[Resenha] Capitães da Areia | Jorge Amado

Oi pessoal, tudo bem?

Mais um livro lido para o #ProjetoMindlin (acesse para saber mais, clicando aqui). A Nina reuniu um grupo grande, para lermos juntos e discutirmos, via WathsApp; e mais uma vez foi uma experiência maravilhosa. Eu nunca havia conseguido dar continuidade nesse clássico brasileiro. Antes de Capitães da Areia, li somente A morte e a morte de Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado (que por sinal gostei muito, e tem resenha aqui).

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Capitães da Areia (Companhia das Letras, 2008, 283 p.) do grande autor baiano Jorge Amado, vai contar a história de um grupo de meninos de rua que mora no cais, e que levam o título do livro. Mas Jorge Amado não nos entrega esses meninos de mão beijada. Vai nos apresentando aos poucos, e deixando que cada identidade seja formada segundo nossos julgamentos.

O início do livro, por sinal, são as “Cartas à redação”, onde o padre José Pedro, o Secretário do chefe de polícia, o Juiz de menores, a Maria Ricardina (costureira),  o diretor do Reformatório, escrevem para o Jornal da Tarde. Seguindo daí, começamos com nossos pré-julgamentos. Aos poucos, de capítulo em capítulo, vamos sendo apresentados aos outros personagens: os meninos do cais, o padre, o bispo, algumas mocinhas, algumas madames. Cada qual com sua personalidade, qualidades e defeitos.

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Podemos ainda arriscar dizer que o que Jorge Amado faz em seu livro é algo como os alemães chamam de “Bildungsroman“; ou como conhecemos aqui no Brasil, “Romance de formação”, que é aquele tipo de livro que nos é exposto o processo de desenvolvimento dos personagens (seja ele físico, moral, social, político). Para citar um exemplo mais “prático”, temos a obra David Copperfield, onde Charles Dickens nos apresenta seu personagem principal que dá nome ao livro, desde seu nascimento, até sua velhice; passando por todos os estágios de sua vida. De uma maneira muito menor (afinal são muitos personagens), encontramos isso também na obra Capitães da Areia. Vemos o desenvolvimento dos personagens Pedro Bala, o líder do grupo, do Pirulito, que tinha uma afinidade muito bonita com a religião, do Sem-Pernas, um dos personagens mais crueis, e também do Gato, do Volta Seca, do Professor, de Dora, e tantos outros.

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Minhas impressões em relação ao livro foram as melhores. Em nenhum momento eu fiquei entediada, ou desanimada com a leitura. O modo lírico, tão poético que Jorge Amado descreveu as situações, as personagens, a Bahia, os pensamentos e ações de seus personagens, foram muito profundas. Em vários momentos me peguei avaliando meus julgamentos. Sabe aquela sensação de você engolir uma palavra ruim que estava prestes a falar para alguém? E percebe que este alguém é quem está com a razão? Senti isso frequentemente. E foi me dando um nó na garganta, uma vontade de chorar, ao perceber o quanto ainda devo melhorar como ser humana.

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Este trecho acima é um dos mais lindos do livro. Eu já havia assistido ao filme (que será assunto para outra postagem), e foi a cena que me fez chorar: a cena das crianças no Carrossel. Se você já leu, ou assistiu ao filme, deve lembrar-se quão bela é. Mostra que mesmo em meio ao caos do dia-a-dia dos Capitães (com crimes, com a fome, com a prostituição), eles ainda são crianças, eles ainda possuem sonhos e querem brincar.

Enquanto eu lia o trecho, eu me lembrava muito desse vídeo abaixo (e ainda bem que deixei salvo em meu Facebook). Esse trechinho de vídeo sempre me faz ter vontade de voltar a ser criança (inclusive, quem souber onde se passa esse vídeo, quem é o moço, ou um vídeo maior, deixe pra mim nos comentários, por favor!).

Leia o quanto antes esta obra. Eu tenho certeza que ela irá mudar seu modo de ver a vida.

Título: Capitães da Areia

Autor: Jorge Amado

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 283 p.

Músicas que acalmam a alma [Parte 11]

Oi gente, tudo bem?

Espero que estejam bem. Queria muito estar mais presente aqui no blog, postar mais resenhas para vocês. (Acho que esta semana que fiquei mais presente… mas o hiato foi grande, né?). Este tipo de postagem (música, playlist), quando comecei a fazer, era realmente para compartilhar com vocês os meus gostos musicais. Agora já estou ficando incomodada, e parece que estou tapando buraco haha. Estou sendo sincera, como sempre.

Mas o que mais tenho feito na vida é escutar músicas. Inclusive qualquer dia irei mostrar as playlists que estou ouvindo diariamente em meu serviço. Músicas mais calminhas, músicas celtas, clássicas… As quatro músicas de hoje, eu espero que vocês gostem 😉

Não vou me adaptar – Nando Reis

Alma – Zélia Duncan

Mundo inteiro – Roberta Campos

Agora eu quero ir – Anavitória

O que estou lendo? [Maio 2017]

Olá, tudo bem por aí?

Ultimamente não tenho lido muita coisa. Tenho mais assistido séries, ouvido músicas, comido, dormido… Coisa boa, né?! Eu sei. Mas como eu sempre digo, aproveito que ainda não sou casada, e tenho essas regalias (apesar que a única coisa que não faço em casa é cozinhar rs). Mas mesmo lendo tão pouquinho, resolvi postar hoje, e mostrar a vocês o que estou lendo – devagar e sempre. Não irei falar muito sobre os livros, afinal teremos resenhas aqui (não é mentira!).

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez.
Estou totalmente fascinada com a história e os seus personagens. Sempre digo que era o clássico que eu mais temia na vida. E hoje vejo o quanto de tempo perdi por não ter começado a ler antes.

Van Gogh, de David Haziot.
Estou bem no começo do livro ainda. Eu estava lendo um capítulo todos os dias, antes de dormir. Mas aí comecei a assistir a uma série nova (só vinte minutinhos por episódio…), e vocês já sabem, né?! Terei que começar novamente. Mas ainda considero que “Estou lendo”.

Grandes esperanças, de Charles Dickens.
Também terei que começar novamente. Já havia passado da página 100, mas errei feio: não utilizei meu caderninho de “Diário de Leitura”, como aconteceu com David Copperfield. Agora já me perdi na história. Fora que já é o terceiro calhamaço que estou apresentando a vocês só agora…

Os miseráveis, de Victor Hugo.
O quarto calhamaço. Terei que ler minhas anotações haha. Essa postagem está quase virando “O que quero ler”, ao invés de “O que estou lendo” haha.

Poesia Reunida, de Adélia Prado
Novelas Exemplares, de Miguel de Cervantes
Contos completos, tomo 1, de Tolstoi
Pesadelos e paisagens noturnas, volume 1, de Stephen King

Desses quatro livros, leio um pouquinho por mês, ou nem isso. Da Adélia, lia com o David duas poesias por semana. Agora já estamos lendo quatro por mês… (quando lembramos haha). E os outros livros, por serem contos (e novela, no caso de Cervantes), não me cobro. Leio quando me dá vontade.

E é isso. Acho que a leitura e a literatura passaram a ter um papel diferente em minha vida, não!? E eu as amo ainda mais por isso.

E vocês, o que estão lendo?

Resenha – Cadela Prateada

Oi pessoal, tudo bem?

Cadela prateada (Penalux, 2016, 108 p.) da autora mineira Líria Porto, é uma reunião de poemas, ora românticos, ora mais calientes, mas todos tendo como tema principal a Lua. De forma direta ou indireta, Líria mostra toda sua paixão pelo nosso satélite natural (com razão, diga-se de passagem!). Há poesias que dão a impressão de que estamos sendo empurrados, e logo puxados de volta, assim como as ondas do mar fazem conosco. E há outras que são de tanta calmaria, que me vêm as lembranças de quando eu ficava sentada no parapeito de minha janela, só observando a lua, e também escrevendo poesias – e isso me dá uma saudade…

Li uma entrevista no site Balaio de Letras, muito agradável, em que o autor do site (Cláudio B. Carlos) pergunta sobre personagens que marcaram Líria, e quais são os escritores contemporâneos favoritos. Fiquei toda arrepiada ao ver que Líria gosta das mulheres de Érico Veríssimo, e que dois de seus autores preferidos são Carpinejar e Adélia Prado. E Porto ainda afirma que acredita em uma “literatura mineira”. Se você puder, leia também a entrevista, clicando aqui. É uma conversinha muito boa 😉

flerte (p. 36)

olhava a lua
a lua me olhava
e esse namoro
dispensa palavras
semeia no ar
os silêncios as pausas
dos grandes amores
daqueles que cabem
em quartos minguantes
em espaços mínimos

Líria Porto tem outros livros publicados, incluindo um livro infantil chamado “Asa de passarinho“, publicado pela editora Lê, e outro de poesias, chamado “Borboleta Desfolhada”, publicado pela Canto Escuro Editora (Portugal).

Título: Cadela prateada

Autor: Líria Porto

Editora: Penalux

Páginas: 108 p.

Skoob do livro

Site da autora

Adquira seu exemplar clicando aqui.

Para ler um trecho, clique aqui.

[Livro concedido através de parceria com a Editora Penalux]

Resenha – Pax

Oi gente, tudo bem?

Vocês já sabem da minha dificuldade com livros em formato digital, certo? Pois é. O livro que irei comentar hoje, eu demorei cerca de dez meses para ler. E ele só tem 288 páginas. Mas juro que é por causa de minha lerdeza. O livro é lindinho!

Pax (Intrínseca, 2016, 288 p.), da autora Sara Pennypacker, conta a história de Peter, um garoto com cerca de dez anos, e sua raposinha, chamada Pax. Os dois são amigos inseparáveis; até o momento em que o pai do garoto é chamado para servir na guerra. O pai de Peter obriga o garoto a devolver a raposinha para a natureza, e depois o leva para a casa do avô, que será seu lar enquanto a guerra estoura. Porém, Peter acaba fugindo da casa do avô para encontrar Pax, perdida na natureza.

A autora alterna as ações dos nossos dois personagens principais. Pax em meio à natureza, um pouco perdida, já que sempre foi criada na casa de Peter; e o garoto indo parar na casa de Vola, uma mulher grandona, e um pouco “rústica” rs.

“A verdade mais simples pode ser a coisa mais difícil de enxergar quando envolve a nós mesmos. Se você não quiser ver a verdade, vai fazer o que for preciso para disfarçá-la.”

Minha opinião: O livro é encantador! Ele pode ser considerado infanto-juvenil, mas possui ensinamentos muito cativantes. A busca por nós mesmos, a doação ao próximo, a cura de feridas interiores (e exteriores também), a autoaceitação, a solidariedade, e é claro, a lealdade de um ser humano com o seu bichinho, são coisas que marcam na história, e que são passadas a nós, leitores.

Título: Pax

Autora: Sara Pennypacker

Editora: Intrínseca

Páginas: 288 p.