Resenha – A bela e a fera

Olá pra vocês, boa tarde!

Como é que falamos de um livro maravilhoso, uma autora maravilhosa? Se já é difícil falar de um livro que gosto muito… Imaginem quando dou a sorte de o livro ser de contos?

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A cada conto lido deste pequeno [grande] livro, eu tinha de parar para suspirar. Parar para pensar na vida. Na vida em sua forma mais simples e pura. Porque é sempre assim que Clarice nos apresenta a vida. Simples. Pura. Crua. Cruel. E é assim, desta exata maneira que a realidade é formada à nossa volta. Ela não age ou escreve com hipocrisia. Vemos em vários de seus contos, certa familiaridade com o tema abordado, fazendo-nos pensar que ela ou incorpora o personagem, ou está utilizando de fatos cotidianos reais, de sua vida particular, para nos contar uma história.

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A bela e a fera (Rocco, 1999, 110 p.) apresenta a nós, leitores, uma Clarice Lispector, visivelmente envolvida com os problemas sociais. A própria capa já nos mostra isso. Não que suas outras obras não tenham nada de social. Muito pelo contrário. Porém, o título do conto que dá nome à obra – A bela e a fera ou a Ferida grande demais – aborda de modo totalmente direto a nossa cegueira-proposital. Chega a dar arrepios o modo como a personagem é narrada. Uma senhora grã-fina está saindo do salão de beleza em Copacabana, quando vê que seu chofer ainda não chegou ao local para buscá-la. Perdida em seus pensamentos, leva um susto quando vê que é abordada por um homem sem uma perna, que lhe pede dinheiro. Não acostumada à vida real, a senhora reage ao pedido, perguntando-lhe quanto costumam lhe dar de esmola. O rapaz, dizendo que davam o que podiam lhe dar, sem se dar conta, desencalha uma gama de pensamentos obscuros na cabeça da mulher. Pensamentos estes que de certo modo temos. Pensamentos que espantamos com as mãos, como se estivéssemos espantando uma mosca. Mas que em nosso mais profundo interior, sabemos que eles estão lá. Porém só nos damos conta de que temos pensamentos obscuros, temos cegueiras-propositais, quando somos abordados por algo que não é de nosso costume, por algo que não é de nosso meio social. Estamos fingindo sermos alheios a todos e a tudo. Mas…

“‘Há coisas que nos igualam’, pensou procurando desesperadamente outro ponto de igualdade. Veio de repente a resposta: eram iguais porque haviam nascido e ambos morreriam. Eram, pois, irmãos” (p. 108).

Título: A bela e a fera

Autor: Clarice Lispector

Editora: Rocco

Páginas: 110 p.

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