Resenha – Mutilada

Oi gente, tudo bem?

Enrolei muito para fazer essa resenha. Eu não sabia nem se eu conseguiria fazer, por causa do tema. Inclusive, já deixo um aviso: este relato é forte, e algumas citações que resolvi colocar são ainda mais. Então, se você tem um estômago mais fraco, pule as citações, ok?!

Aproveito também este post para desejar a todas que me leem, um lindo dia das mulheres. E que nós tenhamos força e coragem para lutar contra tudo e todos que insistem em nos oprimir.

kh

Mutilada (Rocco, 2006, 173 p.) conta a história de Khady, uma garota senegalesa, aos sete anos de idade, época em que ocorre o maior trauma de sua vida. Ela mesma quem irá contar sua história a nós. No Senegal, assim como em outras regiões da África é comum a prática da excisão (a retirada do clitóris da criança, ou adolescente).

“Duas mulheres me agarraram e arrastaram para o quarto. Uma, atrás de mim, me segura a cabeça e seus joelhos esmagam meus ombros com todo o peso deles para que eu não me mexa; a outra me segura os joelhos, com as pernas afastadas. A imobilização depende da idade da menina, e sobretudo de sua precocidade (…) Ela puxa com os dedos, o mais possível, o minúsculo pedaço de carne e corda como se cortasse um pedaço de carne de zebu. Infelizmente, é impossível para ela fazê-lo com um único gesto. Ela é obrigada a serrar.”

Segundo o costume, isso é feito para que a mulher perca a vontade de ter relações sexuais com outros homens, fora seu marido. Aos treze anos de idade, ela é praticamente dada a um homem que quer se casar com ela: seu próprio primo, distante. Há um “ritual”, onde o homem interessado em se casar conversa com o pai e o mais velho da casa; o pai conversa com a menina, dizendo que tal homem gostaria de se casar; a menina diz que sim (é obrigada a isso). Simples assim, veja só. Eles também acreditam que a mulher, ao menstruar, já está pronta para ser casada. Muito nova, Khady então é casada, tem filhos, e é obrigada a viver como uma mulher adulta. Sente vontade de brincar na rua com seus amigos, mas é proibida, afinal já é uma esposa, e pessoas casadas não podem fazer esse tipo de coisa. Mas se fosse só isso, tudo bem. O problema é que ela também sofre maus tratos nas mãos do marido.

“Eu teria desejado, é claro, que o futuro marido não fosse um desconhecido, gostaria de ser cortejada, convidada para sair, ir ao cinema com meu amigo – o sonho de toda moça. Mas, se questionamos o casamento com um primo desconhecido com outras mulheres, a resposta será sempre a mesma: – Vai amá-lo mais tarde!”

Khady Koita hoje é uma militante e está na ONU. Ela participa de Assembleias para o engajamento nas lutas pelos direitos das mulheres.

khady

Título: Mutilada

Autor: Khady

Editora: Rocco

Páginas: 173 p.

Anúncios

6 comentários sobre “Resenha – Mutilada

  1. Embora eu considere a leitura de um livro assim de extrema importância, sempre fico com receio de ler e ficar muito mal, sabe? To adiando Holocausto Brasileiro pelo mesmo motivo…

    • Oi Barbara! Eu até gosto de livros mais “fortes”, iguais a esse… apesar de ficar bem mal depois rs
      Holocausto brasileiro eu chorei praticamente o livro inteiro… é bem pesado mesmooo; e pensar que aconteceu tão pertinho da gente. Acho que, por isso, é bem pior que Mutilada

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s