socialista: “Aqui, Rádio Pequim”, anunciavam em português perfeito as duas vozes chinesas, logo após a canção. Na década de 70, escutar esses programas era um ato subversivo que dava cadeia facilmente.
Nos anos em que esteve na ativa, o pequeno carro foi palco de grandes proezas. Uma das mais notáveis foi acomodar treze pessoas que haviam ido a um pré-carnaval-furado e não tinham como voltar pra casa. A solução foi empilhar todo mundo no único automóvel disponível, em uma época quando Brasília era mais pessoas do que veículos, mais sonhos do que realidade. Meu pai e minha mãe nem namoravam, mas a história reza que ela foi no colo dele. Outros tiveram menos sorte e se encaixaram pelo chão e da maneira que dava. Alguns, da maneira que não dava.
Ainda testemunhou uma pseudoproeza, que gerou um pânico momentâneo.
– Para o carro, para o carro! Gritou um amigo da família que viajava para Fortaleza conosco.
– Que que foi?
– O Daniel está comendo biscoito pelo olho!
O susto foi grande, mas o alarme era falso. Nosso amigo não podia imaginar que na minha novíssima e super máscara plástica do Zorro era possível fazer um biscoito chegar à boca enfiando-o pelo buraco do olho. Depois do susto, a viagem continuou sem maiores sobressaltos, embalada pela conversa e um pouco de música, quando conseguíamos captar uma AM.
Contudo, a mais marcante de todas as histórias desse automóvel, mais velho do que eu, aconteceu quando meu pai foi buscar os três filhos na escola, em outubro de 1979, e fez um anúncio.
– Tem uma surpresa pra vocês lá em casa.
– É bolo? Perguntou o Pedro.
– É sorvete? Quis saber a Mariana.
– É bolo com sorvete? Indaguei.
– Nada disso, erraram todos. É uma irmãzinha. E vocês vão escolher o nome dela.
Fomos tomados por uma grande euforia, logo transformada em ensurdecedora gritaria. E ali mesmo começamos a especular como chamaríamos a mais nova integrante da família. Não demorou muito, passeávamos os seis, orgulhosos, pelas ruas da cidade. A Andréa ia no banco de trás, junto com a minha mãe. Por ser o primogênito, herdei temporariamente o da frente, onde circulava feliz ao lado do meu pai.
Em fevereiro do ano seguinte, o Volks quatro portas cedeu a vaga a uma moderna e espaçosa Belina II, que tinha rádio FM e acomodava confortavelmente toda a família e mais uma ou duas avós, além de um bando de amiguinhos no gigantesco porta-malas. Nosso agora velho carro foi estacionado nos fundos de casa e assim permaneceu por mais de uma década.
No início dos anos 90, ganhou uma sobrevida: cuidadosamente restaurado com pintura original e tudo, voltou a rodar pelas ruas da cidade, o tempo suficiente para meu pai testar a potência do motor renovado e receber diversas propostas de venda, todas prontamente recusadas, e para eu dar uma pequena batidinha de nada na lateral – quase nem dá pra ver, ó –, até este momento veementemente negada.
O Volks agora está parado na garagem da casa de minha avó, novamente abandonado. Toda vez que olho pra ele, penso como seria bom levá-lo de volta às ruas, rádio AM ligado, nós seis dentro, nem que seja para uma pequena volta na cidade. E no tempo.

🔗 Para comprar o livro, acesse: http://www.danielcariello.com.br

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5 comentários sobre “Projeto Leitura de Bolso

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