Resenha (Livro) – Perguntas e respostas às objeções mais vulgares contra a religião | Mons. Louis Gaston Adrien de Ségur

Oi pessoal, tudo bem?
Para quem ainda não sabe, eu tenho outro blog, juntamente com meu namorado, David. Chama-se Evangelizando a 2, e como o próprio nome já diz, é um blog evangelizador 😉
Nele também há resenhas de livros e filmes católicos, e se você sentir vontade, faça-nos uma visita! Hoje, posto muito mais lá, do que aqui no Bibliotecária Leitora. Logo falo mais sobre isso.
Um beijo para vocês.

Evangelizando a Dois

Oi pessoal, tudo bem? A paz!

Hoje viemos apresentar um livro muito precioso. Ele foi lançado pela primeira vez em 1851 pelo Monsenhor Louis Gaston Adrien de Ségur, bispo e apologista francês, que viveu do ano de 1820 a 1881. Ele era descendente de uma nobre família, e sempre foi muito zeloso em seus estudos. Foi ordenado sacerdote em 1847. Sempre foi muito conhecido por sua caridade, dedicando-se especialmente a crianças, pobres e soldados prisioneiros de guerra. Por causa de um problema na vista, ficou cego, mas nem por isso deixou de escrever livros: ele ditava seus escritos com grande fervor, explicando a doutrina católica em linguagem popular. (Fonte)

Esse livro, na época em que foi publicado, já foi um grande sucesso, vendendo mais de 700.000 cópias na França e na Bélgica, sendo ainda traduzido para diversas línguas, como espanhol, inglês e até mesmo hindu. O livro que…

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Resenha (Livro) – Risco escuro na claridade | Maiky da Silva

Oi pessoal, tudo bem?

“Decidi ser louco num sábado qualquer, num dia ordinário, numa data comum”.

É assim que o autor começa seu livro (ele tem um dom pra começar de forma impactante, que vou te contar. Digo isso por causa de um outro livro, que, bem… Não iremos falar dele hoje. Foco!). O livro Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas, também disponível na Amazon (2018, 61 p.) é do mesmo autor que já falei na semana passada (veja a resenha aqui), o Maiky da Silva. Essa ficção irá ter seus capítulos nomeados “Carta”, e não diário, pois como o personagem mesmo diz, os diários são muito cheios de “eu”. E ele irá contar a história das pessoas ao seu redor, e um pouco do que ele via de um “eu” que não era mais “eu”. Parece sem sentido, mas ao ler o livro, você entenderá 😉

Quando se começa um livro daquela forma, já começamos a nos perguntar “gente, mas por que decidir ser louco?”. Logo no primeiro capítulo, o jovem narrador de sua própria história, conta-nos a sua dramatização da loucura, numa família aparentemente “normal” (entre MUITAS aspas). Temos então um balde de água fria, e começamos a nos perguntar o porquê de tudo aquilo… Para sermos acalentados – ou não – com as respostas na segunda carta, ou segundo capítulo: as explicações chegam de forma nada agradável. Somos jogados como bolinhas de ping-pong a todo o momento. Acompanhamos seus pensamentos de “culpa”, de um apego desnecessário, mas real, àqueles que não lhe fizeram tão bem assim, como o acompanhamos em seus pensamentos de razão e coragem ao encarar de frente sua realidade nada tranquila. E tudo isso numa escrita crua, sem um pedido de piedade, sem um sentimentalismo que poderia muito bem ter sido feito (mas que graças a Deus, não foi!).

“Sonhar, quando não há vida, é uma maneira de sobreviver”.

Sobre a história eu só posso dizer que ficamos sabendo de sua infância, do que houve com seus pais e sua avó, de como ele foi parar naquela casa onde inventou sua loucura. Quem nos conta a história é um “eu” mais adulto, longe fisicamente daqueles dias. Mas o quão longe esses episódios ficaram de sua alma? Houve uma construção de um ser humano naquela casa, naquela situação? Ou houve uma desconstrução de tudo o que poderia ter sido?

Vocês sabem que eu gosto muito de relacionar uma leitura à outra, ou a um filme, uma música… Então eu farei isso… Estou cheia de indicações, de pensamentos, cheia de querer falar! Não sei se isso é o ideal. Em algumas situações é melhor falarmos pouco. Mas é impossível, ao ver o tipo de escrita, tão crua e tão real, e que vai direto ao ponto, eu não me lembrar do seu oposto, o Lemony Snicket. Maiky não tem medo de ser mal entendido: seu personagem fala, e está lá, entenda quem e como quiser. Já Lemony, não por se tratar de uma série infanto-juvenil, mas pelo sarcasmo ser o seu estilo literário, nos provoca exatamente quando tenta ser engraçado ou autoexplicativo. Num mundo em que ao falar um “A” você já é julgado pela forma com que falou, colocar altas doses de ironia e deboche é além de provocação, uma crítica escancarada ao politicamente correto. É legal quando pegamos textos mais cruéis para lermos! Eles vão contra a maré, eles nos instigam a ler a verdade, doa a quem doer. Lembrei muito também da escrita de Eliane Brum, de Lygia Fagundes Telles, de Lya Luft. Todas essas incríveis mulheres escrevem de forma provocativa. Eu amo isso!

“Desejava a loucura, a morte. Mas era a vida que queria. Era a vida.”

E vocês também sabem que quando é para falar de um livro que gosto muito, eu acabo me perdendo hahaha Mas hoje me prometi que iria fazer algo mais decente, e como o livro não é tão longo, acho que irei conseguir. Porque se fosse contar mais do que já falei, ia entregar a história toda. Apesar que o grande Q da história é você saborear as palavras, se colocar no lugar do protagonista. Eu vou ser sincera… Tentei me colocar no lugar dele, numa casa “normal”, na situação em que ele se encontrava. Eu não teria coragem! Não teria coragem de fazer o que ele fez, fingir uma loucura. Talvez algum dia eu enlouquecesse de verdade, ao não fingir endoidar. Talvez o que ele tenha feito (gritado, esperneado, rido naquela altura) tenha sido o correto.

“O inferno não são os outros. Os outros são só indiferença”

Ainda vemos o sentimento de culpa que fica no personagem, mesmo depois de anos. Ao contar a história a nós, vez ou outra, o protagonista nos fala de tudo o que recebeu da família, de tudo o que fizeram por ele, mesmo não sendo obrigação. E logo em seguida já joga em nossa cara o que fizeram de ruim. Então, como leitora, fiquei numa corda bamba, ao não conseguir tocar em nenhum dos lados (bom ou mau) de sua família. Vinha um toque de “Síndrome de Estocolmo” rs, e ao mesmo tempo vinha em minha mente: “Como seres humanos eles eram obrigados SIM a cuidar de forma decente do menino! Não devo sentir pena ou ser compactuada com as ações deles. Devo ficar do lado dele!”.

“Ao princípio do trabalho, o modelo inglês acrescenta, como condição essencial para a correção, o isolamento. O esquema fora dado em 1775, por Hanway, que o justificava em primeiro lugar por razões negativas: a promiscuidade na prisão dá maus exemplos e possibilidades de evasão no imediato, de chantagem ou de cumplicidade para o futuro” (…) Em primeiro lugar, o rtorno temporal da punição. Os ‘reformatórios’ se dão por função, também eles, não apagar um crime, mas evitar que recomece. São dispositivos voltados para o futuro e organizados para bloquear a repetição do delito.”
(p. 141/5) no livro Vigiar o punir, de Michel Foucault.

Por último… há o que chamam de sensação de falta de pertencimento, seja no universo, na sociedade, na família. É quando você não se sente incluído em nenhum grupo, como que se deslocado, não se sente seguro em nenhum lugar. Mas você já se imaginou não pertencer a si mesmo? Já imaginou não se sentir pertencente ou dono de algo tão íntimo, tão seu, que são seus pensamentos, atos, palavras, sanidade, alma? Essa foi a sensação final ao ler o livro. Você fingir uma loucura, perceber que em alguns momentos de seu dia faz algo “sem querer”, e vê seu equilíbrio mental indo embora. Qual seria a sensação? E a quais atitudes esses pensamentos me levariam?

Título: Risco escuro na claridade: Ou cartas que não são cartas

Autor: Maiky da Silva

Editora: Amazon, 2018.

Páginas: 61 p.

Disponível aqui!

Resenha [Livro] – Coro infante ao pássaro – Maiky da Silva

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim apresentar um dos meus favoritos do ano até agora! E não poderia ser outro, se não um de poesias! Como eu sentia falta de ler boa poesia… Para quem não me acompanha sempre, talvez não saiba, mas uma das minhas leituras favoritas do ano de 2016 foi o box do querido poeta Passarinho, ou Manoel de Barros. Mas não é sobre ele que irei falar, mas sim de alguém que me lembrou muito (e comentei isso com o autor).

Coro infante ao pássaro (e-book disponível na Amazon, 2018, 82 p.) é do autor Maiky da Silva, que já tem outros dois livros publicados também na Amazon. Ele é um poeta das miudezas, aquele que nos apresenta o cotidiano com uma calmaria, uma simplicidade… Um livro que não consegui parar de ler, mas ao mesmo tempo não queria que terminasse nunca.

São escritos repletos de sutileza, suavidade, que nos remetem logo à infância, ou à melhor época de nossas vidas. Aquele tempo em que não queríamos que o tempo passasse. Que as coisas estavam boas demais, para que o amanhã viesse. Aqueles dias em que, se pudéssemos, o relógio congelaria, e tudo ficaria daquela maneira, por tempo indeterminado. Esse é o sentimento que fica ao ler suas poesias.

A forma como ele escreve também me lembrou muito Mario Quintana e Adélia Prado, por falarem do cotidiano, do “comum”. Vocês já perceberam que o mais comum é o mais extraordinário? Que é nas entrelinhas de nosso dia-a-dia que encontramos com a poesia?

Domingo

Diga-me qualquer névoa,
discurse sobre qualquer quimera.
Permito até que pise em meu pé,
o pé que a unha comeu.
Ah, diga alguma coisa,
sorria de algo e depois me conte.
Parece a semana só ter domingos,
desses domingos ausentes,
sempre tão martes e sem fim.
Ah, alguém me belisque,
ou então me ofereça o braço.
Estou cansado desses mormaços.
É domingo,
e eu procuro alguma reação.

(Uma música para vocês ouvirem, que me fez lembrar muito o livro do Maiky)

Na poesia Silêncio, que foi uma que me arrancou lágrimas, ele nos diz assim: “Mas não é um encontro a descoberta da perda?“. E isso me lembra tanto Clarice (Lispector) e suas descobertas interiores! Quando encontramos a nós mesmos é porque deixamos algo para trás! E isso é tão verdadeiro e profundo. Ainda na mesma poesia: “Porque memória nenhuma me soa plena: / vai desbotando, se adaptando“. E não é? E não adaptamos as coisas conforme nossa comodidade, ou metamorfose, ou conforme o perdão que damos ou deixamos de dar?

Enfim… Sabe aquele tipo de poesia que cada vez que você lê, você descobre algo novo? Cada verso é adaptado conforme nosso estado de espírito? Mais ou menos o que acontece comigo quando ouço essa outra música.

Maiky também tem um olhar muito sensível para a fotografia. Você pode segui-lo pelo Instagram.

Ah! Última indicação que faço, prometo: O estilo de poesias é mais ou menos igual ao de Manoel, como já falei. Então ouçam o Odilon Esteves recitando uma poesia do “Passarinho”. Gente, lembra muito!

Queridos leitores, leiam esse livro. É uma indicação que faço de todo o coração, e com força. Ele está disponível para o Kindle Unlimited, ou se não for assinante, pode adquiri-lo por 1,99 😉

Título: Coro infante ao pássaro

Autor: Maiky da Silva

Editora: Amazon, 2018.

Páginas: 82 p.

Disponível aqui!