Resenha – Prophecy [v. 1 e 2]

Olá pra vocês!

Hoje a resenha é grande. Já aviso. E mesmo assim, eu gostaria de falar muito mais. Quando eu gosto de algo que li é assim: quero que todos leiam, quero discutir isso com todo mundo, quero mostrar pra todos o trabalho incrível do autor. Espero que gostem 😉

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Prophecy, Volume 1 (JBC, 2014, 221 p.) conta a história de uma pessoa que não tem identidade: tem apenas uma característica, que acaba dando-lhe nome: Jornal, ou Homem Jornal. Este personagem aparece em vídeos no Yourtube (Sim, no mangá eles chamam de “YouRtube” rs), prometendo cometer crimes em tal data e hora. Um departamento da polícia japonesa contra crimes cibernéticos acaba tendo de entrar em ação. A promessa do Jornal, geralmente é para, no máximo, 72 horas acabar com a vida de uma pessoa, sendo através de morte, ou humilhações via web. Interessante apontar que o jornal que ele utiliza na cabeça sempre é o jornal “do dia”, o mais atual (o que para mim, representou a agilidade da informação nos dias de hoje). As vítimas do Jornal são sempre pessoas que de forma ou outra cometem abuso moral (e até sexual) de uma parte da população, ou de apenas um indivíduo. [Comentários pessoais abaixo]

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Prophecy, Volume 2 (JBC, 2014, 197 p.) continua com a história de Jornal e seus crimes cibernéticos. Agora ele pega uma vítima um pouco “maior”: a Sea Guardian, que é uma organização de proteção ao meio ambiente. Aparentemente, esta organização é “inofensiva”. Porém, quando o Japão é atingido pelo Tsunami, a ONG gera uma grande polêmica, dizendo através do Twitter que os japoneses precisavam mesmo de uma punição divina por conta de tantos gases poluentes que lançam na natureza. Através de pistas deixadas pelo Jornal, a chefe do departamento começa a perceber que ele é muito mais inteligente que todos imaginavam. [Comentários pessoais abaixo]

O primeiro volume deste mangá faz uma crítica imensa à utilização livre das redes sociais e no que isso pode acarretar. Quais as consequências que apenas comentários têm na vida de outras pessoas. Mostra como as pessoas, por trás de uma máquina, conseguem ser totalmente corajosas – e ainda mais imaturas e irresponsáveis pelas suas palavras e “opiniões”. Tudo o que é feito através destas máquinas reflete numa vida real, às vezes de modo desastroso. Quando pensei que estava totalmente contra tudo o que estava sendo exposto neste primeiro volume de Prophecy, eis que chega o final! E minha cabeça dá pulos de indecisão.

O segundo volume continua com suas críticas em torno do mesmo assunto abordado no primeiro; porém, como eu disse, nossa mente já entrou em transe no final da outra história. Durante vários momentos, fiquei em guerra comigo mesma no decorrer da leitura. Quando se trata de “fazer justiça com as próprias mãos”, como o Homem Jornal fazia, pensamos logo em todo o erro que ele está cometendo com este ato. Mas e quando é algo que você apoia e sente que foi traído por este mesmo algo? Você faria a mesma coisa? Ou você continuaria achando que a justiça com as próprias mãos ainda é inválida em todas as circunstâncias?

Quando terminei de ler os dois volumes, só pensava em uma coisa: assim como as outras pessoas que estão por aí, fazendo comentários absurdos acerca de variados assuntos (que muitas vezes também são absurdos de serem tratados com tamanha docilidade nas redes sociais), talvez eu também seja uma pessoa tão imatura quanto elas. Eu não tenho uma opinião formada! A sensação ao terminar de ler esses mangás, foi terrível. Um enorme sentimento de incompetência me tomou. Lembrei muito (mais uma vez!) do livro do Gabo, Crônica de uma morte anunciada. Assim como na história de Gabriel, as pessoas foram avisadas de que crimes iriam ocorrer; porém ninguém levo isso a sério. Além das piadas, ainda divulgavam sem querer (através das Curtidas, Comentários e Compartilhamentos).  Gabo, podemos dizer, foi quase um precursor do que acontece atualmente: nosso costume de não levar coisas a sério, e ainda assim espalharmos por todos os cantos do mundo, como se aquilo fosse uma simples piadinha. Nossa capacidade de fazer a justiça com as próprias mãos – até mesmo inconscientemente, quando compartilhamos uma mensagem de ódio ou preconceito – é realmente assustadora!

Título: Prophecy: Yokokuhan [v. 1 e 2]

Autor: Tetsuya Tsutsui

Editora: JBC

Páginas: [v.1]: 221 p. [v. 2]: 197 p.

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