Acorda pra vida

Tem dias que acordo assim.
Reclamo de tudo, reclamo da vida. Reclamo do que nunca conseguirei ser.
Autor morre de fome no Brasil, dizem. E às vezes creio ser verdade.
Editoras cobram caro para publicar seu livro.
Você tenta publicar de modo independente. E ainda assim sai caro.
Caro para seus leitores, claro. E você tem dó, e quase dá o livro de graça para a pessoa.
Mas se quer fazer isso virar uma profissão: calma.
Tudo acontece no momento certo, como diz mamãe.
Mas meu tempo certo é tão tempo certo de Deus?
O tempo certo de Deus é tão insuportavelmente demorado?
Ninguém disse a mim que seria fácil.
Muito pelo contrário: disseram sempre que eu não iria conseguir. Mas consegui.
Falta eu plantar uma árvore e ter um filho, para ter uma vida realmente vivida.
Já deixei dois cactos morrerem. Um por falta de água (!) e outro por excesso dela.
Um filho?! Não cuido nem de cactos.
Só sei cuidar do que é inanimado.
E mais uma vez, como diz mamãe: você não cuida nem do seu nariz.
É, acho que hoje não estou para ninguém.
Acho que hoje não acordei para a vida.

 

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